
Meus fiéis cinco leitores, peço-lhes desculpas pela demora em atualizar aqui o Sítio. O computador de casa tá enguiçado - juro, ainda - e o bicho tá pegando, no trabalho... Aqui neste post vou falar, com bastante atraso, de Curitiba, onde eu nunca tinha estado. Aproveito e deixo um beijo pra Janine, minha leitora insuspeita, que vocês podem conhecer aqui nestes comentários. Queria ter sabido da existência dela mais cedo, pra poder ter tido companhia ou, pelo menos, umas dicas pra me virar lá na capital do Paraná. Mas, de qualquer maneira, foi divertido...
Eu tenho um primo que sempre fala que eu preciso 'deixar de ser mulherzinha'. O que ele quer dizer é que eu tenho que parar de frescura com uma série de coisas que, admito, eu não gosto de fazer - tipo, ir ao cinema sozinha, sair de noite sozinha e, claro, viajar sozinha. Enquanto o negócio se restringe a viajar a trabalho sozinha, com a programação toda definida, até que não é tão ruim, sempre durmo direto, feito uma jaca, nem dá tempo de pensar em qualquer solidão possível, de tão corrida que a rotina é. De noite, a gente chega chumbada no hotel, e aí é até bom não ter que dividir o espaço: posso andar pelada o quanto quiser, ir no banheiro de porta aberta, bagunçar bastante e não me preocupar com as suscetibilidades de nenhum companheiro(a) de quarto.
Mas sábado, eu tive a manhã toda livre pra ficar em Curitiba - o único vôo que conseguiram saía às 13h50. Acordei às 8h e catei os teréns, ciente de que tinha três alternativas: ou ficar fazendo hora no hotel (típico hotel besta próximo a aeroporto, projetado pra pessoas em trânsito, sem qualquer atrativo - aliás, não vejo mesmo nenhum atrativo em hotel, por mais chique e bonito e bem localizado que seja); ou ficar fazendo hora no aeroporto (terrível, terrível, terrível. Às vezes o jeito, quando você tem menos de três horas pra esperar e o troço é longe demais do centro); ou 'deixar de ser mulherzinha' e ir aproveitar a chance de dar uma olhada na cidade.
Mas sábado, eu tive a manhã toda livre pra ficar em Curitiba - o único vôo que conseguiram saía às 13h50. Acordei às 8h e catei os teréns, ciente de que tinha três alternativas: ou ficar fazendo hora no hotel (típico hotel besta próximo a aeroporto, projetado pra pessoas em trânsito, sem qualquer atrativo - aliás, não vejo mesmo nenhum atrativo em hotel, por mais chique e bonito e bem localizado que seja); ou ficar fazendo hora no aeroporto (terrível, terrível, terrível. Às vezes o jeito, quando você tem menos de três horas pra esperar e o troço é longe demais do centro); ou 'deixar de ser mulherzinha' e ir aproveitar a chance de dar uma olhada na cidade.
Rumei direto pro aeroporto, pra ficar livre do check-in. Como era cedo demais, a rigor a moça da Gol não deveria embarcar minhas malas, e eu estaria obrigada a carregar o trambolho ou pagar um armário que nem sei se tem naquele aeroporto. Mas aí eu tive a primeira prova do jeito acolhedor dos curitibanos: ela deixou a maleta junto dela, "não se preocupe, quando for lá pra onze horas eu mesma mando". Me ensinou a pegar o ônibus certinho, o que olhar, etc. E lá fui eu, de ônibus executivo, pro centro de Curitiba.
Primeira parada: rua 24 horas. Sempre quis conhecer a rua 24 horas! E o que a maluca aqui foi fazer, chegando na rua 24 horas? Depois de olhar as lojas, assim por cima, entrei no stand do Farol de Cultura e... fui acessar meus emails. É mole? A pessoa com quatro horas pra passear, vai perder tempo lendo email? O rapazinho que toma conta do negócio é uma simpatia - pediu comprovante de residência, quis saber se eu já era cadastrada, e quando tomou consciência da minha situação de retirante perdida no Paraná, abriu um sorrisão e me deixou acessar a internet, de graça. O sistema que eles usam lá é Linux e é tudo tão organizado e bonitinho que fiquei muito impressionada, acho que valeu como programa turístico!
De lá, voltei pela Praça General Osório, onde estava tendo uma feirinha de artesanato e eu passei mais meia hora conversando com Christiane, uma figura maluca e engraçadíssima que faz fantoches e ímãs de geladeira de látex. Em seguida, peguei a rua XV de Novembro, onde vi o Palácio Avenida, esse prédio da foto onde tem cantatas natalinas à noite (ou seja, não vi nenhuma, e também perdi a iluminação de Natal), e onde não tive coragem de antecipar as compras de fim de ano - tava tudo entulhado de gente. Assim, entrei na Livraria Curitiba. O primeiro vendedor que se aproximou, achou graça do meu sotaque carregado; soltou o 'você é baiana?' de praxe e, pra sorte ou azar dele, tinha um guia ilustrado sobre Pernambuco na estante em frente. Lascou-se: foram 40 minutos conversando potoca e, se não comprei nada e ainda diminuí as comissões dele em outras possíveis vendas, mas acho que ele gostou do papo. Segui até o fim da rua XV de Novembro, dobrei na Praça Generoso Marques, entrei num sebo e comprei dois gibis do Níquel Náusea e três 'sabrinas' tipo clássicos históricos, uma falando de índios no velho oeste, outra de deuses celtas e a última, de castelos medievais (é tudo a mesma merda da 'sabrina' comum, mas dá a sensação de que você é menos piegas, tá certo que a mocinha e o mocinho seguem os mesmos estereótipos e travam diálogos semelhantes e vão acabar juntos depois dela manter a virgindade e sofrer durante todo o livro, mas a trama se passa há mil anos atrás, pô). Essas revistas, junto com uma cocada alemã e um ímã em forma de bobo da corte, foram minhas únicas compras.
Mais adiante, em frente ao Teatro Guaíra, cheguei ao ponto do ônibus, esbaforida. Lá, estava Ricardo, simpatia de criatura que voltava pra Maringá. Primeiro ele ficou meio nervoso, até que percebeu que eu tinha percebido a aliança no dedo anular esquerdo. Aí, relaxou. Falamos de tudo: trajetória profissional, açudes no Nordeste, governo Lula, diferenças entre as regiões brasileiras... Desci no aeroporto olhando com pena pra ele, na certeza de que nunca mais vou encontrá-lo. Não trocamos telefone, email, nada. Só visões de mundo e simpatia.
Nessa hora, já eram 13h20 e só deu tempo de pedir uma coxinha pra viagem e engolir a dita cuja na sala de embarque, almoço pra quê? Fiz uma escala em Congonhas, comi as barrinhas de cereal que eles servem pra enrolar a fome, e aproveitei pra me esparramar em três cadeiras, porque o vôo veio vazio. Quando já estava chegando no Rio, os comissários de bordo sortearam um 'kit surpresa' e eu, feito menina pequena, pulei de assento quando vi que o sorteado era o desocupado, junto de mim. O comissário veio rindo, sussurrou "eu vi que você mudou de lugar", mas me deu o prêmio: um saco com uma lata de pepsi twist, uma batata-frita ruffles pequena, e uma garrafinha plástica com a logomarca da Gol. Tudo bem, mais um evento pra fechar o dia, mais uma pessoa que me tocou de alguma forma: o sorriso do comissário valeu mais que o brinde.
2 comentários:
Mariana
Peninha mesmo que não pudemos nos conhecer desta vez, mas numa próxima....com certeza.
E que bom que você deu uma voltinha e conheceu um pouquinho da cidade.
Beijos
Beijos, Janine. Já te acrescentei no Orkut! Só queria saber ONDE voce viu o endereço do blogue...
;.)
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