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sexta-feira, dezembro 01, 2006

Preferências e Desistências Literárias


Sean me pediu pra falar dos livros/autores que desisti de ler... Então, lá vai.
O primeiro, e é uma pena, é Guimarães Rosa. Não consigo ir além da terceira página de "Grandes Sertões: Veredas". Em compensação, adoro os continhos mais curtos e palatáveis. Como o bom mineiro escreveu num deles, "todo abismo é navegável a barquinhos de papel"...
Outros da mesma linha: Euclides da Cunha. James Joyce. Alguns romances de Umberto Eco - que, paradoxalmente, ao escrever sobre comunicação e ciência consegue ser preciso e precioso.
Leio de tudo e o tempo todo: de bula de remédio a revista Sabrina. Clarice Lispector, Carlos Drummond, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, José Saramago, Machado de Assis, Mia Couto e Carlos Pena Filho para mim são geniais.
A relação com a palavra escrita entranhou-se em mim bem antes de eu me alfabetizar sozinha, aos cinco anos. Vem talvez da forma como meu nome foi escolhido: mamãe tirou o nome da personagem de um romancezinho chato de Jorge Amado, chamado "Subterrâneos da Liberdade", na moda entre a galera de esquerda nos anos 70 por mostrar o cotidiano da clandestinidade. Nesse sentido, meu irmão Gabriel deu mais sorte: ela leu "Cem Anos de Solidão" bem na época em que ele nasceu!

sábado, novembro 25, 2006

Um Mico Publicável

Fui intimidada por Leo a escrever um post sobre um mico publicável. Ah, tenho tantos. Já postei alguns aqui, como a história da cigarra. Pensei e repensei e agora me veio à memória dois miquinhos simpáticos, "de salão". Tá, são esses que vou contar... E repasso a missão pra Di, Debi, Gio, Raimundo e Tita, pra brincadeira seguir adiante...
Eu tinha uns quinze anos, era super tímida, e comprei ou ganhei uns óculos de fantasia, pavorosos, que resolvi mostrar à minha mãe. Ela, notoriamente gaiata, enfiou-os prontamente na cara e foi assim de Candeias ao centro do Recife (algo em torno de uns 20km), encarando as pessoas. Primeiro eu fiquei desesperada. Depois, comecei a achar engraçado. Por fim, tava doida pra aderir à idéia. E foi o que fiz, para mal dos meus pecados.

Foi só botar os óculos que, no mesmo segundo, Rogério, o professor de hidroginástica de mamãe (um gato, afemaria!) emparelhou o carro conosco. Eu fiquei roxa, azul, cor de rosa. Acabei estoicamente sem tirar o maldito apetrecho na cara, na esperança de não ser reconhecida ou passar despercebida.

Não tive tanta sorte.

Depois eu soube que ele andou perguntando se "a filha de Cininha tinha problemas". Até hoje, não sei se se referia à minha parte física ou mental...
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Uns dois anos depois, outro mico memorável: estava eu, alegre e flanando, numa calourada da UFPE. Eu era enxerida, andava pelo campus todo, tinha vários amigos a quem estava ansiosa pra encontrar. Aí, de longe, bati o olho em um: era Nando, que tinha feito educação física junto comigo e estudava engenharia (bicho doido e querido que tinha um fusquinha e me dava carona sempre, o carro lotado de homens e só eu de menina, todo mundo fazendo presepada e ele dirigindo com uma cueca enfiada na cabeça).
"Nando!", pensei feliz. E corri pra junto dele. Cheguei por trás já abraçando, encaminhando um beijo... e não era Nando.
O rapazinho quase-beijado pegou e falou: "Continue!"
Fiquei azul, gaguejei, pedi desculpa e me escafedi do local.
Cinco minutos depois, dei de cara com o próprio Nando. "Feladaputa, passei a maior vergonha por sua causa!", e contei o ocorrido.
Ele olhou o cara e ficou arretado: "Oxe, aquele é Rochinha, um cába feio da peste, como é que você me confunde com ele?"
Foi lá, chamou Rochinha, me apresentou oficialmente, rimos muito os três com a história, e no final eu ganhei mais um amigo.


quinta-feira, novembro 16, 2006

Ano novo chegando

Mandei a imagem acima pra Denise, do blog Síndrome de Estocolmo, pra participar de um mutirão de cartões de boas-festas. É um versinho de Renato Teixeira, de uma música chamada "Antônia". Desde já, feliz ano novo pra vocês!

terça-feira, novembro 14, 2006

Quase sete mil!

Sem divulgação nem nada do gênero, estou prestes a completar sete mil visitas ao sítio, desde abril - que foi quando instalei o contador aqui. Como ele determina o local de acesso e o endereço ip da pessoa, resolvi premiar o felizardo que alcançar este número cabalístico. Ainda estou pensando no presente. Beijo pra vocês!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Cinco manias

*Este post atende ao pedido de Sean. Aproveito e intimido, digo, intimo cinco comparsas: Di, Debi, Lipe, Tita e Mandrey.
*** Falo olhando nos olhos. Faço sem querer, mas incomodo muita gente. Odeio quem fala sem me encarar. E sou tão infantilmente curiosa, que persigo as pessoas que acho interessantes, sem notar que pareço estar paquerando com elas, entre outras coisas.
*** Toco nas pessoas com quem converso. O toque varia, do alisado tão suave que levou um coleguinha de escola a me apelidar de 'alma', ao agarrado sem cerimônia que tenho com alguns amigos, que se aproveitam do fato pra me pedir cafuné e massagem no pescoço. Também adoro que peguem em mim. Ainda hoje, um ritual que tenho com minha avó é colocar o pé no colo dela, para que ela me cutuque.
*Adoro aprender atividades manuais, mas sou a mulher sem jeito que o pessoal do TV Pirata satirizou no quadro da revista "Faça Feio" (paródia da "Criativa" e "Faça Fácil"). Na verdade o que me encanta é dominar uma técnica nova, e mal o consigo, me desinteresso. Já aprendi ponto de cruz, encadernação, biscuit e uma infinidade de outras coisas. Quero muito saber costurar. Em casa tenho tinta, contas, papel, vários livros e revistas sobre assuntos variados. Só que nunca acho tempo de fazer o que pretendo.
*** Sou tarada por velhinhos, apesar de ter convivido intensamente com meus quatro avós - ou talvez por isso mesmo. Sou capaz de sentar horas junto de um avô alheio e arrancar dele histórias que ninguém da família imaginaria. Gosto da suavidade que alguns têm, acho engraçada a ranzinzice de outros. Sinto que têm um tempo diferente do nosso e entrar em contato com essa sintonia diferente me acalma e faz bem. Por causa disso mesmo, adoro crianças e elas costumam interagir comigo de imediato. Principalmente bebês.
*** Acho que no fundo sou meio índia. Odeio usar sapato, fico descalça sempre que posso. Amo tomar banho de chuva, enfiar os pés na areia da praia, olhar as estrelas do céu, sentir o vento soprar, nadar por horas a fio. E em casa, onde graças a Deus não tem nenhum vizinho que possa me espiar, danço sozinha e esqueço o relógio, a roupa e o mundo que vai além da minha porta.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Sonhos, realidade

Pra Felipe, que me convidou a escrever sobre um 'sonho possível'. Não é talvez o sonho mais importante e criativo que você vai ler na sua lista, querido; mas é o que mais quero pra mim.
PS- Repasso a missão pra Fabiana, pra Raimundo e pra Marcus Andrey.


Tenho vários sonhos podem até me dar trabalho, mas que tenho fé que serão realizados: terminar meu doutorado, estabilizar minha vida, ser e estar mais saudável, conseguir ficar perto de quem eu gosto. Pra culminar a lista de sonhos - para delírio de tia Miriam, de Sean e de Di - eu quero ter um filho, que vai se chamar Antônio ou Antônia, com possibilidade de variação e acréscimo.
Não, o nome não é por causa do santo. Ou não por causa daquele santo. É por causa de alguém que foi muito importante e amado.
E se for menina, já tem apelido pronto desde os meus cinco anos: tenho um desenho que minha mãe guardou, que traz a legenda premonitória - "a mãe Nana e a filha Nina".

segunda-feira, setembro 04, 2006

Doze coisas pra se fazer no supermercado

Tou aqui morrendo de rir com a corrente enviada pra mim por meu amigo Raimundo. Deveria estar com preguiça de participar, mas meu lado mala-sem-alça não resistiu... Hehehe.
Primeiro, divirtam-se com a lista dele:

1. Pegar caixas de preservativos e pôr em vários carrinhos aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída.

2. Programar os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos.

3. Fazer um rastro com molho de tomate até o banheiro.

4. Abordar um funcionário e dizer Código vermelho na sessão de vinhos... e ver o que ele faz!

5. Ir ao apoio a clientes e perguntar se podem reservar um pacote de M&Ms.

6. Montar uma tenda na seção de camping, dizer aos outros clientes que vai passar a noite por lá. Convencer as pessoas atraentes a trazerem almofadas da seção têxtil e juntarem-se a você.

7. Quando um funcionário te perguntar se você precisa de ajuda, começar a chorar gritando: Por que é que vocês não me deixam em paz?!?!!?!?

8. Encontrar uma câmara de vigilância e usá-la como espelho enquanto tira catotas do nariz.

9. Procurar uma faca de trinchar bem afiada. Levá-la consigo durante todo o percurso das compras e ir perguntando aos funcionários se ali vendem anti-depressivos.

10. Deslizar pela loja com um ar suspeito, cantando o tema do filme Missão Impossível.

11. Quando alguém anunciar seja o que for no alto-falante, deitar-se no chão, em posição fetal, e gritar:
NÃÃÃO! As vozes! Outra vez as vozes!

12. Ir ao provador de roupa. Fechar a porta, aguardar um minuto e depois gritar:
Onde é que está o papel higiênico? Huh!


Agora, a minha:

1. Ir até a seção de colchões e testar um deles, dormindo por meia hora. De preferência vestindo uma camisola do setor têxtil. Ou não.

2. Ir até a seção de colchões e testar um deles, juntamente com uma companhia. Fazer comentários em voz bem alta sobre a espessura e densidade do mesmo e do resultado que isso trará ao desempenho do canguru-perneta. Exemplificar ativamente.

3. Trocar os tubos de pasta de dente Closeup por
KY gel. E vice-versa.

4. (Para os homens) Colocar uma berinjela dentro da calça e passear pelo recinto, assobiando ‘Killing me softly’. Tirar a berinjela e entregar à moça do caixa, gritando TCHARAM.

5. Soltar um pum na fila do caixa, gritando MÃOS AO ALTO.

6. Levar um abacaxi, um coco e uma garrafa de pitu à seção de presentes, e pedir pra fazer uma embalagem bem bonita.

7. Ir ao setor de devoluções com o prestobarba que comprou. Explicar que a primeira faz tcham e a segunda faz tchum, mas veio faltando o tcham-tcham-tcham
-tcham.

8. Ir à seção de apoio ao cliente e perguntar qual a melhor tintura para tingir os pelinhos de dentro do nariz.

9. Com uma corda de camping e uma bacia grande, improvisar uma roupa de tartaruga e sair rastejando pelos corredores.

10. Fazer uma pesquisa na fila da terceira idade sobre qual a melhor música pra se fazer um strip-tease surpresa.

11. Ir à seção dos eletrodomésticos e perguntar se têm o telefone do cachorrinho.

12. Testar todos os palitos de uma caixa de fósforo.
Repasso esta missão impossível pra Dione, Sean, Leticia, Queops e , além de meu irmão Gabriel e meus amigos Alan e Melguinha (que não têm blog).

terça-feira, agosto 29, 2006

Oito coisas sobre mim

Tenho pé grande e orelha pequena
Falei aos seis meses e só andei de bicicleta aos 15 anos
Lavo pratos ouvindo 'Fracasso', de Núbia Lafaiete
Tenho medo de altura
Adoro cafuné e cheiro no cangote
Quando era menina, queria ser loura do olho azul, me chamar Suzana e morar no Alabama
Minha tpm dura mais de 20 dias
Meu perfume favorito: lavanda johnson's

(Isso foi pra responder à corrente encaminhada por Sean. Repasso pra Dione, Fernanda, Raimundo, Leticia, Queops e Daniel).

segunda-feira, agosto 07, 2006

Da dificuldade de ser visto


O tema 'blog' tá na pauta do dia, foi capa até da revista Época desta semana. E eu, nas minhas aulas de mídia digital, tenho como primeira proposta ensinar os alunos a fazerem um. Esta semana, um deles se saiu com essa: "professora, eu tenho três!"
"Que bom, então, passe o endereço pra gente", respondi.
Aí, ele explicou:
"Eu fiz o primeiro, escrevia o que vinha na minha cabeça, só pra mim. Botei um contador e ninguém visitava. Apaguei tudo e comecei a fazer um que só tivesse assuntos que as pessoas quisessem ler. Não adiantou. Aí fiz um terceiro só com notas jornalísticas, que também não dava ibope. Quando eu fui ver, seis meses depois, ainda estava a notícia da invasão do Iraque", contou, meio desesperado.
Tadinho do menino, querendo mostrar a cara pro mundo...
Já eu, que sempre escrevi tendo em mente umas cinco ou seis pessoas e no más, cada vez que recebo o relatório de visitas do sítio fico meio em pânico. Só esta semana foram 496, totalizando, desde abril, 2567 visitas de gente de lugares insuspeitados como Valdez, no Alasca, e Pedra Azul, em Minas Gerais.
Que diabos minha vida tem de tão interessante, eu juro que não sei!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Nirvana

(Posto esta foto que tirei de Ravi, filho de meus amigos Fá e Olímpio, quando ele era recém-nascido - 2001). É minha homenagem à Semana Mundial de Amamentação e ao movimento de Blogagem Coletiva que está sendo feito sobre o tema)
Derramado, pingado, apojado, cheio, entregue, repleto, macio, inteiro, pleno. Peito de mãe é amor que sacia e serena.

quinta-feira, junho 22, 2006

Fotolog

Abaixo, imagens da festa de sábado, tiradas pelo fotógrafo Glauco Spíndola. São cinco, "pinçadas" entre 140 que estão expostas no sítio de Maciel Salu, mostrando como foi o Festejo do Samba, em Tracunhaém. Posto aqui com um beijo pra Sean, que andou visitando meu sítio e precisa vir aqui um dia conhecer estas riquezas.
Teve caboclinho...
Teve maracatu...
Teve samba de coco...
E teve ciranda.

quarta-feira, maio 24, 2006

Declaração de amor


"Amo meu filhinho até quando boto o shampoo no cabelo e percebo uma diferença no cheiro e na consistência, e descubro que ele adicionou pasta de dente e xarope pra tosse pra melhorar a fórmula" -- Fá Jones