
Esta semana rompeu-se dentro de mim um diquezinho de tristeza que eu vinha represando desde o início do ano. Não vale a pena contar a causa, se é que houve uma única. Chorei três dias sem entender porquê, e sabendo exatamente a razão. Não, não estou na tpm. Nem grávida. Foi assim um chorinho póstumo de quem não se permitiu sofrer na hora certa, choro acumulado de saudade e de solidão, de chatice e vontade de ficar só no meu cantinho, de angústia e necessidade de colo.
Eu sou humana.
Depois meu coração parou de jorrar pelos olhos e eu saí pra comer churros no parque com minha amiga Guida. Céu azul, tarde limpa, vida clara. Andei por Olinda, com vontade de dançar. Cantei alto uma música de Pixinguinha. Puxei papo com dois desconhecidos no ônibus. Voltei pra casa, serena.
Eu sou humana.
17 comentários:
Sabe, acho tão legal a gente poder sentir e concluir isso. Ser humano dessa forma está em extinção... Sentir, mesmo que sem entender o motivo de tamanha intensidade, mas sentir. Ser humano da melhor categoria é você, Mari...Essa semana acho que foi asim prá mim também, pode?
Beijos, cante e dance.
Tita
Vamos juntas, Tita. Beijão pra você!
chorar de vez em quando faz bem. deixa os olhos inchados e pequenos, para ver apenas o que interessa.
...
é isso, Márcia. Bom ter você aqui, e de forma tão poética. Beijo.
Isso é minha cara, Mari. Só muito recentemente saquei que criei um monte de defesas pra não sentir as coisas na hora que está tudo acontecendo. Guardo a maior parte pra processar depois, sai só um pouquinho na hora. Aí acontece isso que você descreveu, de repente, misturado com um monte de outras coisas. E tome choro, até esvaziar a pressão.
To tentando resolver isso fazendo o contrário, me ligando e procurando identificar onde está o meu sentimento em tudo o que acontece. Por enquanto to só assustado em ver como estou travado no sentir, como me defendo automaticamente de tudo o que possa cheira a algo que me faça ser ferido e machucado. Muitos desses mecanismos nem precisariam mais existir, mas estão ali. Prazer em conhecê-los. Vamos conversar, negociar uma desativação gradual, suave, que não me desrespeite e que me devolva o contato de mim comigo mesmo e com o mundo, sem mais tanta dor e sofrimento.
É isso que se passa comigo, Mari. Se puder te dar pistas para ir faxinando a casa-eu, fico feliz. Se não, valeu poder falar disso através do que tu trouxeste à tona e generosamente puseste aqui.
Beijão
Sim sim e como tu é humana.. que bom ler isso... alma limpa..acontece, dói, e como mas acontece que bom tu ser humanamente Mari Fada Fulô Maricota minha amiga do peito
Ai, Felipe, que você descreveu exatamente o que se passa comigo. Sentido de auto-defesa, procrastinação de sentir, explosão posterior... Me diz sim se dá pra ser diferente. Eu ando tão à flor da pele, meu Deus. Aí quando junta uma porção de coisinhas pequenas, a dor é tão grande...
Ticia, tou melhor, não se preocupe... Só meio de luto por mim mesma, de resguardo, querendo ficar quietinha e me sentir melhor.
Cheiro pra vocês, meus amigos.
Tá vendo porque Mariana é poeta de primeira categoria? Presente, professora!
Cheiro pra tu, do Pajeú.
'Xa de história, compadre. Não me encabula, não. Fico feliz de te ver por aqui, não gosto quando você some! Beijo enorme.
Pois então se cuide visse Dona Mari.. bom e belo descanso quietinha, resguardo.. sono em nuvem de algodão abraço bem forte mesmo que virtual e bjbj
NEGA... saudade de tu... muitax coisax... muito trabalho. Acabei o Mestrado finalmente. Como é que tá aí?
Mil beijos
Cheiro, Ticia! Obrigada pelo carinho.
Kitty querida do meu coração, que surpresa boa! Ah... são tantas emoções, mulher, só matando uma galinha gorda virtual, te mandando um mega email ou fofocando via msn/skype. Porra, tu me abandonasse mesmo! Fico feliz de saber que a galera toda tá dando conta do recado, tu, Aline, Dani, Tati... MASSA! Um beijo bem grande pra ti.
Quando eu "virar ser humano" vou chorar igualzinho a vc!
Linkei este post no meu blog, porque teu dique rompido deste jeito, mexeu com minhas dores! E vou reler, muitas vezes!
Ah, Mari, vou falar o maior lugar comum, mas isso não invalida o conteúdo dele: acho que ser humano hoje em dia exige uma paciência enorme conosco e com o mundo. Acho que dá pra ser diferente, sim, mas na medida em que cada um toma posse de si, uma posse que perdemos quando tentamos nos pautar pelo que ouvimos do mundo. Acho que vale a pena ouvir, sim, a questão não é essa, mas desde que não nos percamos do que estamos falando lá no fundo da nossa alma, coisas que nos habituamos a não ouvir, a não dar valor, a nem reconhecer como nossas. Acho que essas coisas não são nada do outro mundo, mas são importantes porque são NOSSAS. Acho até que o que essa voz humana fala gira sobretudo em torno de que a gente se dê mais carinho. O desafio é: como a gente faz isso? A gente não sabe. Tem que aprender a fazer isso com a gente mesmo. E , putz, como isso é necessário, a gente conseguir reaprender a conhecer nossos próprios tempos e limitações, lidar com nossas possibilidades, perder o medo de se sentir inteiro mesmo quando essa inteireza não tem nada a ver com o que estão dizendo por aí que é assim que tem que ser. Sei lá o que nos resta, senão fazer conosco aquilo que achamos que faltou no passado, tomar uma atitude de ser pai/mãe da criança que sempre seremos, para poder sermos adultos como se morasse uma família feliz dentro da gente. Porque, no fundo, se a gente for olhar direitinho, nada impede que essa mudança aconteça, senão a gente mesmo. Por isso acho que é preciso ter calma e ser paciente.
Torço por ti. Sei o que é se sentir vulnerável, mas também sei - e todo mundo sabe - que isso ruim vai passar, se já não passou.
:)
Beijo grande
Afemaria, depois de tudo isso, vou dizer mais o que? Obrigada, menino lindo. Cheiro enorme pra vc e pra Ana!
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