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sexta-feira, janeiro 12, 2007

quarta-feira, outubro 18, 2006

Bibiu


Hoje é o aniversário de Gabriel - Bibiu, Gabi, Gabiru - meu irmão querido, meu inimigo de infância.
Tanto vivemos e partilhamos que eu não sou otária de dizer aqui quantos anos ele completa, na qualidade de irmã mais velha. Digamos, uns 17...
Bibiu, beijo grande pra você. De longe, de perto, sempre - estou torcendo pelo melhor em sua vida.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Lembrança

Quando menina era um sofrimento, porque Papai Noel era invenção do capitalismo, o Coelhinho da Páscoa uma balela burguesa, e o Dia das Crianças, uma criação do comércio para vender brinquedos. Mamãe era linha dura: cortava meu cabelo curtinho pra não dar piolho, só me dava sandálias ortopédicas, e a minha vida inteira sonhei com uma calcinha bunda-rica, daquelas cheias de frufru de nylon, e ela só comprava umas lisas, feiosas, de algodão anti-alérgico. As mesmas calcinhas horrorosas e sapatos sem-graça que me dava no aniversário, ocasião em que proibia os amiguinhos de me levarem presentes.
Esta semana fui dar aula sobre a
indústria cultural para a minha turminha de Teoria da Comunicação. E a surpresa maior que tive, ao analisar a presença de marcas e etiquetas nas pessoas da sala, foi ver que nada em mim tinha uma razão consumista: escolho as coisas pelo que são, pelo material ou trabalho nelas contido, e não pelo nome pregado. Sorri e lembrei dela, das lições espartanas que me fizeram ser quem sou.
Não, minha mãe não chegava a ser um monstro: a qualquer dia do ano, se tivesse dinheiro e soubesse que eu queria muito um presente, ela me dava. E isso ajudou na construção do meu caráter, fazendo com que trocasse qualquer coisa por livro ou disco, e aprendesse a inventar os meus próprios brinquedos. Poucas mães conhecidas permitiriam que os filhos criassem sapos, como foi o caso do meu irmão e eu: além deles, tivemos cachorros, gatos, periquitos, galinhas, tartarugas, preás. As casa da minha infância tinham quintal, árvore, espaço pra correr, pra bulir. Uma delas tinha um mar verde e morno se descortinando à frente, terreno a ser desbravado pela criançada afoita, que não se preocupava com tarado, ataque de tubarão ou incidência de câncer de pele.
E para atenuar essa 'rigidez revolucionária', Gabriel e eu podíamos contar com nossos avós, especialmente Nageca, mãe de mamãe, que nos proporcionou a experiência da plena dádiva/permissividade. Uma vez, lembro de ter ido com ela à loja
Sloper, no meu aniversário, e sair de lá toda vaidosa, com três bonecas, uma bolsinha, perfumada e vestida da cabeça aos pés, e com um anel em cada dedinho das mãos. De outra feita, chegou no supermercado (num tempo em que os tais praticamente só vendiam gêneros alimentícios, vale frisar), deu um carrinho a cada um de nós, e falou: podem comprar o que quiserem. Essa permissão valia mais do que efetivamente levar a loja inteira; e no fim a gente levava só uns pacotes de biscoito, sorvete, chocolate - e eu, também uns sabonetes e uma colônia johnson, que é até hoje meu perfume favorito. Esses momentos perdulários faziam um bem tremendo à alma e eram o contraponto que a gente precisava pra sermos completamente felizes.
Hoje é dia das crianças e a menina que mora em mim não sente falta de presentes - esses eu quase nunca ganhava. Queria era ter cinco anos, andar pelada no quintal, ouvir Carequinha na radiola laranja, brincar de guerra de goiaba e dormir no beliche apertadinho, com medo do lobo que morava embaixo da cama e fingia que era chinelo quando alguém acendia a luz.

segunda-feira, julho 10, 2006

Auauau


Eu voltava tarde pra casa e, toda noite, lá estava o viralata na esquina. Eu sabia que era o mesmo pelo tamanho - era bem grande - e pela peculiaridade de ter um olho castanho e outro azul. Ele me farejava, meio cismado, mas, com o tempo, ficou meu amigo: latia, me cumprimentando, de longe, e me acompanhava até a porta do prédio, no fim da rua. Um dia comentei com meu irmão Gabriel a delicadeza do cachorro, como eu achava legal ele me fazer companhia. Aí Gabi virou pra mim bem sério e perguntou: e tu nunca dá nem um real pra ele?

terça-feira, outubro 18, 2005

Aniversário de Gabriel

Hoje é aniversário dele: meu inimigo de infância, meu companheiro na dor, meu gozador preferido, meu amigo, meu irmão. Saudade de tu, Bibiu. Pena estar tão longe de você. A gente quase nem se fala, mas é que nem precisa. O orgulho e a confiança que sinto, palavra nenhuma jamais vai expressar. Que Luiza e Gina te dêem por mim um beijo bem grande, e que este 18 de outubro, entre tantos, seja um dia muito feliz.