Luiza, 2006Este é meu sítio, onde espero plantar e colher coisas boas. Desde abril de 2005, tenho postado minhas besteirinhas aqui, sem ordem cronológica nem temática - mais ou menos um baú de quinquilharias. Fique à vontade e me dê um alô... PS- Os posts são arquivados por semana. Se quiser olhar os antigos, tem os links lá embaixo, mês a mês.
Coincidência ou não, o lugar que vou ocupar era de Florilton. No dia em que escrevi sobre ele, me telefonaram da faculdade, e ontem fui lá participar da banca. Nervosa, até porque estou sem meus livros (ainda em trânsito, entre o Rio e Recife). Mas deu tudo certo, graças a meus amigos Sérgio e Antônio, a quem aporrinhei bastante... e que, não por coincidência, eram amigos de Flô. Pensei nele, quando estava lá. Achei bonito, os alunos já rebatizaram o DCE da faculdade com o nome dele. Senti as pessoas chocadas com a brutalidade que é o falecimento de um jovem de 30 anos, por mais que ele tenha morrido feliz, após realizar um sonho...
Mas não quero falar de tristeza aqui: eu estou muito feliz. E me diverti pra caramba ontem, até conseguir chegar na faculdade. Durante o período letivo eles têm um ônibus gratuito próprio, para servir aos professores; mas ontem eu tive que ir by myself. Peguei dois ônibus, metrô, depois um ônibus intermunicipal (ela fica em Caruaru, a 1h30 de distância de Recife). Chegando lá, a orientação era pegar um táxi, "mais ou menos R$ 20". Ora, R$ 18 é a passagem Recife-Caruaru!, achei desaforo e peguei... um mototáxi, a R$ 3 - meio de transporte comuníssimo no interior, mas eu fui com um certo medo, pois só tinha andado de moto uma vez. Lá, depois do processo todo (banca, entrevista, departamento pessoal...), teria que pegar um táxi até a rodoviária e lá, a condução para Recife, mas peguei dois ônibus locais e na rodoviária, embarquei numa "lotação" que por R$ 25 me deixou na porta de casa, em Setúbal. Faltou só andar de jegue e de bicicleta. Pra completar, conheci uma figuraça na "lotação" de volta - uma moça chamada Katherine, que faz esse trajeto diário e que pegou meu telefone, pra gente gargalhar mais vezes juntas.
Juízo, hein? Ê, vida.

Foi na casa de Ruani, essa lindona simpática de cor de rosa. Fica em Santa Teresa.
Dia pra rir muito, reunir amigos que até então não se conheciam, e já ficar com saudade prévia!
Me impressiona que tenha partido justamente ontem, dia de Iemanjá. Espero que como Verger ele tenha renascido no Ifá, que tenha encontrado algo de belo e importante nesta viagem. Que leve com ele o carinho de muita gente que o amava. Que leve a minha rosa branca e a minha promessa de que se existirem outras vidas, e a gente um dia se cruzar, não vou perder a chance de me fazer sua amiga.
Na sexta-feira, que era feriado (dia de São Sebastião, padroeiro do Rio), fui com ele à feira de São Cristóvão, acertar os últimos detalhes na transportadora (essa é outra longa história, fiz inúmeras cotações de preço e para trazer de lá uma geladeira, uma máquina de lavar, uma tevê, um sofá-cama e dez caixas de trecos, me pediram de R$ oito mil - sim, oito mil!- até os R$ 900 em que acabei morrendo, contrariada). Claro que, já estando lá, e morrendo de fome, chamamos a Diaba e a Diabinha pra nos fazerem companhia. Eram quase três da tarde quando sentamos numa barraca, comemos uma galinha à cabidela borrachenta e horrorosa, e Ádrea e Jade chegaram por lá - a mãe com uma máquina digital na mão, a filha com um riso empoleirado na cara.

Minha primeira providência como deseducadora foi aproveitar uma distração da Diaba e passar R$ 10 pra Diabinha - "é nosso segredo, é pra você comprar o que quiser". Isso melhorou bastante o humor e a disposição da criatura, que apesar de gente boníssima tem apenas seis anos e odeia programa de adulto, ainda mais quando inventam de beber cerveja que nem Leo faz. E começaram as compras:
... um passarinho azul e pulador a R$ 2...
...dez minutos de cama elástica...
....potes de sorvete de açaí (ela é do Pará, dá pra notar?) e um pintinho de corda. Jade é o cão em figura de gente e logo nos mostrou que sabe usar os recursos da máquina digital melhor que qualquer adulto. Quando, me digam, a gente ia descobrir essa moldura brega-mimosa de florzinhas, que ela fez o favor de inserir em todas as fotos que bateu?


Mas a parte mais engraçada do dia foi quando já estávamos indo embora. Ouvimos uns gritos horríveis, como um porco que estivesse sendo sacrificado, uma coisa pavorosa e indescritível. Aí, percebemos que era uma pessoa cantando. Não resistimos e fomos ver a cara de tal criatura. Era essa aí:
Se vocês estão achando a roupa dela engraçada, é porque não viram o sapato da moça - alto, e de oncinha! Uma coisa! Quando entramos no recinto do karaokê, a garçonete veio correndo com um olhar de súplica e falou: "Por favor, ajudem meus ouvidos, ela é uma ótima cliente, mas da última vez que veio aqui botou 30 fichas na máquina!" Hahaha. Diante do pedido, cada um se sentiu obrigado a cantar uma música. O problema é que a cantora acima não podia esperar quatro pessoas passarem à frente dela, e enfiava as próprias fichas correndo, na hora em que a gente ainda estava de microfone na mão.
Teve um momento em que os trinados ficaram piores e Jade arregalou os olhos, soltando a melhor do dia: "MÃE! Vamos embora, que meus olhos vão estourar! Essa mulher vai destruir a camada de ozônio!"
Por fim, pra alegria da artista que ficou com a máquina só pra ela, nós fomos embora mesmo. No carro, fui tentar imitar os zurros que ela dava, e a mulher que dirigia o automóvel de junto quase bate (cena hilária, juro por Deus). A última visita a São Cristóvão foi um jeito legal de me despedir de um pedacinho do Rio, e as fotos estão aí como testemunhas! Falta só a Diaba me mandar as restantes (surpresa, só falo delas na hora de postar). Beijo, Jade! Beijo, Ádrea! Beijo, Leo! Saudade enorme de vocês.
Quem estava lá sabe, e viu como eu estava feliz! Meu livro foi lançado na quarta, dia 25 de janeiro, na Livraria Cultura, em Recife (confiram as fotos aqui). Mas desde a terça que estou numa badalação só: dei entrevista pra Globo, pra TV Universitária (que retransmite a TVE e a Cultura, aqui em Pernambuco), saiu matéria impressa nos jornais, ontem falei na rádio, o escambau, tô chique no úrtimo, e até com assessor de imprensa!, um cabra lindo e gente boa chamado Marcelo, meu mais recente amigo.




Minha linda, eu sei que neste aniversário você está triste por uma série de razões mas eu te digo, Ádrea, que tua força e tua doçura tudo podem e tudo vão vencer. E hoje e sempre, meu carinho e minha amizade são seus, e isso nem tempo, nem distância, nada, ninguém arranca do meu coração.



Como é que a gente concilia duas realidades separadas por dois mil quilômetros? Por que Recife não fica em Duque de Caxias? Por que o Rio não é perto de Itapissuma? Vou ver Dudu, mas deixar Nininho. Vou abraçar Debinha, mas estar longe de Ádrea. Rir muito com Eva, e não com Tomé. Farrear com Deza, Késia, Thiago, Martinha e Cláudia - e não com Thatá, Lu, Biscoita, Zé e Ângela. Fofocar com Zabá, Fatinha, Val, Paula, Orla e Kyara, e não com Ruane, Jorge, Marquinhos, Andréia, Tati e Delano. O Serginho perto de mim será o Cruz, e não o Correia. Dani e Kitty vão ficar felizes no Recife; Dani e Kitty vão sentir minha falta, no Rio. Vou comer tapioca e não joelho, agulha frita e não sardinha, e ir ao Beco da Fome, não ao Beco da Cirrose. Dançar maracatu, e não samba. Fazer farras gastronômicas pra Dadá e Rilton, e não pra Renata e Queops.

Será que vou ficar me sentindo assim, dividida? O coração fica quente quando penso que vou ver Luiza crescendo, que vou estar presente no primeiro aniversário dela. O olho enche de água porque sei que vou deixar muita gente querida por aqui, gente que eu não sei quando verei de novo, porque a passagem é cara e eu preciso me firmar. Principalmente quando penso em Leo, menino doce que não tem medo de dizer que gosta e de mostrar que já está triste, diante da perspectiva da minha ausência. Queria poder encaixotar meu gatinho, junto.
Paralelamente ao meu estado esquizofrênico de euforia e depressão, ainda estou tendo que lidar com o lado muito chato da mudança em si. A passagem de volta, caríssima, ainda não foi comprada. Também tenho que dar fim a alguns poucos objetos e embalar os outros, para a viagem. O computador, levo na mão - eta, Dudu, lembra da vinda? - e o resto, tem que ir de caminhão, sem data certa para chegar, aproveitando espaço numa mudança maior. Ainda assim, tou assustada com os preços. Em março, paguei R$ 500 pra trazer uma geladeira, uma máquina de lavar e dez caixas de trecos. Agora, pra levar exatamente a mesma coisa, pedi vários orçamentos, que oscilam de oito mil reais (sim!, oito mil) até R$ 900, que é o que vou acabar contratando. Bom, eu podia vender minha geladeira duplex lindinha que está há cinco anos me servindo maravilhosamente, e que é 220v, quando tudo aqui é 110v - resta ver quem iria comprar, e por quanto. Também podia deixar pra lá minha máquina de lavar semi-nova, que foi o último presente que minha mãe me deu. Ou abandonar meus livros, meus cds e minha famosa coleção de tatus. Mas sou um ser humano sentimental. E racionalmente falando, ainda vale a pena pagar, porque não conseguiria comprar as mesmas coisas, pelo mesmo preço, em Recife. Mas que dói no bolso, ah, isso dói.
Um beijo, querido! Fim do mês vou pra terrinha, juro que lançar de verdade o meu livro. Você não topa ir lá, não?
É experimentar o indiferenciado, como diria minha amiga Lucinha. Sair da 'escala' usual. Se integrar de tal forma à massa que, de repente, você não é mais você, é só mais uma formiguinha num mar de outras formigas. Ser completamente insignificante e, por isso, gigante, parte insubstituível da multidão, que de repente é um ser com vida e idéias próprias. Estádio de futebol, carnaval, passeatas e rodas de pogo num show de rock me dão a mesma sensação de euforia.





E pra encerrar a saga do primeiro dia do ano, à tarde fui com Marquinhos, Andréa, Teresa e Leo pra Feira de São Cristóvão (de novo!). Apesar da chuva, deu pra cantar no videokê e rir muito. Nada melhor que começar 2006 com quebra-queixo e baião de dois no bucho, e alegria no coração.