
São 03h20 da manhã e há poucos minutos consegui entrar em casa. Perdi a chave durante o show de Isaar, onde aliás reinou um clima pesadíssimo, deu ladrão e deu polícia no Pátio de São Pedro.
Cheguei no prédio correndo, morta de vontade de fazer xixi... e quando cheguei na porta, quedê minha chave? Deus nessa hora foi bom porque, pelo menos, a vontade do xixi passou. Ainda bem. Porque foram mais de duas horas de perrengue.
Tentei telefonar pra meu irmão Gabriel, pra ver se ele trazia uma cópia da chave pra mim. Meu celular tava descarregado. O do porteiro, sem crédito. Liguei a cobrar, Gabriel atendeu duas vezes sem me deixar completar, e por fim meteu na caixa postal. Desesperada, sem carro, sem ter onde comprar sequer um cartão telefônico nas redondezas, tentei em vão ligar pra Debinha, pra Dadá, pra várias pessoas: ou não atendiam de cara, ou desligavam quando viam que era ligação a cobrar.
Aí lembrei que tem um chaveiro na entrada da favela Ilha das Cobras, aqui perto de casa. Fui lá, a pé, sozinha, na chuva, andando de madrugada por um beco perigoso onde durante o dia já costuma haver vários assaltos. Deixei a bolsa com o porteiro e fui, pois não tinha outro jeito, ninguém iria resolver nada por mim. Lá chegando, as pessoas não queriam me dizer onde era a casa do cara. Acabei arrumando o celular do homem e ligando a cobrar pra ele (!), que atendeu, foi em casa, abriu a porta, trocou o miolo da fechadura, e me levou R$ 50 para os quais eu tinha melhores planos.
A sensação pior foi sentir que não tinha a quem recorrer, que eu tinha que fazer mesmo tudo sozinha, mesmo cansada, com medo, com vontade de chorar, mesmo chorando silenciosa no meio da chuva forte. Forte é o adjetivo que colam em mim, quando não sou, ou só sou porque não tem outro jeito. E já que não tem, mesmo cuidando mal de mim mesma, vou me virando como posso.