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segunda-feira, dezembro 11, 2006

Mais um domingo feliz

Eta, que este sítio cada vez me rende mais momentos de alegria. Depois de encontrar Cida, ontem foi a vez de eu conhecer ao vivo Fabiana, recém-chegada da Inglaterra. A sensação de sabê-la real foi muito, muito boa. E a tiracolo ela trouxe Tiger, o filhotinho que não fala português e vai vestido de homem-aranha para qualquer evento social, da sorveteria ao casamento da rainha. Ao verem essa coisa linda de quatro anos correndo fantasiada pelo Bairro do Recife, a reação das pessoas todas era sorrir.

Pra completar a farra, junto comigo foram Gil e Alice, filhotes de quatro e cinco anos de Guida, minha amiga de todas as horas. Diante do muito que podiam ter aprontado, a criançada se comportou e eu me diverti pra caramba. E ri mais ainda ao descobrir que Fabiana estudou com Isaar, que foi minha cunhada e dividiu casa com Guida por mais de ano.

É, Recife é um ovo. De codorna.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Registro da farra


Dona Cida, que conheci aqui neste blog e virou amiga 'real', esteve comigo domingo passado, no show de Isaar. E mandou hoje as fotos que provam a tarde feliz que tivemos, e que quero compartilhar com vocês...
Eu e Guga, só alegria...
As risadas de Guida (à esquerda) e Cida (à direita), ladeando meu risinho sem graça (não sei porque).

sábado, setembro 23, 2006

Mais um 23 de setembro


Tou precisando tanto de colo, tou precisando tanto de luz, tou precisando tanto dela. Procuro mamãe e só encontro os pedacinhos espalhados no mundo e dentro de mim. Já tem quatro anos que ela se foi, e a ausência dói do mesmo jeito, acho que não vai parar de doer nunca...
Os últimos dias estão sendo especialmente pesados, parece que eu entro numa espécie de inferno astral toda vez que o aniversário de minha mãe se aproxima. Quero tomar fôlego e não consigo, é muita coisa pra eu dar conta sozinha.
Ontem fui pra casa de Guida chorar e no meio da conversa sentimos um cheiro muito forte de lavanda. Tá, pode ser que alguma vizinha tenha aberto um vidro de perfume, de madrugada. Mas me confortou a idéia de que era ela, pertinho de mim.

domingo, setembro 17, 2006

Ascendente em Gêmeos e Lua em Aquário...

Vendi meu carrinho uno-bala-prateado no começo de 2005, e comi o bichinho inteirinho durante os primeiros seis meses de Rio. Depois nunca mais tive dinheiro pra comprar outro automóvel e retomei minha vida de lisa, usuária de ônibus. Mas juro, às vezes até gosto de andar de coletivo. Coleciono histórias de presepadas...
Tem uma coisa que baixa em mim, que me dá vontade de me comunicar quando eu entro nos buzões, saber da vida alheia, estabelecer contato. Sério. Na época de faculdade, tinha meus amigos cobradores e motoristas, alguns até que não queriam me deixar pagar passagem e por causa disso, me faziam passar a maior vergonha. Outra mania que tenho é cantar no ônibus, e essa, quando eu namorava com um tocador amador de flauta doce, me fazia figurinha conhecida: bastava a gente sentar pra começar a desfiar o repertório. Não sei como nunca tivemos a idéia de pedir uns trocados aos passageiros.
Pior é que faço isso até hoje, sem pensar no que estou fazendo. Semana passada, voltando de Olinda de madrugada, peguei um ônibus lotado de adolescentes do sexo masculino, voltando de um show do Nação Zumbi. Estava sozinha, mas prontamente me juntei a eles, para gáudio da cobradora, e vim batucando e cantando até em casa – na parada, foi uma gritaria: eles queriam que eu os acompanhasse até o terminal no Sítio dos Pintos, onde a farra certamente ia continuar.
Ontem, voltando também de Olinda (ah, a cidade me inspira), junto com minha amiga Guida, lembrei de uma noite em que vinha com ela e mais dois amigos, cantando todos os jingles comerciais que podíamos recordar (tenho uma ótima memória auditiva, e amo as trilhas das Casas José Araújo, da Cremogema, da Varig, da Casa Lux Ótica e do Motel Jardim). Rimos um bocado. Aí lembramos do show de Flávio Venturini que rolou ontem, mas cuja entrada cara foi proibitiva para nós. Pronto, bastou. Começamos a desfiar o repertório do Clube da Esquina, até que uma figura meio estranha, uma mulher imponente e obesa, vestida a rigor com paetês no vestido e plumas no cabelo, virou para nós e começou a declamar as letras das músicas. Parecia aqueles programas de rádio, com tradução simultânea. Todo o ônibus virou para olhar e nós, impávidas, continuamos com o coro até que Cristina – esse era o nome dela – revelou-se uma cantora afinadíssima, com voz rouca de contralto, uma verdadeira Virgínia Rodrigues dos subúrbios recifenses. De arrepiar os cabelos, pessoal. Ela cantou umas quatro músicas, desceu e ficamos com pena de não ter pedido o telefone para marcar uma farra posterior.
Na baldeação para o outro ônibus, subiu um cara com roupa de capoeirista e berimbau na mão. Eu, que não tinha bebido uma gota de álcool mas já tava animadinha com a idéia de me socializar, virei pra ele e perguntei se ele não tocaria um pouco pra gente. “O show é oitenta reais”, falou o menino, e a gente chegou à conclusão de que ele tava a fim de grana pra ir assistir Flávio Venturini, ora bolas. Mas não desisti, olhei pra frente e comecei a cantar sozinha: “eu já vivo enjoado de viver aqui na Terra, oh mamãe eu vou pra lua, já avisei minha mulher, ela então me respondeu, nós vamos se Deus quiser, vam' morar numa casinha toda feita de sapé”... O cara deu um pulo, “onde você aprendeu isso?” Sem saber, cantei uma toada relativamente rara de capoeira, trazida para Pernambuco pelo grupo dele e gravada numa fita, há mais de dez anos, por minha amiga Bernadete – música que eu ouvi, aprendi e não esqueci, pois Mariana também é cultura, minha gente. Dete fazia parte da mesma escola do rapaz. Ele me interrogou mais de uma vez se nunca fiz capoeira (coitado, nem registrou minha excelente forma física), animou-se, montou o berimbau, puxou um corinho e viemos cantando feito três malucos. “Não esqueçam, meu nome é Nei, a gente vai se encontrar de novo”, prometeu, quando desceu no mercado de Casa Amarela.
É por essas e outras que, em boa parte das vezes em que eu subo num ônibus aqui das linhas que servem à minha casa, o motorista me dá boa noite e sorri.
**NOTA: o título do post se justifica pela minha capacidade esquizofrênica de ser múltipla. Acreditam que continuo de banzo? E que consigo ser triste quando estou alegre, e rir no meio da maior agonia?

Ciclotímica


Esta semana rompeu-se dentro de mim um diquezinho de tristeza que eu vinha represando desde o início do ano. Não vale a pena contar a causa, se é que houve uma única. Chorei três dias sem entender porquê, e sabendo exatamente a razão. Não, não estou na tpm. Nem grávida. Foi assim um chorinho póstumo de quem não se permitiu sofrer na hora certa, choro acumulado de saudade e de solidão, de chatice e vontade de ficar só no meu cantinho, de angústia e necessidade de colo.
Eu sou humana.
Depois meu coração parou de jorrar pelos olhos e eu saí pra comer churros no parque com minha amiga Guida. Céu azul, tarde limpa, vida clara. Andei por Olinda, com vontade de dançar. Cantei alto uma música de Pixinguinha. Puxei papo com dois desconhecidos no ônibus. Voltei pra casa, serena.
Eu sou humana.