sexta-feira, setembro 16, 2005

Mais Clarice

"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia.
Sou um o quê? Um quase tudo".

Um sambinha muito lindo



"Além da Razão" (Luiz Carlos da Vila)

Por te amar
Eu pintei
Um azul do céu se admirar
Até o mar
Adocei
E das pedras leite eu fiz brotar
De um vulgar
Fiz um rei
E do nada um império pra te dar
E a cantar eu direi
O que eu acho então o que é amar
É uma ponte
Lá para o longe do horizonte
Jardim sem espinho
Pinho que vai bem
Em qualquer canção
Roupa de vestir
Em qualquer estação
É uma dança, paz de criança
Que só se alcança
Se houver carinho
É estar além
Da simples razão
Basta não mentir
Pro seu coração

Pronto!


Fui lá, paguei. Começo segunda! Espero, até dezembro, ser um ser humano mais feliz consigo mesmo.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Pré-filé

Amanhã me matriculo numa academia pertinho lá do trabalho. Engordei bastante desde março e ando me sentindo toda dolorida, de ficar o tempo todo em frente ao computador. Adeus, preguiça: quero ver se me torno um ser humano melhor. Será?

quarta-feira, setembro 14, 2005

Lóri


"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem- pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem, tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e ele se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso que também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura que é isto pela primeira vez"
Clarice Lispector, em "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres"

Ternura


Coisa engraçada é gente, não é, gente? Aqui embaixo do prédio tem um intituto de depilação, e às vezes eu vou lá, sofrer. Na recepção fica sempre um senhor, homem de seus sessenta e poucos anos. Da primeira vez foi aquele susto, é chato ser atendida por um homem, e ele pergunta de cara o que você vai fazer. Eu fico invariavelmente sem graça, mesmo que vá só ajeitar a sobrancelha. Depois comecei a achar engraçado vê-lo conversar com as clientes, explicar a diferença entre uma 'virilha básica' e uma 'virilha cavada', suplícios que só as mulheres conhecem. Até que no sábado fui lá de novo, e na hora de sair quase morro de rir ao vê-lo conversar com uma cliente, mocinha de seus 18 anos. "Maria Eduarda, você não pode ir à praia". "Posso sim, seu fulano, hoje eu só fiz a sobrancelha". "Menina, você tem que passar protetor solar nessa virilha, não pode expor ao sol depois de usar cera quente, você pode ficar toda manchada". "Não se preocupe, eu juro que vou tomar cuidado". Assim. Nessa candura, sem safadeza nenhuma. Vocês podem achar que sou boba, mas saí tão feliz de ter visto aquilo...

terça-feira, setembro 13, 2005

Recado de Debinha

Amo tanto essa menina, e fiquei tão feliz e tão sem graça de ler lá no Orkut o postzinho que transcrevo abaixo... Putz, eu nunca tenho a noção de quem vem aqui me visitar, fico meio feliz, meio temerosa - não faço idéia de quem é essa amiga dela. Mas, exageros à parte, é bom demais se sentir querida por gente com g maiúsculo, como é o caso de Débora.

''Oh, Mari... Deus, às vezes, dá cada mancada ! Por exemplo, criar só uma de vc foi uma delas. Vc fica no Rio e a gente aqui meio órfãos. Maldade pura...Estou feliz por vc. Seu blog é famoso aqui. Um dia estava almocando no TRF e uma amiga, que trabalha no CESAR, me isse tudo de bom a respeito. - Desisti de fazer de vc vereadora. - Agora serei sua empresária. Vc vai vender mais livros q o Paulo Coelho !!!! rsssss. Cheiro e abraço, Debinha"

segunda-feira, setembro 12, 2005

Amélie Poulain

Saudade desse gnomo viajão e sua dona. Onde andará Esparadrapo? ;.)

Ore Yèyè o!

Matei minha curiosidade: descobri que sou filha de Oxum, a deusa africana das águas doces, do ouro, da beleza e da riqueza. Pra quem não conhece a história dela, como deve ser o caso do meu amigo Jim, vou aqui falar um pouquinho...
Oxum é o nome de um rio em Oxogbo, região da Nigéria, considerado a morada mítica da Orixá. Apesar de ser comum a associação entre rios e Orixás femininos da mitologia africana, Oxum é destacada como a dona da água doce e, por extensão, de todos os rios. Portanto seu elemento é a água em discreto movimento nos rios, e principalmente as cachoeiras, onde costumam ser-lhe entregues as comidas rituais votivas e presentes de seus filhos-de-santo.

Oxum traz em si o conceito de fertilidade, e é a ela que se dirigem as mulheres que querem engravidar, sendo sua a responsabilidade de zelar tanto pelos fetos em gestação como pelas crianças recém-nascidas, até que estas aprendam a falar. É dela o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete, maliciosa, ao mesmo tempo em que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer.

Existem 16 tipos diferentes de Oxum, das quase adolescentes até as mais velhas, sendo portanto 16 o número sagrado da mãe da água doce. Diz a lenda que as mais velhas moram nos trechos mais profundos dos rios, enquanto as mais novas nos trechos mais superficiais. Entre essas 16, três são marcadas como guerreiras (Apara, a mais violenta, Iê Iê Kerê, que usa arco e flecha, e Ié Ié Iponda, que usa espada), mas a maior parte delas é mais pacífica, não gostando de lutas e guerras, desde Oxum Obotó, muito suave e feminina, até a versão mais velha, a não menos vaidosa Oxum Abalo.

O fluir nada fixo da água doce pelos diversos caminhos e a maleabilidade do elemento se manifestam no comportamento de Oxum. Sua busca de prazer implica em sexo e também na ausência de conflitos abertos – é dos poucos Orixás iorubas que absolutamente não gosta da guerra.

O arquétipo psicológico associado a Oxum se aproxima da imagem que se tem de um rio, das águas que são seu elemento; aparência da calma que pode esconder correntes, buracos no fundo, grutas - tudo que não é nem reto nem direto, mas pouco claro em termos de forma, cheio de meandros. Os filhos de Oxum preferem contornar habilmente um obstáculo a enfrentá-lo diretamente, por isso mesmo, são muito persistentes no que buscam, tendo objetivos fortemente delineados, chegando mesmo a ser incrivelmente teimosos e obstinados.

A imagem doce, que esconde uma determinação forte e uma ambição bastante marcante, corrobora a tendência que os filhos de Oxum têm para engordar; gostam da vida social, das festas e dos prazeres em geral.

O sexo é importante para os filhos de Oxum. Eles tendem a ter uma vida sexual intensa e significativa, mas diferente dos filhos de Iansã ou Ogum. Os filhos de Oxum são mais discretos, pois, assim com apreciam o destaque social, temem os escândalos ou qualquer coisa que possa denegrir a imagem de inofensivos, bondosos, que constroem cautelosamente.

Faz parte do tipo, uma certa preguiça coquete, uma ironia persistente porém discreta e, na aparência, apenas inconseqüente. Os filhos de Oxum são pensativos, elegantes, charmosos, atenciosos, trabalhadores, espertos e têm um quê doce no olhar. São vaidosos, afetivos e carismáticos. Como profissionais, as pessoas regidas por Oxum são sensatas e dedicadas. Amam com sinceridade e dedicação, e quando se fixam num objetivo, não medem sacrifício para conseguir atingir sua meta. Por outro lado, são chantagistas, dramáticos, choram para ter a piedade dos outros, são matreiros, debochados, possessivos, exigentes, ciumentos, autoritários. Gostam de palpitar sobre os problemas alheios, adoram criticar.

Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. É um dos orixás de maior força no Brasil e contradiz as tradições africanas, que exaltam mais os poderes dos orixás masculinos.
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PS- Meu segundo orixá é Xangô, deus do fogo e do trovão, sempre associado à sabedoria e justiça; destruidor, inteligente, impulsivo, violento. Representa o poder transformador do fogo e é o padroeiro dos intelectuais e artistas. Kawó kabiyèsílé!

Amor quase telegrama


"Pra começo de conversa eu tô simplesmente louco de saudades de vc.
E pra fim, tb.
Beijo, Queops"

sábado, setembro 10, 2005

Casamento


Amanhã é o casamento deles. Tou feliz porque estão felizes, Silvio é gente boa e Tati é uma das minhas amigas mais queridas, alguém que faz com que esta temporada no Rio, mesmo que não valesse pra muitas outras coisas, tenha um significado. Vejam só que convite mais lindo. Eu sou a madrinha e vou contente festejar, com espinha na cara e tudo.

Erupção

Aquele frio do carai lá do sul... me rachou os lábio e deixou uma espinha do tamanho de uma alcachofra no canto da boca! Doendo, latejando, como nunca nenhuma espinha fez, nem na época de adolescente! Horrível com 'o' maiúsculo, tou traumalizada! Comprei gel secativo e espremi a maldita. Agora, em vez de acne, parece que tenho herpes. Beleza, não? O mais legal é que amanhã sou madrinha do casamento de Tati e Silvio. Vou comparecer, com essa boca de babau.
Que ódio!

Saudade


Desta vez, foram cinco dias. Evinha foi embora anteontem, e eu tou morrendo de saudade dela. É minha visita mais constante, minha 'pariceira' mais interativa, minha companhia mais atirada nos desbravamentos do Rio. Chegou com saia de chita e bolsa de lantejoula feitos pelas mãos de fada de Joanita, minha mãe honorária. Foi embora com um anão embaixo do braço e muita história pra contar. Espero vê-la logo. Um beijo, querida.

A post to Jim

HORTA. s.f. Terreno onde se cultivam hortaliças, legumes, etc.
HORTALIÇA. s.f. Designação genérica das plantas cultivadas em hortas e reservadas para uso culinário.
(In: Enciclopédia e Dicionário Ilustrado Koogan-Houaiss)
Estas são as definições que meu amigo Salt Water Jim pediu que eu postasse. É engraçado, não existe um equivalente para elas em inglês... Como também não tem tradução para 'saudade'!
Mas, Jim: em inglês tem um verbo lindo, sem correspondente em português - to doodle. Algo que eu ADORO fazer, ahahaha. Peace and joy! A hug to you.



sexta-feira, setembro 09, 2005

Paquera



Supermercado lotado, oito da noite da quinta-feira, eu na fila do caixa. Sinto uma mãozinha puxando meu braço, olho e vejo um menino lourinho e sorridente, em pé dentro do carrinho de compras atrás do meu. É a cara de meu irmão Gabriel, quando criança. Cabelo bem clarinho e olhos castanhos. "Tu qué um?", oferece ele, com um pacote de biscoito na mão. Agradeço, e ele continua a puxar papo. Fuxica todas as minhas compras: gosta de leite de soja sabor laranja, e no carrinho dele tem bolo de laranja também, quer ver?, e exibe a laranja impressa no rótulo. Vai levar 'akut pra casa (yakult), adooora 'akut. Abre o desodorante pra eu cheirar. Conta da vida toda, da escola. Se chama 'axandivié (Alexandre Vilela), é enorme mas tem só quatro anos, e como Gabriel quando menino, troca letra quando fala. Está indo à fonoaudióloga, ela mandou fazer exercícios, soprar e fazer bolha, 'assim' (mostra pra mim). Fala rápido e errado e ninguém entende muito o que ele diz, por isso é bom que converse tanto comigo, sinto no olhar da mãe, satisfeita. O papo é tão alto e tão fluido e tão feliz, que o resto do pessoal da fila começa a rir. Na hora de ir embora me dá um beijo e convida pra fazer compras, semana que vem.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Do You Know What It Means to Lose New Orleans?

September 4, 2005
By ANNE RICE - La Jolla, Calif.

WHAT do people really know about New Orleans?


Do they take away with them an awareness that it has always been not only a great white metropolis but also a great black city, a city where African-Americans have come together again and again to form the strongest African-American culture in the land?

The first literary magazine ever published in Louisiana was the work of black men, French-speaking poets and writers who brought together their work in three issues of a little book called L'Album Littéraire. That was in the 1840's, and by that time the city had a prosperous class of free black artisans, sculptors, businessmen, property owners, skilled laborers in all fields. Thousands of slaves lived on their own in the city, too, making a living at various jobs, and sending home a few dollars to their owners in the country at the end of the month.


This is not to diminish the horror of the slave market in the middle of the famous St. Louis Hotel, or the injustice of the slave labor on plantations from one end of the state to the other. It is merely to say that it was never all "have or have not" in this strange and beautiful city.


Later in the 19th century, as the Irish immigrants poured in by the thousands, filling the holds of ships that had emptied their cargoes of cotton in Liverpool, and as the German and Italian immigrants soon followed, a vital and complex culture emerged. Huge churches went up to serve the great faith of the city's European-born Catholics; convents and schools and orphanages were built for the newly arrived and the struggling; the city expanded in all directions with new neighborhoods of large, graceful houses, or areas of more humble cottages, even the smallest of which, with their floor-length shutters and deep-pitched roofs, possessed an undeniable Caribbean charm.


Through this all, black culture never declined in Louisiana. In fact, New Orleans became home to blacks in a way, perhaps, that few other American cities have ever been. Dillard University and Xavier University became two of the most outstanding black colleges in America; and once the battles of desegregation had been won, black New Orleanians entered all levels of life, building a visible middle class that is absent in far too many Western and Northern American cities to this day.


The influence of blacks on the music of the city and the nation is too immense and too well known to be described. It was black musicians coming down to New Orleans for work who nicknamed the city "the Big Easy" because it was a place where they could always find a job. But it's not fair to the nature of New Orleans to think of jazz and the blues as the poor man's music, or the music of the oppressed.


Something else was going on in New Orleans. The living was good there. The clock ticked more slowly; people laughed more easily; people kissed; people loved; there was joy.


Which is why so many New Orleanians, black and white, never went north. They didn't want to leave a place where they felt at home in neighborhoods that dated back centuries; they didn't want to leave families whose rounds of weddings, births and funerals had become the fabric of their lives. They didn't want to leave a city where tolerance had always been able to outweigh prejudice, where patience had always been able to outweigh rage. They didn't want to leave a place that was theirs.


And so New Orleans prospered, slowly, unevenly, but surely - home to Protestants and Catholics, including the Irish parading through the old neighborhood on St. Patrick's Day as they hand out cabbages and potatoes and onions to the eager crowds; including the Italians, with their lavish St. Joseph's altars spread out with cakes and cookies in homes and restaurants and churches every March; including the uptown traditionalists who seek to preserve the peace and beauty of the Garden District; including the Germans with their clubs and traditions; including the black population playing an ever increasing role in the city's civic affairs.


Now nature has done what the Civil War couldn't do. Nature has done what the labor riots of the 1920's couldn't do. Nature had done what "modern life" with its relentless pursuit of efficiency couldn't do. It has done what racism couldn't do, and what segregation couldn't do either. Nature has laid the city waste - with a scope that brings to mind the end of Pompeii.


I share this history for a reason - and to answer questions that have arisen these last few days. Almost as soon as the cameras began panning over the rooftops, and the helicopters began chopping free those trapped in their attics, a chorus of voices rose. "Why didn't they leave?" people asked both on and off camera. "Why did they stay there when they knew a storm was coming?" One reporter even asked me, "Why do people live in such a place?"


Then as conditions became unbearable, the looters took to the streets. Windows were smashed, jewelry snatched, stores broken open, water and food and televisions carried out by fierce and uninhibited crowds.


Now the voices grew even louder. How could these thieves loot and pillage in a time of such crisis? How could people shoot one another? Because the faces of those drowning and the faces of those looting were largely black faces, race came into the picture. What kind of people are these, the people of New Orleans, who stay in a city about to be flooded, and then turn on one another?
Well, here's an answer. Thousands didn't leave New Orleans because they couldn't leave. They didn't have the money. They didn't have the vehicles. They didn't have any place to go. They are the poor, black and white, who dwell in any city in great numbers; and they did what they felt they could do - they huddled together in the strongest houses they could find. There was no way to up and leave and check into the nearest Ramada Inn.


What's more, thousands more who could have left stayed behind to help others. They went out in the helicopters and pulled the survivors off rooftops; they went through the flooded streets in their boats trying to gather those they could find. Meanwhile, city officials tried desperately to alleviate the worsening conditions in the Superdome, while makeshift shelters and hotels and hospitals struggled.


And where was everyone else during all this? Oh, help is coming, New Orleans was told. We are a rich country. Congress is acting. Someone will come to stop the looting and care for the refugees.


And it's true: eventually, help did come. But how many times did Gov. Kathleen Blanco have to say that the situation was desperate? How many times did Mayor Ray Nagin have to call for aid? Why did America ask a city cherished by millions and excoriated by some, but ignored by no one, to fight for its own life for so long? That's my question.


I know that New Orleans will win its fight in the end. I was born in the city and lived there for many years. It shaped who and what I am. Never have I experienced a place where people knew more about love, about family, about loyalty and about getting along than the people of New Orleans. It is perhaps their very gentleness that gives them their endurance.


They will rebuild as they have after storms of the past; and they will stay in New Orleans because it is where they have always lived, where their mothers and their fathers lived, where their churches were built by their ancestors, where their family graves carry names that go back 200 years. They will stay in New Orleans where they can enjoy a sweetness of family life that other communities lost long ago.


But to my country I want to say this: During this crisis you failed us. You looked down on us; you dismissed our victims; you dismissed us. You want our Jazz Fest, you want our Mardi Gras, you want our cooking and our music. Then when you saw us in real trouble, when you saw a tiny minority preying on the weak among us, you called us "Sin City," and turned your backs.


Well, we are a lot more than all that. And though we may seem the most exotic, the most atmospheric and, at times, the most downtrodden part of this land, we are still part of it. We are Americans. We are you.

*********

O fato de Nova Orleans existir, junto com San Francisco e Nova York, sempre me fez mais feliz, ao pensar nos Estados Unidos. A alegria, beleza e exuberância da gente dessa terra me faziam acreditar na idéia de um país menos 'wasp' e mais pleno. Espero que isso ainda seja possível, e um bom começo seria o povo americano eleger melhores representantes, na próxima disputa presidencial.

Reproduzo o artigo acima em homenagem a meu amigo Jim 'Salt Water', assíduo visitante deste blogue.

Olhos de ver

Celebrando a capacidade que algumas pessoas têm de enxergar o mundo que as cercam, posto um link pro blogue de Sama... Cliquem no título deste post!

quarta-feira, setembro 07, 2005

Especial para Dé


Hoje tirei esta foto, passeando com Eva no Museu da República. Eu e esse figurino de outros carnavais...
Não parece que estou dançando com os patinhos de lá? Lembrei de outros patos, outros parques, outros tempos. E tou aqui, mandando o registro desta tarde, com um beijo pra você.

Intercom


Pausinha básica na tarde do feriado, pra ir até a Uerj dar uma espiada na Intercom. Foi ótimo. Eva e eu encontramos Paula Reis, Thiago Soares, Alexandre Figueiroa, Irenilda, Adriany, Margarita, além do pessoal da UFF (Marialva, Herica, Luiz Adolfo) e de Marques de Melo. Senti falta de Salett, Tina, Valmir, Ronaldo, Brás, Wilma, Virgínia..., gente que eu pensava encontrar.
Foi bom, há tempos não participava do ambiente acadêmico.
Mas não fiquei muito tempo e não comprei um só livro...
PS- Eva, essa menina mais baixinha junto de mim, está aqui em casa, desde sábado. Estripulias várias, como de praxe, pra quem é leitor assíduo deste 'brógui'. Depois eu conto, em posts futuros. Aguardem cenas dos próximos capítulos...

Ai, que loucura...

Não espalhem, mas sou uma mulher falada aqui no prédio. Queria só que metade da fama se justificasse! Ontem de noite recebi duas visitas queridas, Nininho e Delano. Um chegou dez minutos depois do outro, e eu tava tomando banho. Desci junto com eles, de cabelo molhado. O porteiro maldoso botou cada butuca de olho pra cima de mim, que foi um negócio sério. Olhaí, minha gente, como tou bem servida! Ahahaha.

(Acima, mais um registro junto com Delano, meu rei...)

Lauro Müller - visão geral


Foram cinco dias muito frios, ilhada num lugarzinho distante de tudo. Mas no fim das contas, acho que valeu a pena esse tempo por lá...
Fiquei pilotando uma camerazinha digital e trouxe várias fotos pra casa, algumas das quais vocês podem ver abaixo. Juntou tudo: secura de quem não tem máquina digital em casa e está com uma à disposição; e a paisagem linda daquele lugar. Espero que gostem das imagens!

terça-feira, setembro 06, 2005

Lauro Müller - detalhes que atraem meu olhar

A flor da vitória-régia do açude...

os pinhões que lembram Natal, mesmo pra quem nasceu no Nordeste...


A flor mimosa da laranjeira...


O sol derretendo a geada sobre as marias-sem-vergonha

Lauro Müller - instalações I

Pavilhão da cozinha e sala de aula
Horta e prédio da administração
Entrada, com pés de pinheiro
Açude, em frente ao pavilhão da sala de aula

Ladeira e prédio da administração

Lauro Müller - instalações II

Dormi uma semana, com quase dez mulheres, neste alojamento onde costumam ficar os jovens do Cedejor. Ruim pela falta total de privacidade, bom porque foi engraçado.

Aí em cima, detalhe da entrada do alojamento...
... e a visão externa dele.

Esta foto acima é da biblioteca dos jovens, achei bem bonitinha.

Lauro Müller - o trabalho

Era esse o tipo de coisa que ficamos lá fazendo todo dia, das 8h da manhã às 22h: lendo, escrevendo e discutindo questões variadas. O pessoal todo é muito interessante, vem dos três estados do Sul do Brasil. Pena que não dá pra apresentar a todos, aqui.


Lauro Müller - alongamento

Paradinha básica durante o seminário, pra dar uma esticadinha! Hmmmmmmmmmmmmmf...


segunda-feira, setembro 05, 2005

Lauro Müller - meu amigo 'Pinker'

Não sei em que língua é isso, mas o nome do viralata destas fotos é 'Pinker'. Ele é filho de uma das cozinheiras do Cedejor de Lauro Müller, que ficou morta de ciúme da amizade dele comigo. "Ele é brabo, não chega junto de ninguém", foi logo reclamando no dia em que viu nossa alegria. No dia seguinte, deixou o bichinho amarrado, pra aprender a não fazer festa pra estranhos. E só no dia da partida teve pena e trouxe meu amigo pra se despedir de mim. Feio, doido e fedorento. E gente boa por demais! ;.)


Lauro Müller - farra no pomar

Nada mais gostoso que fruta no pé. Aqui pra vocês, uma foto-reportagem: primeiro, eu e Jovani tirando umas mexericas-ponkã indescritíveis, direto do pé...
... eu segurando uma das bichinhas, doce, doce como mel...

... Ieda e eu nos fartando...
... e 'la siesta' junto com Leticia, depois de encher o bucho. Tão bom, tomar um solzinho assim...

Quem coleciona selos para o sobrinho; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma largatixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se se detém no caminho para contemplar a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas ou de já não agüentar subir uma escada como antigamente; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso amoroso; quem procura numa cidade os traços da cidade que passou, quando o que é velho era frescor e novidade; quem se deixa tocar pelo símbolo da porte fechada; quem costura roupas para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar, já quebrando a cerimônia com um início de sentimento: " Meu pai só gostava de sentar-se nessa cadeira"; quem manda livros para os presidiários; quem ajuda a fundar um asilo de órfãos; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem compra na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias de um amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe derem de presente, a caneta e o isqueiro que não mais funcionam; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque para brincar com amigo ou amiga distante; quem coleciona pedras, garrafas e folhas ressequidas; quem passa mais de quinze minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em ligeiro e misterioso transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se envergonha da beleza do pôr-do-sol ou da perfeição de uma concha; quem se desata em riso à visão de uma cascata; quem não se fecha à flor que se abriu de manhã; quem se impressiona com as águas nascentes, com os transatlânticos que passam, com os olhos dos animais ferozes; quem se perturba com o crepúsculo; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente a pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga perceber o "pensamento" do boi e do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e, mesmo aparentemente livres como os outros, andarão por toda parte acorrentados, atados aos pequenos amores da grande armadilha terrestre.


Paulo Mendes Campos. "O amor acaba" - crônicas líricas e existenciais. RJ, Civilização Brasileira, 2001. O texto foi 'roubado do blogue lindo do meu amigo Sama, http://www.estuariope.blogspot.com.

domingo, setembro 04, 2005

De volta...


Depois eu escrevo contando detalhes. Agora, só vou postar uma única foto esclarecedora, que mostra o frio miserável que andei enfrentando.
Graças a Deus, tou de volta ao climinha ameno do Rio de Janeiro...

quinta-feira, setembro 01, 2005

Gaúchos


Estou começando a pensar se aquelas descrições estereotipadas não deixam de ter um fundo de verdade. Tipo, baianos são malemolentes, cariocas são mulherengos, pernambucanos são desbocados, paulistas são workaholics...
Sempre achei que não havia um traço em comum entre eles, mas os gaúchos... Bom, não sei o que dizer dos gaúchos, defini-los num termo único. Mal estava me acostumando com o jeito de ser de Gilberto, e me vi rodeada deles. São pelo menos seis, e me lembram imediatamente de Jink, o cachorro labrador de meu irmão. São bichinhos de raça, grandes, estabanados, leais, fiéis, carinhosos, sempre alegres e risonhos, diretos, festeiros, sem malícia. Falam besteira o dia todo, e me irritam e enternecem ao mesmo tempo.
Ontem fomos jantar na cidade vizinha, a mais de 20km de distância, numa trattoria que só servia pizza de calabresa. Uma verdadeira operação de guerra. Fui num carro com três gaúchos que pareciam os três cachorros bobos do desenho animado, sabem qual?, e mais uma paranaense que olhava a minha cara e só fazia rir. Putz. Cada piada tão sem graça, cada cantoria desafinada, cada coisa que eles diziam e faziam, que eu não consegui ficar de mau humor: me estourei de rir e embarquei na deles. Lembrei até da musiquinha que meu tio Vadico ensinou, da época em que morou em Porto Alegre: "o gaúcho desde piá vai aprendendo /A ser valente, não ter medo, ter coragem / Em manotaços dos tempos e em bochinchos / Retempera e moldura a sua imagem... / Não podemos se entregar pros home /Mas de jeito nenhum, amigo e companheiro / Não tá morto quem luta e quem peleia / Pois lutar é a marca do campeiro"... (É, eu sei essa e outras de cor. Cantei pra Gilberto, no dia em que eu conheci ele, num show de samba. Ele viu de cara que não tenho juízo e vai que por isso gostou de mim).
Bom: me integrar com os gaúchos aqui foi um tiro que saiu pela culatra. De noite, eles deram um pontapé de propósito na parede onde eu durmo encostada, num alojamento com mais quinze mulheres. A casa é de madeira, então podem imaginar o barulhão e o meu susto. Bando de f da p.
Hoje de manhã, no café, Jovani - um dos três gaúchos ex-seminaristas que conheci no último mês, será que tudo que é gaúcho tem vocação pra padre, meu Deus do céu? - me disse a frase que sintetiza tudo que posso dizer a respeito desse jeito deles serem: "bem aventurados os bobos, que são mais fáceis de se fazer felizes". É isso.

Ciclone

Aqui continua chovendo, e a ameaça de um ciclone está cada vez maior. Ciclone pra mim é lenda: um grupo de meninos bregas que parodiavam o Menudo na década de 80. Mas aqui é de verdade, ventos a mais de 100km por hora que arrastam com tudo...
Ainda assim, momentos de bom humor: a gente tá meio ilhado, sem ver tevê nem nada, mas ontem os meninos conseguiram um radinho pra ouvir notícias do mundo. Aí o repórter falou de Nova Orleans, completamente alagada, no meio do caos. "Toda a região do Mississipi está em alerta", completou. Aí Eliandro, um menino aqui de Lauro Müller, respirou aliviado. Quando o povo entendeu, foi uma risadaria só: a cidadezinha aqui vizinha, a 20km de distância, se chama Orleans. Deve ter sido por causa dela que os Estados Unidos batizaram a de lá, ahahahaha.