Neste fim de semana, resgatei minhas raízes! Fui com Leo, paraibano arretado de Campina, pra Feira de São Cristóvão. Nosso menu assustaria qualquer 'sulista' desavisado: tripa assada de entrada, cabrito ensopado com inhame, e quebra-queixo de sobremesa. Ainda compramos goma pra fazer tapioca e queijo coalho, e se eu tivesse fogão, ah!, tinha levado umas favas... A saudade vai entrando pelos poros, naquela feira bendita. Que foi rebatizada de Centro Cultural de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga (ufa!), mas é chamada pejorativamente pela cariocada de Feira dos Paraíbas...
Lá não chega a ser uma Feira de Caruaru e, como aquela, já virou uma coisa meio asséptica (a barraca onde a gente comeu aceita American Express). Ainda assim, onde mais neste Rio eu poderia ver bolo barra branca, bolacha de soda, farinha quebradinha e raizada? Feijão verde debulhado na hora? E aquela profusão de pimentas?
Me diverti muito, apesar de odiar o tipo de forró que hoje toca na feira. É uma babel de sons musicais, forró calcinha preta e banda calipso comendo no centro, brega até umas horas, e eu babando por um pé de serra que não apareceu (só rola tarde da noite e eu tive que voltar cedo, porque tinha concurso no domingo de manhã).
Acabou que Leo e eu paramos numa barraca onde tinha uma aparelhagem enooooorme, de um maranhense aí. Não tinha tiquira, mas ypioca faz o mesmo efeito. Dançamos reggae feito dois malucos e depois ainda paramos num videokê horrível, onde a galera fechou a cara porque eu fui cantar Secos e Molhados e ele, o Rappa. Pô, lá tava o fino, só saía Odair José e quetais, realmente somos dois estraga-prazeres. Mico total e inesquecível!
Domingo fomos almoçar na casa nova de Queops (e Renata!). Vi Ádrea, Ruane, Gustavo, Nininho, e conheci Camila e Josy. Fiz a minha velha rabada iconoclasta, aquela que choca os desavisados por levar entre os ingredientes canela, cravo da índia e chocolate (além de vinho, claro). Ficou bom, muito bom. Deu saudade de Rilton, Dadá, Samuca e outras festas de babete feitas tempos atrás, no Recife. Não sabia que estava com tanta saudade de cozinhar!
(Segue mal-e-mal a receita da rabada, pros atrevidos de plantão. Aviso que não sei a quantidade exata dos ingredientes, costuma funcionar no olhômetro. Até hoje ninguém soube repetir igual. Sirvo com purê e arroz de funghi, mas ontem foi arroz branco mesmo)
*Rabada limpa e escaldada (depende da quantidade de pessoas, um quilo dá pra começar a ser feliz)
*Dois ou três copos de vinho tinto (não precisa ser de muita qualidade, mas se for seco e com uva de verdade em vez de ki-suco roxo, é um grande adianto)
*Extrato ou polpa de tomate (ou tomates de verdade, se estiver com paciência)
*Cebola (muita cebola!)
*Alecrim (se for fresco, melhor)
*Azeite
*Pimenta (gosto de todas, mas a preferida é a SÍRIA, que vem misturada com uns condimentos muito legais e tem um cheiro muito bom, afemaria)
*Cravo da índia
*Canela
*Cenoura ralada (ontem pus duas, das grandes)
*Sal
*Chocolate (normalmente, cacau dos padres, que é sem açúcar, ou meio amargo. Mas isso é em tese, ontem eu botei foi dois batons-garoto inteirinhos. Juro que fica bom)
*Sal a gosto
A imagem acima mostra um almoço que preparei pra Samuca, em janeiro, na minha casinha em Recife. No perfil do Orkut dele, em pratos preferidos, ele tascou "língua e rabo de Mariana", é mole? Voltando à rabada, é bom fazer de véspera, tirando bem todo o sebo visível pra comida não ficar gordurosa e, principalmente, deixando o caldo apurar por horas até ficar grosso, denso, perfumado, com a carne quase soltando dos ossos e se desmanchando na boca. É de comer rezando.
9 comentários:
Eita, Mariana, adoro essas tuas estorias. E espero que eu esteja incluida nesta lista de 5 leitores assiduos, pois to sempre por aqui. Que bom...
Fá, voce é uma das top five, com certeza! Olha, tou com um kit-surpresa de Natal quase pronto mas ainda não te enviei. Como é surpresa, não digo o que é... mas depois, me conta!
Um cheiro - tava com saudade!
Adoro rabada, apesar de que há muito tempo não faço.
Mas com chocolate e canela, nunca vi... muito menos provei..., só pode ser receita de nordestina... aqui no sul não tem esse temperinho não.
Da próxima vez vou experimentar, será?
Janine
Não é coisa de nordestino não, mulher! Eu vi uma receita há zilênios sobre especiarias na Claudia Cozinha, onde o chef botava chocolate num ensopado italiano lá - e tive a idéia de botar no meu rabo, digo, na minha receita. Não faço idéia se isso é tradicional em algum lugar, mas entre os incas chocolate e abacate são alimentos salgados, só muito depois é que o chocolate virou doce, na França! Mariana também é cultura, tá vendo só? Beijo!
ai que fome!!
e não me fale em calypso e calcinha preta, aqui na praça ramos de azevedo são top 10 /24h,
haja paciência,
feliz natal procê também.
Cheiro, Bruninho!
;.)
Mariana e cultura ja percebi , mas Mariana cultura culinária é muito mais...
Assim , com tanta cultura vou ter que te convidar, da próxima vez, para conhecer a Fundação Cultural de Curitiba.
Beijos da tão não anonima, rs.
Janine
sò consigo entrar como anonimo, socorro....
Noossa, que delícia!!!
Eu faço a tradicional rabada com agrião, mas esta deve deliciosa e interessantíssima. Fiquei com água na boca...
Um beijo.
Que post mais legal! Minhas amigas virtuais! Fafá, Janine e Bel... Bel pelo menos tá mais perto de mim, vou poder conhecer as bolsas lindonas dela qualquer hora dessas... Mas é bom contar com a presença de vocês aqui, meninas! E, Janine, pode deixar: se eu for outra vez a Curitiba, você não me escapa! ;.) Beijos
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