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terça-feira, novembro 28, 2006


Sensação horrível de que minha vida estagnou e eu só faço esperar. E é um esperar sem esperança. Não como se eu preparasse coisas, mas estivesse impedida de fazê-lo. Tenho tanto: minha casa, meu trabalho, meu amor. E ainda assim, não tenho nada, e me sinto tão vazia e tão sozinha que às vezes dá vontade de sumir. De dormir uma semana, um mês, o resto do ano. De comprar uma bicicleta e sair por aí, sem rumo. Tudo tão longe, se esvaindo entre os dedos. E eu, paralisada, sem tpm e com todos os motivos pra me sentir assim.

segunda-feira, setembro 25, 2006

sábado, setembro 23, 2006

Mais um 23 de setembro


Tou precisando tanto de colo, tou precisando tanto de luz, tou precisando tanto dela. Procuro mamãe e só encontro os pedacinhos espalhados no mundo e dentro de mim. Já tem quatro anos que ela se foi, e a ausência dói do mesmo jeito, acho que não vai parar de doer nunca...
Os últimos dias estão sendo especialmente pesados, parece que eu entro numa espécie de inferno astral toda vez que o aniversário de minha mãe se aproxima. Quero tomar fôlego e não consigo, é muita coisa pra eu dar conta sozinha.
Ontem fui pra casa de Guida chorar e no meio da conversa sentimos um cheiro muito forte de lavanda. Tá, pode ser que alguma vizinha tenha aberto um vidro de perfume, de madrugada. Mas me confortou a idéia de que era ela, pertinho de mim.

domingo, setembro 17, 2006

Ciclotímica


Esta semana rompeu-se dentro de mim um diquezinho de tristeza que eu vinha represando desde o início do ano. Não vale a pena contar a causa, se é que houve uma única. Chorei três dias sem entender porquê, e sabendo exatamente a razão. Não, não estou na tpm. Nem grávida. Foi assim um chorinho póstumo de quem não se permitiu sofrer na hora certa, choro acumulado de saudade e de solidão, de chatice e vontade de ficar só no meu cantinho, de angústia e necessidade de colo.
Eu sou humana.
Depois meu coração parou de jorrar pelos olhos e eu saí pra comer churros no parque com minha amiga Guida. Céu azul, tarde limpa, vida clara. Andei por Olinda, com vontade de dançar. Cantei alto uma música de Pixinguinha. Puxei papo com dois desconhecidos no ônibus. Voltei pra casa, serena.
Eu sou humana.

sábado, setembro 16, 2006

Vento no litoral


Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?

domingo, setembro 10, 2006

Lágrimas de chuva


São 03h20 da manhã e há poucos minutos consegui entrar em casa. Perdi a chave durante o show de Isaar, onde aliás reinou um clima pesadíssimo, deu ladrão e deu polícia no Pátio de São Pedro.
Cheguei no prédio correndo, morta de vontade de fazer xixi... e quando cheguei na porta, quedê minha chave? Deus nessa hora foi bom porque, pelo menos, a vontade do xixi passou. Ainda bem. Porque foram mais de duas horas de perrengue.
Tentei telefonar pra meu irmão Gabriel, pra ver se ele trazia uma cópia da chave pra mim. Meu celular tava descarregado. O do porteiro, sem crédito. Liguei a cobrar, Gabriel atendeu duas vezes sem me deixar completar, e por fim meteu na caixa postal. Desesperada, sem carro, sem ter onde comprar sequer um cartão telefônico nas redondezas, tentei em vão ligar pra Debinha, pra Dadá, pra várias pessoas: ou não atendiam de cara, ou desligavam quando viam que era ligação a cobrar.
Aí lembrei que tem um chaveiro na entrada da favela Ilha das Cobras, aqui perto de casa. Fui lá, a pé, sozinha, na chuva, andando de madrugada por um beco perigoso onde durante o dia já costuma haver vários assaltos. Deixei a bolsa com o porteiro e fui, pois não tinha outro jeito, ninguém iria resolver nada por mim. Lá chegando, as pessoas não queriam me dizer onde era a casa do cara. Acabei arrumando o celular do homem e ligando a cobrar pra ele (!), que atendeu, foi em casa, abriu a porta, trocou o miolo da fechadura, e me levou R$ 50 para os quais eu tinha melhores planos.
A sensação pior foi sentir que não tinha a quem recorrer, que eu tinha que fazer mesmo tudo sozinha, mesmo cansada, com medo, com vontade de chorar, mesmo chorando silenciosa no meio da chuva forte. Forte é o adjetivo que colam em mim, quando não sou, ou só sou porque não tem outro jeito. E já que não tem, mesmo cuidando mal de mim mesma, vou me virando como posso.

quarta-feira, maio 24, 2006

Nietzsche


"Odeio quem me rouba a solidão
sem verdadeiramente me oferecer companhia"