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domingo, dezembro 17, 2006

"Como a água da chuva caindo no sertão"

Acho que poucas vezes fiquei tão emocionalmente esgotada quanto durante a semana que passou: participei de onze bancas de conclusão de curso - seis como orientadora, cinco como membro julgador. Cheguei em casa, caí dura na cama, e dormi horas este fim de semana...
O resumo que posso fazer do processo é que nenhuma
experiência de orientação é igual à outra.
A aluna que eu pensei em não orientar mais, porque vivia atrasada e começou o processo tarde, engrenou na produção e tirou um merecido dez.
A equipe que chegou a pensar em trocar de orientador, por não sentir firmeza nos meus conhecimentos técnicos em rádio, também tirou dez e me agradeceu de público a paciência e o envolvimento na construção do trabalho.
O grupo que eu achei que seria reprovado, pelos problemas pessoais dos membros envolvidos e atraso no início da orientação, tirou um sete e meio que me deu mais trabalho e alegria do que se fosse uma nota mais alta: filho feinho nascido a fórceps, e nem por isso menos festejado.
Um trabalho redondinho, que eu acreditava ter condições de ser bem sucedido, foi impugnado em plena banca por, entre outros problemas, reproduzir ipsis literis uma matéria publicada em jornal por um dos membros julgadores. Outro grupo de alunos, que por bobeira ou inexperiência deixei passar para a fase final (apesar das ausências nas sessões de orientação e falta de qualidade no resultado do produto), também foi reprovado e me fez sentir culpada.
A aluna com quem o processo mais fluiu veio me dizer, empregando a expressão que reproduzi como título, da alegria que foi partilhar esses encontros. Tirou nove, merecia doze. Mas isso de nota é sempre relativo e certamente não o mais importante. A esperança que tenho é de que as trocas tenham valido para todos, e que eles levem consigo tanto quanto me deram.