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quinta-feira, novembro 02, 2006

Dia de Finados


Ontem eu vi, num ponto de ônibus, uma senhora idosa de vestido estampado e tranças no cabelo carregando uma coroa de flores azuis de papel crepom fosforescente, com a inscrição saudade sem fim. Achei tão brega, e tão singelo, e tão engraçado e tão triste ao mesmo tempo, que não entendi imediatamente o que ela fazia com aquilo na mão. Até que caiu a ficha: dois de novembro.
As flores melodramáticas da senhorinha do ponto de ônibus me lembraram dos meus mortos que vão ficar sem visita, já que minha mãe materialista e minha avó extremamente prática não incutiram em mim o hábito de ir carpir minhas dores sobre as catacumbas, anualmente. E são muitas as perdas: vovô Zezé, vovô Oswaldo, vovó Nageca, Antonio Carlos, Jarmé, e minha mãe que me faz tanta falta que às vezes me sinto sem chão, sem alicerce.
Eu podia ir ao cemitério verificar se o mala-sem-alça que arranca vinte contos mensais do meu tio está efetivamente tomando conta das lápides de toda essa galera querida. Mas prefiro cultuar a memória deles de outras formas: celebrando o que deles continua existindo em mim e no mundo. E tentando enxergar, como dizia Gabriel García Márquez, que é a vida, mais que a morte, a que não tem limites.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Sonhos, realidade

Pra Felipe, que me convidou a escrever sobre um 'sonho possível'. Não é talvez o sonho mais importante e criativo que você vai ler na sua lista, querido; mas é o que mais quero pra mim.
PS- Repasso a missão pra Fabiana, pra Raimundo e pra Marcus Andrey.


Tenho vários sonhos podem até me dar trabalho, mas que tenho fé que serão realizados: terminar meu doutorado, estabilizar minha vida, ser e estar mais saudável, conseguir ficar perto de quem eu gosto. Pra culminar a lista de sonhos - para delírio de tia Miriam, de Sean e de Di - eu quero ter um filho, que vai se chamar Antônio ou Antônia, com possibilidade de variação e acréscimo.
Não, o nome não é por causa do santo. Ou não por causa daquele santo. É por causa de alguém que foi muito importante e amado.
E se for menina, já tem apelido pronto desde os meus cinco anos: tenho um desenho que minha mãe guardou, que traz a legenda premonitória - "a mãe Nana e a filha Nina".