quarta-feira, setembro 06, 2006

Falando em supermercado...

Minha prima Dione quase me mata de rir e de ternura, ao relembrar o dia em que, aos oito anos, foi ao supermercado com o nosso avô Oswaldo e, ao se ver sozinha, preocupadíssima, anunciou pelo alto-falante que quem encontrasse um velhinho de cabeça branca, perdido, levasse ele até a administração.
Eu também tenho as minhas historinhas dentro desse ambiente, mas as presepadas do gênero me lembram imediatamente dela, minha mãe, que adorava esse tipo de programa e tinha um jeito peculiar de estar no mundo.
Uma vez mamãe botou o coitado do meu irmão adolescente para adiantar as compras no caixa, enquanto buscava outros produtos. No carrinho tinha um monte de pacotes de absorvente, e ele começou a ficar agoniado, vem logo, vem logo, sem querer colocar os ditos-cujos na esteira. Oxe, meu filho, que besteira é essa?, o modess não é seu mesmo?, disse mamãe bem alto, matando definitivamente o pobre de vergonha.
Outra vez, no estacionamento, um cara enfiou-se mais rápido na vaga em que a amiga dela estava tentando fazer baliza. E ainda saiu fazendo gozação do fato. Muito calmas, elas pensaram em furar o pneu ou riscar a tinta do automóvel, mas tiveram uma idéia melhor: fizeram meu irmão menor e o amiguinho, que estavam bastante gripados, assoarem o nariz pelo carro inteiro. Vidro, porta e, especialmente, maçaneta, foram cobertos por uma camada espessa de gosma verde. E elas rumaram pra outro supermercado, às gargalhadas, certas de que nunca mais o cabra ia se meter a besta com nenhuma mãe de família.
Uma das últimas peripécias foi durante a inauguração de uma megaloja em Boa Viagem. Ela adorava liquidações. Estava separando umas bermudas baratinhas pra um dos filhos, quando uma mulher mal-educada tirou algumas peças já selecionadas do carrinho (!) e, diante da reclamação evidente, grunhiu um problema seu ou guerra é guerra. Mamãe ficou quietinha, deu uma volta no corredor seguinte, e voltou sorridente: você nem precisava ser tão mal-educada, lá na frente eles botaram uma gôndola com bermudas muito mais bonitas do que essas que você me roubou. A dona, estupidamente, largou as antigas e correu pra conferir. Claro que era mentira, claro que mamãe enfiou as bermudas de volta no carrinho, e claro que se divertiu muito dando bananas explícitas pra vilã enraivecida, da fila do caixa, devidamente cercada por vários filhos preocupados com sua integridade física.

2 comentários:

Telejornalismo Fabico disse...

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huáhuáhuáhuáhuáuáhuá

tua mãe tem espírito de pig, coisa mais querida!
difícil encontrar mulheres assim.
a do cremucho de abacate no carro é hilária.
ainda bem que ouvindo esses relatos eu me sinto menos estranho.


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Mariana Mesquita disse...

Minha mãe era uma personagem, isso aí que você leu não é nem um milésimo do tanto que ela era capaz de aprontar. Por isso tenho tanta saudade. Puxei a ela, pero no tanto.

Toda vez que lembro a história do cremutcho, lembro de uma cena de "Tomates Verdes Fritos", em que duas boyzinhas tomam a vaga de Kate Winslet no supermercado, dizendo 'somos mais jovens, somos mais rápidas' e ela arrebenta o carro das donas, berrando 'sou mais velha, tenho dinheiro pra pagar o conserto'.

Mas mamãe fez isso antes do filme.

Beijo!