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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pra um anjo lá no Rio


Hoje é aniversário de Ádrea, minha diaba querida, um dos motivos que me faz mais ter saudades do Rio. Queria poder dar um abraço nela, dizer do meu carinho, ver esse sorrisão de dentinhos separados e esse olhar de menina levada que a danada tem. Tem gente que passa, tem gente que fica na história da gente. E essa moça está pra sempre no meu coração. Beijo, querida!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Salve, simpatia!


Ontem foi aniversário do meu amigo Nininho - Porfírio, pros íntimos que sabem o nome científico dessa criatura. Lenny Kravitz do samba, perfeita tradução do que o Rio tem de melhor, responsável pela criação deste blogue, amigo que virou irmão e está presente em minha vida, mesmo que à distância. Brigo tanto com esse negão. Amo tanto esse menino grande. Queria espremer aqui um tiquinho dessa saudade que sinto e dizer pra ele deixar de ser ciumento, que a escritura de posse no meu coração já foi lavrada. Sim, porque ele tá arretado comigo por causa do cartão de ano novo que fiz e que mostra Delano, outro amigo, DUAS VEZES, enquanto ele aparece uma só... Te cuida, meu tabacudo querido, e tenha certeza de que esta 'paraíba-pernambucana' torce sempre para que você seja e esteja feliz.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Fotolog de Natal - 1

Faz tempo que o Natal não é lá essas coisas maravilhosas pra mim: minha mãe não mantinha a tradição e, depois que vovô Oswaldo morreu, a festa perdeu a graça. Mas, ontem, juntamos os desgarrados e a festa foi divertidíssima: Guida e os filhotes Alice e Gil, tia Miriam com Samuca, e minha prima Dione com o namorado, Pablo. Todos aqui em casa.
Preparei tudo desde cedo, tentei criar uma sala aconchegante... e os danados só quiseram ficar amontoados na varandinha de casa, sob a luz das velas e dos pisca-piscas. Abaixo, Di e Pablo... Minha tia super gatona, que ouviu Blur, Fat Boy Slim e Jimi Hendrix a noite toda...
Guida e Dione...
Samuca e eu...
Alice, ajudante de Papai Noel... Ela e Gil assistindo a "Era do Gelo 2", dentro da maratona de dvds piratas adquiridos com essa finalidade (cinco filmes a R$ 6). Hoje só não estou mais feliz porque fiquei sabendo que minha sobrinha Luiza foi hospitalizada, com pneumonia - meu irmão passou o Natal na urgência e só me avisou depois. Está mais braba e impaciente que nunca, mas vai ter alta amanhã; a febre graças a Deus baixou e depois de três dias sem comer, voltou o apetite.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Fotolog de Natal - 2

Esta foi a nossa mesa de Natal; tão bonita e gostosa que não resisti e postei esta série de imagens... Cada um trouxe uma coisa, e foi comida farta e risada solta até de manhã. Pra quem não confia nos nossos dotes culinários, seguem as fotos:

Acima, salpicão de frango defumado. Abaixo, tender ao molho de tangerina e hortelã - ambos, 'executados' por mim.

Tia Miriam trouxe rondelle de espinafre e esse lombo maravilhoso, com castanhas de caju e fios de ovos.

Guida trouxe docinhos, uma série de 'beliscos', compota de caju, arroz branco soltinho (que não sei fazer!) e a farofa da foto abaixo, à esquerda. A farofa da direita foi feita por Di, que ainda preparou um negócio pecaminoso, chamado 'brigadasco' - pedacinhos de damasco unidos com chocolate.

domingo, dezembro 17, 2006

"Como a água da chuva caindo no sertão"

Acho que poucas vezes fiquei tão emocionalmente esgotada quanto durante a semana que passou: participei de onze bancas de conclusão de curso - seis como orientadora, cinco como membro julgador. Cheguei em casa, caí dura na cama, e dormi horas este fim de semana...
O resumo que posso fazer do processo é que nenhuma
experiência de orientação é igual à outra.
A aluna que eu pensei em não orientar mais, porque vivia atrasada e começou o processo tarde, engrenou na produção e tirou um merecido dez.
A equipe que chegou a pensar em trocar de orientador, por não sentir firmeza nos meus conhecimentos técnicos em rádio, também tirou dez e me agradeceu de público a paciência e o envolvimento na construção do trabalho.
O grupo que eu achei que seria reprovado, pelos problemas pessoais dos membros envolvidos e atraso no início da orientação, tirou um sete e meio que me deu mais trabalho e alegria do que se fosse uma nota mais alta: filho feinho nascido a fórceps, e nem por isso menos festejado.
Um trabalho redondinho, que eu acreditava ter condições de ser bem sucedido, foi impugnado em plena banca por, entre outros problemas, reproduzir ipsis literis uma matéria publicada em jornal por um dos membros julgadores. Outro grupo de alunos, que por bobeira ou inexperiência deixei passar para a fase final (apesar das ausências nas sessões de orientação e falta de qualidade no resultado do produto), também foi reprovado e me fez sentir culpada.
A aluna com quem o processo mais fluiu veio me dizer, empregando a expressão que reproduzi como título, da alegria que foi partilhar esses encontros. Tirou nove, merecia doze. Mas isso de nota é sempre relativo e certamente não o mais importante. A esperança que tenho é de que as trocas tenham valido para todos, e que eles levem consigo tanto quanto me deram.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Feliz 2007


Falta muita gente querida neste vídeo tosco, feito com as fotos que tinha em mãos; ainda assim, fico feliz de agradecer aos que aparecem, pela presença constante em minha vida.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Mais um domingo feliz

Eta, que este sítio cada vez me rende mais momentos de alegria. Depois de encontrar Cida, ontem foi a vez de eu conhecer ao vivo Fabiana, recém-chegada da Inglaterra. A sensação de sabê-la real foi muito, muito boa. E a tiracolo ela trouxe Tiger, o filhotinho que não fala português e vai vestido de homem-aranha para qualquer evento social, da sorveteria ao casamento da rainha. Ao verem essa coisa linda de quatro anos correndo fantasiada pelo Bairro do Recife, a reação das pessoas todas era sorrir.

Pra completar a farra, junto comigo foram Gil e Alice, filhotes de quatro e cinco anos de Guida, minha amiga de todas as horas. Diante do muito que podiam ter aprontado, a criançada se comportou e eu me diverti pra caramba. E ri mais ainda ao descobrir que Fabiana estudou com Isaar, que foi minha cunhada e dividiu casa com Guida por mais de ano.

É, Recife é um ovo. De codorna.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Registro da farra


Dona Cida, que conheci aqui neste blog e virou amiga 'real', esteve comigo domingo passado, no show de Isaar. E mandou hoje as fotos que provam a tarde feliz que tivemos, e que quero compartilhar com vocês...
Eu e Guga, só alegria...
As risadas de Guida (à esquerda) e Cida (à direita), ladeando meu risinho sem graça (não sei porque).

sábado, dezembro 02, 2006

Presepadas profissionais...

Hoje eu ia passando pela praça, aqui perto de casa, e encontrei Paulão. Há quase dez anos que não o via. Era meu colega de faculdade, nas disciplinas que acabei cursando junto com a turma de Rádio e TV de 1990.2, que me adotou. Se eu tivesse pensado melhor, tinha apontado Paulão como responsável por um dos maiores micos por que já passei na vida. Enfim, nunca é tarde para relembrar...
Depois de ter sido irresponsavelmente reprovada em EPB, de tanto gazear aula para ouvir Siba e grande elenco tocarem violão nos corredores do CAC, fui cursar a disciplina de manhã, para não atrasar meu curso. O professor queria que apresentássemos um seminário, e meu grupo, formado por meninos do primeiro período cheios de vontade de produzir, resolveu fazer um vídeo discutindo a questão da "Pena de Morte".
A gente era uma turminha muito afoita, devo admitir. Como a UFPE não permitia que saíssemos com a filmadora sem um técnico responsável, e como o técnico irresponsável não trabalhava no fim de semana, pegamos a máquina da minha mãe emprestada, montamos um pau-de-luz improvisado com uma vara de goiabeira e uma lâmpada de 500W e saímos em campo. Uma das entrevistas mais importantes que conseguimos agendar foi com o ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara.Além de Paulão e de mim, em nossa equipe estavam Paula, Ricardo e Ulisses - esse foi o embrião da futura Pruma, produtora com muitas histórias. Como todos os outros faziam Rádio e TV e eu, além de estudar Jornalismo, estava um semestre à frente deles, fiquei encarregada de comandar as perguntas, enquanto cuidavam da produção. E foi um verdadeiro desastre.
Entramos na Igreja das Fronteiras, onde Dom Helder morava, na Casa Paroquial. A primeira providência dos meninos foi enganchar um fio na xícara onde estava o chá do pobre do velho, e derrubar em cima de uma beata que estava com ele. Paulão (1,90m, 150kg) gritava feito um louco - "Ulisses, caralho! Sobe esse pau que ele tá aí é pra subir mesmo" - enquanto uma freirinha se benzia. Mais adiante, acho que pediu para o entrevistado levantar as mãos para o céu - "Dom Helder, faça aquela posiçãozinha que o senhor gosta de fazer" - mas ele nem se mexeu. A vergonha foi se acumulando e, no fim, eu pedi desculpas. "Dom Helder, nos perdoe, ainda estamos começando", etc, etc. A beata que estava com ele retrucou com ar irônico - "já começaram bem, hein?" - mas a gente ainda poderia ter se retirado com alguma dignidade, se Paulão não resolvesse contribuir. Enquanto o santo senhor dizia que eu não me preocupasse, que ele já estava acostumado com jornalista etc e tal, o jumento achou de interromper. "Pode deixar, Dom Helder. Se o senhor ainda estiver vivo quando a gente se formar, a gente vem lhe entrevistar outra vez".
Apesar dos pesares, o vídeo ficou até bonitinho, perfeito como trabalho amador de uma turma de primeiro período que queria ilustrar um seminário de EPB. Mas Paulão ficou encantado com a obra-prima. Eliminou os créditos originais (que, com todo defeito, eram bons; demonstravam o talento latente de Ricardo, hoje um editor maravilhoso, e combinavam com a luz e movimento meio toscos do filme inteiro) e substituiu por umas ceninhas cor-de-rosa, florzinhas, cascatas, cachorrinhos, com a música "What a Wonderful World", de Louis Armstrong. Que porra tinha a ver aquele mundo maravilhoso de Walt Disney com a pena de morte, nenhum dos outros quatro conseguiu entender. Mas a megalomania de Paulão não tinha limites: ele começou a inscrever o vídeo em tudo que foi mostra da cidade. E, claro, o nome da gente aparecia piscando no fim da grande obra. O desespero foi ao auge no dia em que ele confessou que ia mandar uma cópia para Jô Soares. Aí Paula, que é a mais mala sem alça de todos nós, pediu a matriz emprestada e, 'sem querer', aplicou a punição capital à "Pena de Morte".
Em seguida, eliminamos Paulão da jogada e agregamos André ao grupo, transformando-o numa produtora. Tínhamos vários grandes trabalhos em mente, mas só realizamos filmagens de festinhas de aniversário. A primeira, não esqueço: era de Allanzinho e Karolinny. Loucos pra comer brigadeiro, fomos os cinco (!) participar da filmagem. Sem nada no bucho, que era pra aproveitar. Que ilusão. Ninguém nos ofereceu coisa nenhuma. Já no fim da festa, com a garganta seca e o olho doendo depois de segurar o pau de luz por três horas seguidas, eu pedi um copo de água à dona da festa, que ficou com vergonha e me deu guaraná. Na ilha de edição, entre (d)efeitos especiais de aviõezinhos e corações e o som terrível do Xou da Xuxa, a gente só via os closes que Ricardo, o câmera oficial, deu a noite toda na bandeja das coxinhas. A Pruma não rendeu dinheiro, mas grandes amizades e boas histórias. Uma das melhores foi quando Tom Jobim veio a Recife - salvo engano, foi a última vez que nos visitou antes de morrer. A gente se plantou na frente do hotel e conseguiu marcar uma entrevista com ele: Tom não quis dar entrevista a nenhuma emissora, nenhum jornal, mas aceitou conversar conosco quando soube que éramos estudantes.
No dia marcado, chegamos quarenta minutos mais cedo e montamos toda a parafernália no hall do hotel. Nervosa, eu sentei com Paula num sofá e ficamos 'treinando' as perguntas que faríamos, enquanto Ricardo e Ulisses filmavam: "Tom Jobim, o que acha disso? Tom Jobim, como vê aquilo?" No sofá da frente tinha um gringo muito queimado de sol, com uma camisa havaiana horrorosa, olhando pra nós duas. "Que gringo mais assanhado, esse", concordamos Paula e eu.
Daqui a pouco, Tom desce, de chapéu na cabeça, charuto na mão e sorriso nos lábios. "Este aqui é meu violonista, Tião Neto", apresentou ele, chamando o gringo - que gargalhava, enquanto Paula e eu queríamos morrer.
Gravamos quase uma hora de entrevista e eu, tiete, ainda roubei o cotoco do charuto pra mim.
Quando fomos assistir à fita, quase mato Ulisses: ele ficou virando a câmera de cabeça pra baixo, segundo ele "para fazer movimentos experimentais". A gente quis esguelar o brilhante gênio: "experimenta quando tiver filmando tua mãe, fedapê!".
Da tarde feliz que passei com Tom e me fez admirá-lo não só como artista, mas ser humano, só ficaram as lembranças. O irmão de Paula gravou um filme em cima da fita. E a empregada lá de casa jogou o charuto fora.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia Mundial de Luta contra a Aids

Eu tinha doze ou treze anos e ele trabalhava com minha mãe. Era delicado, tinha um olhar inteligente e direto, amava cinema e me conquistou definitivamente no dia em que me falou que eu parecia com Isabelle Adjani. Tinha uma cara de poeta trágico e um nome de dançarino de tango: Hernandez. Era homossexual e foi a primeira pessoa relativamente próxima de mim que vi morrer por causa da Aids.
Eu era quase uma menina, mas o exemplo dele marcou a ferro e fogo duas tristezas na minha alma. A primeira: a raiva grande de saber que seu companheiro de longos anos, o que tomou conta dele durante os dias de dor, não pôde receber pensão nem herdar os bens que construíram juntos - e desde então me posicionei contra as leis hipócritas de nosso país, que impedem os diferentes de serem cidadãos. A segunda: ter visto depois dele alguns ídolos e várias pessoas comuns padecerem do mesmo mal. Com eles me solidarizo, e por todos nós torço que a cura seja logo descoberta.
Para Hernandez, deixo aqui meu beijo.

Preferências e Desistências Literárias


Sean me pediu pra falar dos livros/autores que desisti de ler... Então, lá vai.
O primeiro, e é uma pena, é Guimarães Rosa. Não consigo ir além da terceira página de "Grandes Sertões: Veredas". Em compensação, adoro os continhos mais curtos e palatáveis. Como o bom mineiro escreveu num deles, "todo abismo é navegável a barquinhos de papel"...
Outros da mesma linha: Euclides da Cunha. James Joyce. Alguns romances de Umberto Eco - que, paradoxalmente, ao escrever sobre comunicação e ciência consegue ser preciso e precioso.
Leio de tudo e o tempo todo: de bula de remédio a revista Sabrina. Clarice Lispector, Carlos Drummond, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, José Saramago, Machado de Assis, Mia Couto e Carlos Pena Filho para mim são geniais.
A relação com a palavra escrita entranhou-se em mim bem antes de eu me alfabetizar sozinha, aos cinco anos. Vem talvez da forma como meu nome foi escolhido: mamãe tirou o nome da personagem de um romancezinho chato de Jorge Amado, chamado "Subterrâneos da Liberdade", na moda entre a galera de esquerda nos anos 70 por mostrar o cotidiano da clandestinidade. Nesse sentido, meu irmão Gabriel deu mais sorte: ela leu "Cem Anos de Solidão" bem na época em que ele nasceu!

sábado, novembro 25, 2006

Um Mico Publicável

Fui intimidada por Leo a escrever um post sobre um mico publicável. Ah, tenho tantos. Já postei alguns aqui, como a história da cigarra. Pensei e repensei e agora me veio à memória dois miquinhos simpáticos, "de salão". Tá, são esses que vou contar... E repasso a missão pra Di, Debi, Gio, Raimundo e Tita, pra brincadeira seguir adiante...
Eu tinha uns quinze anos, era super tímida, e comprei ou ganhei uns óculos de fantasia, pavorosos, que resolvi mostrar à minha mãe. Ela, notoriamente gaiata, enfiou-os prontamente na cara e foi assim de Candeias ao centro do Recife (algo em torno de uns 20km), encarando as pessoas. Primeiro eu fiquei desesperada. Depois, comecei a achar engraçado. Por fim, tava doida pra aderir à idéia. E foi o que fiz, para mal dos meus pecados.

Foi só botar os óculos que, no mesmo segundo, Rogério, o professor de hidroginástica de mamãe (um gato, afemaria!) emparelhou o carro conosco. Eu fiquei roxa, azul, cor de rosa. Acabei estoicamente sem tirar o maldito apetrecho na cara, na esperança de não ser reconhecida ou passar despercebida.

Não tive tanta sorte.

Depois eu soube que ele andou perguntando se "a filha de Cininha tinha problemas". Até hoje, não sei se se referia à minha parte física ou mental...
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Uns dois anos depois, outro mico memorável: estava eu, alegre e flanando, numa calourada da UFPE. Eu era enxerida, andava pelo campus todo, tinha vários amigos a quem estava ansiosa pra encontrar. Aí, de longe, bati o olho em um: era Nando, que tinha feito educação física junto comigo e estudava engenharia (bicho doido e querido que tinha um fusquinha e me dava carona sempre, o carro lotado de homens e só eu de menina, todo mundo fazendo presepada e ele dirigindo com uma cueca enfiada na cabeça).
"Nando!", pensei feliz. E corri pra junto dele. Cheguei por trás já abraçando, encaminhando um beijo... e não era Nando.
O rapazinho quase-beijado pegou e falou: "Continue!"
Fiquei azul, gaguejei, pedi desculpa e me escafedi do local.
Cinco minutos depois, dei de cara com o próprio Nando. "Feladaputa, passei a maior vergonha por sua causa!", e contei o ocorrido.
Ele olhou o cara e ficou arretado: "Oxe, aquele é Rochinha, um cába feio da peste, como é que você me confunde com ele?"
Foi lá, chamou Rochinha, me apresentou oficialmente, rimos muito os três com a história, e no final eu ganhei mais um amigo.


sexta-feira, novembro 24, 2006

"Amigo é o irmão que a cegonha entregou em outra casa"

Tou aqui, "brincando de definições", a pedido do Leprechaun...
Algumas que ficaram bonitinhas:
Felicidade - espécie de purpurina que cobre o mundo, quando faz sol dentro da gente
Alegria - momento em que cinco mil borboletas transformam seu coração em jardim
Sucesso - quando você tem na mão a última pecinha do quebra-cabeças
Riqueza - aquele muito que, mesmo sendo pouco, não cabe em seu coração
Vitória - o exato instante em que você descobre que o bicho-papão não passa de um guarda-chuva

domingo, novembro 19, 2006

Geni, a formosa dama

Se tem algo que eu faria, caso me fosse dada a chance de entrar numa máquina do tempo, era ser mais próxima dela - Geni Balaban. Estudei com Geni os três anos do colegial. Mas ser amiga dela ia além das minhas forças: Geni era "A CDF" da sala, e quase como num filme de estudantes americanos, na escola a gente tinha papéis muito bem demarcados. Tinha a gostosa, a riquinha, a popular, o engraçado, o maluco.
Eu não era grande coisa: era a novata, a princípio, até que vieram outros novatos. Era a tímida. Era a gorducha, mas não era sequer a única acima do peso, na sala. Enfim, era um zero à esquerda tentando desesperadamente ser aceito. E ser amiga de Geni não ajudaria em muita coisa.
Ela era esquisita, ou pelo menos, a gente achava. Muito magrinha, muito branquinha, com uns óculos intelectuais pendurados na ponta do nariz. Nenhum menino queria namorá-la: era insignificante, feinha demais. Tinha mania de usar uma intejeição - "que chique!"- para se referir a qualquer coisa. Sua família não era das mais ricas e ela era responsável; por isso, estudava com constância, escrevendo com lapiseira hp em cadernos impecáveis que a turma inteira xerocava, na véspera das avaliações. Sentava na frente, alheia à risadagem e conversa do fundo da sala. Junto dela, um séquito de três ou quatro burrinhos que queriam ser sabidos ou, pelo menos, se beneficiar da rebarba de Geni, principalmente em dia de prova.
Eu sentia que no fundo era parecida com ela, mas na época minha maior preocupação era não me mostrar "CDF" e assim, ser aceita. Eu não queria ser ainda mais diferente dos outros do que me sentia. Para tanto, fingia gostar de coisas que não gostava, me sujeitava a companhias que não se interessavam por mim, não estudava e me abstinha de aparecer. E quando tirava notas boas, em português principalmente, o resto da turma não entendia como isso poderia ter acontecido. Quando passei no vestibular, com boa nota e na primeira tentativa, teve gente que se espantou.
Às vezes, eu trocava com Geni uma ou outra informação sobre livros que nem faziam parte da lista restrita da aula de literatura, e então ela sorria, meio divertida, me reconhecendo como um ET em meio à meninada inconsequente. Ninguém me acreditava como autoridade em coisa nenhuma, e isso por outro lado doía. Lembro do dia em que duas coleguinhas tiveram um acesso de riso porque eu disse que, da boca de ambas, saía um 'afluxo de besteira' - elas não conheciam o termo, e eu precisei da confirmação de Geni, que me lançou um olhar penalizado, do tipo, "elas não sabem o que fazem".
O tempo passou, e Geni se tornou apenas mais uma entre os mais de 40 coleguinhas que prestaram vestibular em 1989, e dela não tive mais notícia - a não ser pelo que me contou o Google: casou e ensina Pediatria, na Universidade Federal do Ceará.
Mas me consolo, quando penso nela, porque ao longo dos anos amadureci e nunca mais deixei de me aproximar de qualquer pessoa interessante que me aparecesse pelo caminho, com medo do que 'os outros iriam falar'. Eu mesma colei e descolei vários rótulos de mim, e não me preocupo mais em ser nada além disso. Já dá trabalho demais...
Pouco ou nenhum contato tenho com os meus colegas da época, aqueles cuja opinião era tão importante, e que eram tão diferentes de mim, e que nunca me aceitaram plenamente, apesar do meu desejo.
A vingança mais doce foi saber, anos depois, que no casamento de uma dessas coleguinhas - ao qual não fui, não lembro por qual motivo - Geni foi a grande sensação. Ruiva, poderosa, sorridente, com as curvas que só desabrocharam após os vinte anos todas evidentes num vestido colante preto, ela deixou os marmanjos todos babando por ela. E, apaixonada, e certamente melhor servida em termos tanto de carcaça como de intelecto, não quis saber de nenhum deles.

sábado, novembro 11, 2006

Mercado persa

Um dia arrumo dinheiro e compro um carrinho. Mas enquanto isso, vou me divertindo nos ônibus.
Acabo de voltar de Camaragibe (nos sábados de manhã tenho dentista, ninguém merece). É uma cidade da região metropolitana, a caminho dos municípios da Mata Sul onde tem maracatu, cavalo marinho, coco. É também uma espécie de 'portal de integração', você paga só uma passagem do menor valor (R$ 1,60) e sai baldeando pra outros ônibus ou pro metrô. Ir pra Camaragibe dia de hoje é aventura, o buzu tá sempre entupido, a partir do Terminal da Macaxeira (ponto de troca de ônibus). Mas tem cada figura, que vou te contar!
Tem dias em que vem um pastor evangélico, pregar a Bíblia e berrar hinos. No outro, um vendedor de sabonete de aroeira e banha de peixe elétrico. Minha amiga
Isaar uma vez pegou uma briga, porque os dois se encontraram no mesmo ônibus, e foi o embate da faca guinzo com a meia vivarina: apesar do vendedor ter entrado antes, o pregador se achou no direito de ocupar o espaço, como bom fariseu proprietário da palavra divina - inclusive, destratando o rapaz. Ela tomou as dores do injustiçado, e foi um pega pra capar.
Mas o que eu gosto mais é quando entram os cantadores.
Aqui em Recife sempre tem gente cantando nos ônibus - a começar por mim, como vocês devem lembrar. Alguns fazem disso meio de vida. Tem umas figuras lendárias, como um cara que "tocava saxofone" numa palha de coqueiro (juro, o som era igualzinho e ele se achava o próprio Kenny G) e foi parar em Jô Soares. E tem sempre os meninos que sobem, desfiando a ladainha "eu podia estar roubando carteira de mãe de família", mas antes dão sempre a palhinha invariavelmente desafinada. TÃO desafinada, que um dia um amigo interrompeu o garoto na primeira frase e falou: dou dez reais pra tu calar a boca. O moleque titubeou, mas o outro amigo mala-sem-alça que estava conosco começou a dar corda, você é artista ou não é?, e o resultado é que o cantor caprichou nos berros e ficou quase todo mundo insatisfeito - principalmente o amigo que tem ouvidos sensíveis e o menino-cantor, que ao passar a sacolinha não arrecadou nem cinco mangos - mas eu ri de quase chorar.
Pois hoje indo para Camaragibe, subiram dois emboladores, daquelas duplas tipo
Caju e Castanha. A gente é sempre meio obrigada a dar dinheiro a eles, porque senão tiram onda pesada. Tenho quase certeza de que um desses dois de hoje lembrou de mim lá do interior, por causa das palestras que andei dando: fez um olhar de reconhecimento, lascou uma quadra me chamando de 'professora' e 'doutora' e dizendo que eu gosto da cultura popular e tenho "mais de duas faculdades". Morri em cinco pilas, mas feliz, ele mereceu mais que os dez centavos do troco que a galera costuma oferecer. E aproveitei pra rir das presepadas que ele aprontou com os demais passageiros: disse que vai namorar com o cobrador, "no dia em que virar viado". Disse que precisa do dinheiro pra ajudar a avó, que "tá buchuda". Cantou a menininha do meu lado, dizendo que parece com Xuxa. Chamou uma dona de pirangueira e ameaçou, dizendo que se não ajudasse, o marido ia trair ela com a vizinha. Quando viu que não tinha jeito, lascou essa: "A mulher que não der nada/ vai levar quatro topada / quando do ônibus descer".

sexta-feira, novembro 10, 2006

Dado em casa


Alan tem uma coleção de dados, que usa pra dar aulas: triangulares, fosforescentes, coisas do arco da velha. Brincando com ele, disse que ia doar o parzinho aposentado de dados eróticos que ganhei num passado longínquo. Depois lembrei do motivo principal que me fez desistir deles para sempre: um dos bichinhos era viciado. Um marcava 'o que' fazer, e funcionava normalmente. O outro, o que devia dizer 'onde', sempre caía na mesma opção exibicionista: "de porta aberta".

quinta-feira, novembro 09, 2006

Completando o post anterior...


Eu não devia, mas em honra de Tárcio, que assim pediu, eu vou contar um pouco mais das presepadas pelas quais passei, vestida de Chapeuzinho Vermelho.

Escolher a roupa foi uma novela: pesquisei imagens no Google, comprei cetim pra capa e popeline pro vestidinho, corri atrás de costureira. O resultado saiu muito mais convincente que as outras quinze moçoilas trajando a mesma fantasia que vi perambulando pelas ladeiras de Olinda, sem despertar a menor comoção. Além das roupas delas parecerem estilizadas... bem, eu acho que elas não estavam na sintonia da fantasia, como eu estava.

E era muito engraçado: as pessoas iam se comunicando comigo, gritando na rua, tirando onda. E eu me sentindo e agindo como se fosse a própria Chapeuzinho, saltitando pelas ladeiras com uma cestinha cheia de balas ice kiss love de morango, com figurinhas de dizeres românticos encartadas.

A primeira providência divina foi me fazer perder de Eva, a amiga em cuja casa eu estava hospedada. Fiquei procurando em vão por ela, até cair a ficha de que as pessoas achavam que eu estava buscando... o lobo. Foi muito engraçado. Aí eu resolvi incorporar a personagem, de com força.

Os primeiros a não acreditarem na minha doidice foram os policiais de plantão. Passei em três delegacias móveis, procurando o lobo mau. Numa, disseram que não me preocupasse, que se ele aparecesse seria preso. Noutra, informaram que tinha sido levado pro Aníbal Bruno. O terceiro riu tanto que quase se engasga com a balinha que ofereci.

Saí feito uma maluca, pedindo informações a Deus e o mundo. Quase apanho de uma dona, no meio do Segurucu - só porque ao ouvir que o marido dela mora há mais de 20 anos em Olinda, resolvi candidamente perguntar se ele sabia onde era a casa da minha vovó. Arranjei vários candidatos a lobo: um bonitinho, declamou toda a música do disquinho de minha infância. Mas eu, magnânima, sem má intenção no meu coração, procurava por dentes, rabos e orelhas, e os rapazes não passavam no teste.

À noite corri pro Recife Antigo, em minha busca incessante pelo lobo mau. Emburaquei no banheiro masculino do Burburinho e espantei um francês que saía de lá. Expliquei por mímicas a minha intenção - saber se o lobo mau estava lá dentro - e um minuto depois, quando ele realizou o que eu estava perguntando, riu descontroladamente e me ensinou a cantar a musiquinha do país dele, falando em "Monsieur Le Loup".

O ápice da noite foi lá pelas 23h, na beira do cais, quando eu já tinha desistido completamente de encontrar quem eu buscava. Um lobo lindo, de olhos verdes, máscara amedrontadora, peito nu, veio uivando de longe, correndo em minha direção. Minha felicidade foi quase incontrolável. Pena que o lobo tinha uns doze anos e só se interessou em comer o resto dos bombons cor-de-rosa da minha cestinha.

terça-feira, novembro 07, 2006

Fantasias

... y que te acuerdes que eres un corderillo disfrazado de lobo (Mercedes Sosa)
Depois do post em que apareci com orelhas de gnomo, fiquei lembrando das fantasias que já vesti na vida. Nem foram muitas, minha mãe materialista e prática também não levava o carnaval a sério, e o resultado é que devo ter tido umas três roupinhas de festa na minha infância: índia, baiana e havaiana. E nem foto ela tirou, pra remédio!
Mas depois que cresci, e comecei a usar minhas próprias pernas e vontade pra rumar pra Olinda, eu mesma fui providenciando as fantasias. Um ano, aprendi a fazer máscaras de gesso e jornal, e moldei a cara da família inteira. Meu maior prazer sempre foi minhas próprias roupas, e em 2004 e 2005 juntei-me com Eva nessa missão. A casa dela virava nosso quartel-general, comandado pela mãe, Joanita, e suas mãos mágicas.
Em 2004 saí de borboleta amarela, envolvida de tule e lantejoulas. Ser borboleta sempre foi minha nem tão secreta vontade. O pai de Eva, João, tirou uma foto minha no meio de um canteiro de onze-horas que tem lá no quintal deles. E rumei feliz pra gandaia. Tá certo, não fiquei a mais delicada das criaturas, pela minha grandeza intríseca e falta de jeito explícito. Pra completar, misturei vodca e axé de fala, e deu problema. Entrei numa roda de pogo, num show de rock de uma banda de Peixinhos, lá na praça da Preguiça. Perdi uma das antenas no meio da dança, e seis meses depois fui apresentada ao vocalista da banda que fazia o show e ele lembrou imediatamente de mim (!). No fim de tudo, eu quis voar. E terminei o carnaval de pé torcido, botando gelo e rezando pra dor passar, na companhia de Evandro.
No ano seguinte, saí de Chapeuzinho Vermelho, fantasia postumamente registrada por meu irmão Gabriel num ensaio com o "lobo mau" Jink. Foi aí que definitivamente incorporei a tese que não basta inventar a fantasia (Eva adora coisas malucas, 'Origami Girl', 'Íris, a mensageira dos deuses', se inspira em carta de tarô e por aí vai). O bom mesmo é criar algo que os outros entendam e possam interagir.
Enchi minha cestinha de bombom, me perdi dos amigos e passei um dia antológico, sozinha, brincando em Olinda. Passei na frente de uma creche, e a criançada de olhos arregalados gritava por mim, explicando onde era a casa da vovó. Cantei a musiquinha da história aos pulos, saltando pelas ladeiras, de braços dados com um casal de gays alagoanos que viraram meus amigos de infância. Pedi informação em todos os pontos de apoio ao turista e delegacias móveis, e nenhum policial deixou de responder à pergunta "o lobo mau passou por aqui?" (as respostas foram antológicas). Falando em lobo, arrumei vários candidatos (e até briga com a mulher de um deles), mas atravessei o dia incólume porque sou, no fundo, uma menina boazinha - e tinha namorado. Enfim, ri muito e exercitei ao máximo meu lado lúdico - tudo o que a gente mais precisa e merece, nessa vida.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Ausência


Ele tinha um riso largo, bonito. A barba cerrada, olhinhos pretos rasgados. Era alto e tocava violão. Foi o primeiro cara que vi cantar blues na vida. Eu tinha 16 anos e tinha acabado de entrar na faculdade e era uma completa menina pra muitas coisas. Fazia Engenharia, enquanto eu estudava Jornalismo. Largou o futuro promissor de tecnólogo, prestou outro vestibular e foi fazer Letras. Estudava alemão, filosofava. Escrevia poemas malucos e desenhava coisinhas engraçadas. Tinha uma conversa mágica e fluida sobre temas que eu nem imaginava. Era gordinho, tinha um abraço gostoso. E a gente se olhava muito e sempre, dois tímidos que nunca ousavam se aproximar. Também, a vida era complicada: um só estava livre quando o outro estava comprometido. Mas eu tinha certeza que a gente ia namorar um dia. Eu conseguia enxergar três filhinhos e um cachorro no olhar doce que me lançava. Por causa dele, aprendi a ser afoita. A não esperar indefinidamente pela chance que a vida trará. Sempre lembro dele com melancolia, com saudade do que poderia ter sido: Pedrão morreu num acidente de carro, há dez anos. Muito tempo depois, uma amiga comum confirmou que ele era apaixonado por mim.

terça-feira, outubro 31, 2006

Meméia, Alcéia, Cuca, Keka e Min não são páreos pra mim

Pros amigos que elogiaram a "beleza e sensualidade da foto anterior" (!), deixo um registro meu usando as orelhinhas de Furbie da promoção do McLanche Feliz, com meu abraço de Dia das Bruxas. Hihihihi!
PS- Alan comprou um kit de nuggets com suco de uva (blargh) só pra ganhar um bonequinho desses. O treco feioso canta "My Bonnie lies over the ocean" e é verde. E o Leprechaun vai me matar quando souber que eu dedurei ele aqui!