segunda-feira, dezembro 19, 2005

Fim de semana

Neste fim de semana, resgatei minhas raízes! Fui com Leo, paraibano arretado de Campina, pra Feira de São Cristóvão. Nosso menu assustaria qualquer 'sulista' desavisado: tripa assada de entrada, cabrito ensopado com inhame, e quebra-queixo de sobremesa. Ainda compramos goma pra fazer tapioca e queijo coalho, e se eu tivesse fogão, ah!, tinha levado umas favas... A saudade vai entrando pelos poros, naquela feira bendita. Que foi rebatizada de Centro Cultural de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga (ufa!), mas é chamada pejorativamente pela cariocada de Feira dos Paraíbas... Lá não chega a ser uma Feira de Caruaru e, como aquela, já virou uma coisa meio asséptica (a barraca onde a gente comeu aceita American Express). Ainda assim, onde mais neste Rio eu poderia ver bolo barra branca, bolacha de soda, farinha quebradinha e raizada? Feijão verde debulhado na hora? E aquela profusão de pimentas?

Me diverti muito, apesar de odiar o tipo de forró que hoje toca na feira. É uma babel de sons musicais, forró calcinha preta e banda calipso comendo no centro, brega até umas horas, e eu babando por um pé de serra que não apareceu (só rola tarde da noite e eu tive que voltar cedo, porque tinha concurso no domingo de manhã).

Acabou que Leo e eu paramos numa barraca onde tinha uma aparelhagem enooooorme, de um maranhense aí. Não tinha tiquira, mas ypioca faz o mesmo efeito. Dançamos reggae feito dois malucos e depois ainda paramos num videokê horrível, onde a galera fechou a cara porque eu fui cantar Secos e Molhados e ele, o Rappa. Pô, lá tava o fino, só saía Odair José e quetais, realmente somos dois estraga-prazeres. Mico total e inesquecível!

Domingo fomos almoçar na casa nova de Queops (e Renata!). Vi Ádrea, Ruane, Gustavo, Nininho, e conheci Camila e Josy. Fiz a minha velha rabada iconoclasta, aquela que choca os desavisados por levar entre os ingredientes canela, cravo da índia e chocolate (além de vinho, claro). Ficou bom, muito bom. Deu saudade de Rilton, Dadá, Samuca e outras festas de babete feitas tempos atrás, no Recife. Não sabia que estava com tanta saudade de cozinhar!

(Segue mal-e-mal a receita da rabada, pros atrevidos de plantão. Aviso que não sei a quantidade exata dos ingredientes, costuma funcionar no olhômetro. Até hoje ninguém soube repetir igual. Sirvo com purê e arroz de funghi, mas ontem foi arroz branco mesmo)

*Rabada limpa e escaldada (depende da quantidade de pessoas, um quilo dá pra começar a ser feliz)

*Dois ou três copos de vinho tinto (não precisa ser de muita qualidade, mas se for seco e com uva de verdade em vez de ki-suco roxo, é um grande adianto)

*Extrato ou polpa de tomate (ou tomates de verdade, se estiver com paciência)

*Cebola (muita cebola!)

*Alecrim (se for fresco, melhor)

*Azeite

*Pimenta (gosto de todas, mas a preferida é a SÍRIA, que vem misturada com uns condimentos muito legais e tem um cheiro muito bom, afemaria)

*Cravo da índia

*Canela

*Cenoura ralada (ontem pus duas, das grandes)

*Sal

*Chocolate (normalmente, cacau dos padres, que é sem açúcar, ou meio amargo. Mas isso é em tese, ontem eu botei foi dois batons-garoto inteirinhos. Juro que fica bom)

*Sal a gosto

A imagem acima mostra um almoço que preparei pra Samuca, em janeiro, na minha casinha em Recife. No perfil do Orkut dele, em pratos preferidos, ele tascou "língua e rabo de Mariana", é mole? Voltando à rabada, é bom fazer de véspera, tirando bem todo o sebo visível pra comida não ficar gordurosa e, principalmente, deixando o caldo apurar por horas até ficar grosso, denso, perfumado, com a carne quase soltando dos ossos e se desmanchando na boca. É de comer rezando.

9 comentários:

Anônimo disse...

Eita, Mariana, adoro essas tuas estorias. E espero que eu esteja incluida nesta lista de 5 leitores assiduos, pois to sempre por aqui. Que bom...

Mariana Mesquita disse...

Fá, voce é uma das top five, com certeza! Olha, tou com um kit-surpresa de Natal quase pronto mas ainda não te enviei. Como é surpresa, não digo o que é... mas depois, me conta!
Um cheiro - tava com saudade!

Anônimo disse...

Adoro rabada, apesar de que há muito tempo não faço.
Mas com chocolate e canela, nunca vi... muito menos provei..., só pode ser receita de nordestina... aqui no sul não tem esse temperinho não.
Da próxima vez vou experimentar, será?
Janine

Mariana Mesquita disse...

Não é coisa de nordestino não, mulher! Eu vi uma receita há zilênios sobre especiarias na Claudia Cozinha, onde o chef botava chocolate num ensopado italiano lá - e tive a idéia de botar no meu rabo, digo, na minha receita. Não faço idéia se isso é tradicional em algum lugar, mas entre os incas chocolate e abacate são alimentos salgados, só muito depois é que o chocolate virou doce, na França! Mariana também é cultura, tá vendo só? Beijo!

Desconjumina disse...

ai que fome!!
e não me fale em calypso e calcinha preta, aqui na praça ramos de azevedo são top 10 /24h,
haja paciência,

feliz natal procê também.

Mariana Mesquita disse...

Cheiro, Bruninho!
;.)

Anônimo disse...

Mariana e cultura ja percebi , mas Mariana cultura culinária é muito mais...
Assim , com tanta cultura vou ter que te convidar, da próxima vez, para conhecer a Fundação Cultural de Curitiba.
Beijos da tão não anonima, rs.
Janine

sò consigo entrar como anonimo, socorro....

Bel disse...

Noossa, que delícia!!!

Eu faço a tradicional rabada com agrião, mas esta deve deliciosa e interessantíssima. Fiquei com água na boca...

Um beijo.

Mariana Mesquita disse...

Que post mais legal! Minhas amigas virtuais! Fafá, Janine e Bel... Bel pelo menos tá mais perto de mim, vou poder conhecer as bolsas lindonas dela qualquer hora dessas... Mas é bom contar com a presença de vocês aqui, meninas! E, Janine, pode deixar: se eu for outra vez a Curitiba, você não me escapa! ;.) Beijos