quinta-feira, fevereiro 09, 2006

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Alegria

Ontem fui contratada para dar aulas numa segunda faculdade, o que fecha meu horário: vou trabalhar à noite, diariamente, de segunda a sexta, e ficar com o dia livre para frilas, para iniciar (finalmente!) minha pesquisa e, se Deus quiser, para viver.

Isso me deixa tranquila, pois meu maior receio ao regressar para Recife era ficar sem trabalho.

Coincidência ou não, o lugar que vou ocupar era de Florilton. No dia em que escrevi sobre ele, me telefonaram da faculdade, e ontem fui lá participar da banca. Nervosa, até porque estou sem meus livros (ainda em trânsito, entre o Rio e Recife). Mas deu tudo certo, graças a meus amigos Sérgio e Antônio, a quem aporrinhei bastante... e que, não por coincidência, eram amigos de Flô. Pensei nele, quando estava lá. Achei bonito, os alunos já rebatizaram o DCE da faculdade com o nome dele. Senti as pessoas chocadas com a brutalidade que é o falecimento de um jovem de 30 anos, por mais que ele tenha morrido feliz, após realizar um sonho...

Mas não quero falar de tristeza aqui: eu estou muito feliz. E me diverti pra caramba ontem, até conseguir chegar na faculdade. Durante o período letivo eles têm um ônibus gratuito próprio, para servir aos professores; mas ontem eu tive que ir by myself. Peguei dois ônibus, metrô, depois um ônibus intermunicipal (ela fica em Caruaru, a 1h30 de distância de Recife). Chegando lá, a orientação era pegar um táxi, "mais ou menos R$ 20". Ora, R$ 18 é a passagem Recife-Caruaru!, achei desaforo e peguei... um mototáxi, a R$ 3 - meio de transporte comuníssimo no interior, mas eu fui com um certo medo, pois só tinha andado de moto uma vez. Lá, depois do processo todo (banca, entrevista, departamento pessoal...), teria que pegar um táxi até a rodoviária e lá, a condução para Recife, mas peguei dois ônibus locais e na rodoviária, embarquei numa "lotação" que por R$ 25 me deixou na porta de casa, em Setúbal. Faltou só andar de jegue e de bicicleta. Pra completar, conheci uma figuraça na "lotação" de volta - uma moça chamada Katherine, que faz esse trajeto diário e que pegou meu telefone, pra gente gargalhar mais vezes juntas.

Juízo, hein? Ê, vida.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Programa Quintal


Sábado foi minha última entrevista sobre o livro, no Programa Quintal (Rádio Folha). Ri muito com Catarina e Karlilian e falei sobre meu trabalho. Já tou quase ficando acostumada (ainda é difícil falar, principalmente se for na televisão, mas tou me desenrolando). Fica aí um registro pra vocês. Tem uma imagem parecida no fotolog delas. O tragicômico é que eu fui com uma roupa velha e largada, crente que não ia aparecer. Aí, quando eu vejo, sacam a máquina... É o vestidinho vermelho fazendo história! Hahahaha.

domingo, fevereiro 05, 2006

Ádrea manda mais fotos...

Estas são algumas das fotos do churrasco de despedida, no meu último fim de semana no Rio de Janeiro. Foi na casa de Ruani, essa lindona simpática de cor de rosa. Fica em Santa Teresa. Dia pra rir muito, reunir amigos que até então não se conheciam, e já ficar com saudade prévia!
Para conferir mais imagens desse dia, clique aqui.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Fatumbi

Deixo aqui uma flor para Florilton, que eu só conheci de fama, por ser amigo de tantos amigos - e como reza a lei da matemática, quem gosta de quem eu gosto, merece o meu gostar. Sei que era engraçado, competente e um ótimo jornalista. Vinha torcendo por ele desde que soube estava internado num hospital, após voltar da África debilitado, depois de uma viagem de safári antropológico que ele, fã de Pierre Verger, resolveu fazer. Ouvi os boatos mais loucos, de que pegou uma doença tropical fulminante, que estava na quarentena. Ouvi que já vinha com os pulmões meio ruins e o clima lá foi fatal. Não sei, não quero saber.
Me impressiona que tenha partido justamente ontem, dia de Iemanjá. Espero que como Verger ele tenha renascido no Ifá, que tenha encontrado algo de belo e importante nesta viagem. Que leve com ele o carinho de muita gente que o amava. Que leve a minha rosa branca e a minha promessa de que se existirem outras vidas, e a gente um dia se cruzar, não vou perder a chance de me fazer sua amiga.

Feira 'dos Paraíbas'

Chegaram hoje as primeiras fotos, justo quando começo a sentir mais saudade - e aí elas funcionam como faca de dois gumes, atenuando e atiçando minha vontade de estar com gente de que gosto MUITO. Não contei pra vocês, mas os últimos dias no Rio foram infernais, tentando finalizar trabalhos e embalar minha mudança (tadinho de Leo, que foi quem mais me suportou, num sentido duplo e óbvio).

Na sexta-feira, que era feriado (dia de São Sebastião, padroeiro do Rio), fui com ele à feira de São Cristóvão, acertar os últimos detalhes na transportadora (essa é outra longa história, fiz inúmeras cotações de preço e para trazer de lá uma geladeira, uma máquina de lavar, uma tevê, um sofá-cama e dez caixas de trecos, me pediram de R$ oito mil - sim, oito mil!- até os R$ 900 em que acabei morrendo, contrariada). Claro que, já estando lá, e morrendo de fome, chamamos a Diaba e a Diabinha pra nos fazerem companhia. Eram quase três da tarde quando sentamos numa barraca, comemos uma galinha à cabidela borrachenta e horrorosa, e Ádrea e Jade chegaram por lá - a mãe com uma máquina digital na mão, a filha com um riso empoleirado na cara.

Minha primeira providência como deseducadora foi aproveitar uma distração da Diaba e passar R$ 10 pra Diabinha - "é nosso segredo, é pra você comprar o que quiser". Isso melhorou bastante o humor e a disposição da criatura, que apesar de gente boníssima tem apenas seis anos e odeia programa de adulto, ainda mais quando inventam de beber cerveja que nem Leo faz. E começaram as compras: ... um passarinho azul e pulador a R$ 2...

...dez minutos de cama elástica... ....potes de sorvete de açaí (ela é do Pará, dá pra notar?) e um pintinho de corda. Jade é o cão em figura de gente e logo nos mostrou que sabe usar os recursos da máquina digital melhor que qualquer adulto. Quando, me digam, a gente ia descobrir essa moldura brega-mimosa de florzinhas, que ela fez o favor de inserir em todas as fotos que bateu?

Mas a parte mais engraçada do dia foi quando já estávamos indo embora. Ouvimos uns gritos horríveis, como um porco que estivesse sendo sacrificado, uma coisa pavorosa e indescritível. Aí, percebemos que era uma pessoa cantando. Não resistimos e fomos ver a cara de tal criatura. Era essa aí: Se vocês estão achando a roupa dela engraçada, é porque não viram o sapato da moça - alto, e de oncinha! Uma coisa! Quando entramos no recinto do karaokê, a garçonete veio correndo com um olhar de súplica e falou: "Por favor, ajudem meus ouvidos, ela é uma ótima cliente, mas da última vez que veio aqui botou 30 fichas na máquina!" Hahaha. Diante do pedido, cada um se sentiu obrigado a cantar uma música. O problema é que a cantora acima não podia esperar quatro pessoas passarem à frente dela, e enfiava as próprias fichas correndo, na hora em que a gente ainda estava de microfone na mão.

Teve um momento em que os trinados ficaram piores e Jade arregalou os olhos, soltando a melhor do dia: "MÃE! Vamos embora, que meus olhos vão estourar! Essa mulher vai destruir a camada de ozônio!"

Por fim, pra alegria da artista que ficou com a máquina só pra ela, nós fomos embora mesmo. No carro, fui tentar imitar os zurros que ela dava, e a mulher que dirigia o automóvel de junto quase bate (cena hilária, juro por Deus). A última visita a São Cristóvão foi um jeito legal de me despedir de um pedacinho do Rio, e as fotos estão aí como testemunhas! Falta só a Diaba me mandar as restantes (surpresa, só falo delas na hora de postar). Beijo, Jade! Beijo, Ádrea! Beijo, Leo! Saudade enorme de vocês.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A grande noite

Quem estava lá sabe, e viu como eu estava feliz! Meu livro foi lançado na quarta, dia 25 de janeiro, na Livraria Cultura, em Recife (confiram as fotos aqui). Mas desde a terça que estou numa badalação só: dei entrevista pra Globo, pra TV Universitária (que retransmite a TVE e a Cultura, aqui em Pernambuco), saiu matéria impressa nos jornais, ontem falei na rádio, o escambau, tô chique no úrtimo, e até com assessor de imprensa!, um cabra lindo e gente boa chamado Marcelo, meu mais recente amigo.
A noite da quarta foi mágica, chorei feito doida ao microfone: não dava pra controlar a emoção, era tempo demais esperando por este momento. E se eu estava alegre por ver tanta gente querida reunida, sentia falta de vários seres amados que já não estão comigo neste mundo, e que com certeza estariam lá, orgulhosos, na primeira fila me aplaudindo.
Mais de uma pessoa veio me dizer que eu estava iluminada, radiante, e é esse o termo mesmo, alegria grande a gente sente de longe e transmite pra quem nos cerca. Não vou citar aqui quem foi lá, porque muitos estavam só em pensamento mas estiveram presentes; outros mal me cumprimentaram, mas eu pude sentir a torcida... Não quero correr o risco de omitir ninguém... Só sei que poucas vezes na vida me senti tão cercada de amor, e isso é inesquecível, e eu agradeço a cada um de vocês por esta dádiva.

sábado, janeiro 21, 2006

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Bibinha

Olhem só como ela tá uma mocinha! Luluca, tou chegando, pra arrochar bem muito você e te defender das coisas ridículas que teu pai burro-negro faz contigo!!!

Declaração de... amor?


(Postada por Nininho, em 16 de janeiro de 2005)

terça-feira, janeiro 17, 2006

Ganhando o mundo



Encerrei hoje mais uma etapa da minha vida profissional: terminei meu contrato com o Instituto Souza Cruz e, embora ainda vá fazer um frila pra eles, este mês, estou oficialmente desempregada. Pra falar a verdade, não estou triste, embora vá sentir falta do convívio pessoal com meus colegas (Gi e Lu, se estiverem lendo aqui, recebam um beijo!). Estou voltando pra Recife cheia de gás, coisas boas têm me acontecido, e de certo já tenho pelo menos uma disciplina para oferecer, à noite, numa faculdade de comunicação. Faz tempo que eu não me sinto tão bem e tão estimulada, por paradoxal que seja. E enquanto esvazio montes de gavetas e desmonto meu cantinho, não acho espaço pra tristeza, só pra esperança.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Hummm...

Eu sei que a maior parte dos meus amigos odiava a fase em que eu postava minhas previsões astrológicas aqui no sítio. Mas essa aqui, sinceramente, eu tinha que partilhar. Tomara, meu Deus, tomara...

Brilho pessoal! Sol em conjunção com Lua natal
Todos os anos, sempre entre os dias 14/01 às 07:48h e 31/01 às 00:52h, o Sol em trânsito se conjuga à Lua do seu mapa, Mariana. Este tende a ser um período feliz e de particular brilho pessoal, mas só se você estiver colaborando para esta felicidade. Traduzindo em miúdos, este ciclo age como uma espécie de “catalisador” para aqueles que vêm tomando atos construtivos e que estão se empenhando em algum projeto que envolva o próprio desenvolvimento. Para aqueles que se encontram na inércia, este ciclo também não deixa de ser positivo, e tem a ver com uma “sacudida” que o Universo dá na pessoa, estimulando-a a despertar, a acordar pra vida. O efeito deste trânsito é o de uma “lua nova pessoal”, um período propício para os novos inícios, para lançar-se em projetos novos. A sensação associada é a de renovação. Procure dar atenção aos seus impulsos de alma neste momento, pois, por mais “loucos” que lhe pareçam, eles estarão provavelmente lhe revelando os seus caminhos naturais para este período. O Sol ilumina a Lua, Mariana, o que sugere um período de maior consciência pessoal, uma fase de descobertas pessoais importantes; é provável que você venha a “se tocar” de aspectos de sua vida que estavam particularmente inertes e que você precisa se livrar. Neste período, cuja palavra-chave é a consciência, você se apercebe de hábitos e comportamentos que talvez tenham lhe agradado por muito tempo, mas que você precisa deixar para trás, a fim de se tornar uma pessoa melhor. E o mais interessante é que sua alma estará propensa a este ato de renovar-se. Aproveite!
E mais, Mariana: atente bem para os acontecimentos que ocorrerão em alguns dias específicos, pois nestes momentos é bem provável que você venha a receber boas notícias ou tomar atitudes altamente resolutivas em sua vida. A Lua estará se harmonizando com o Sol do seu mapa de nascimento, possibilitando horas extremamente construtivas e positivas para iniciar novos projetos, resolver problemas que antes lhe pareciam insolúveis, etc. Os dias são os seguintes: entre 17/01 e 18/01 e 26/01 e 27/01.

Ao pé do ouvido


Eu procuro um amor que ainda não encontrei
diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
e as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema
numa esquina ou numa mesa de bar
Procuro um amor que seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo
quando começar a conhecer os meus segredos
Eu procuro um amor, uma razão para viver
e as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
mas eu disfarço e não saio sem ela de lá
Procuro um amorque seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim

"Segredos", Frejat
*Obs.: cantaram essa musiquinha pra mim...

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Diaba: minha anja

No dia em que eu me senti mais triste e sozinha aqui no Rio, ela soube sem que eu dissesse, e veio até minha casa ficar comigo e me ver chorar. No dia em que ela soube que eu não ia mais ficar no Rio, ela disfarçou e foi chorar sozinha. Não consigo acreditar que só fazem seis meses que conheço essa mulher, esse riso largo, esse colo fácil, essa ginga maluca, esse juízo ora grande ora pequeno demais. Porque meu amor por ela é muito, é pra sempre, é de verdade. E foi construído sobre alicerces fortes, à custa de muita conversa e muito silêncio - acima de tudo, muita cumplicidade.
Minha linda, eu sei que neste aniversário você está triste por uma série de razões mas eu te digo, Ádrea, que tua força e tua doçura tudo podem e tudo vão vencer. E hoje e sempre, meu carinho e minha amizade são seus, e isso nem tempo, nem distância, nada, ninguém arranca do meu coração.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Em memória de um elefante

“Fabrico um elefante de meus poucos recursos. Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio. E o encho de algodão, de paina, de doçura”Carlos Drummond de Andrade


Eu já vi tubarões amestrados, formigas gigantes, caranguejos dançarinos, jacarés no guarda-roupa, lobos que se disfarçavam de chinelo. Eu já criei sapos numa gamela de barro, construí uma cidade no quintal, cavei um buraco de três metros de fundura e lá enterrei todos os meus míseros brincos e anéis. Minha infância foi uma festa preciosa de sofrimento e magia, durante a qual fui podada em muitas coisas, mas nunca na imaginação. A presença do meu pai quando criança também era uma coisa complicada, Sama, e minha mãe achava que Papai Noel era uma invenção pequeno burguesa, mas ao ler a tua história senti pena dos adultos que matam a infância em si e nos outros, e que não sabem rir, e que não sabem enxergar com os olhos de ver. Será que uma dose maciça de Chagall, Amélie Poulain e García Marquez ajudam? Ou será que eles estão destinados à pobreza de ver apenas com os olhos da cara? Que bom que você ainda lembra do elefante, e que ele era azul, e se fez memória e história. Que bom que mesmo te faltando o pedaço tirado pelo beliscão, você é assim tão grande. Um beijo.

Ah, o amor...


Eu sempre achei ela linda. Mas de uns tempos pra cá, Thais está luminosa.
Eu sempre achei ele alegre. Mas de uns tempos pra cá, Tomé está radiante.
Coisa boa que é achar a tampa da panela da gente, não? Mesmo que a panela cozinhe bem destampada, mesmo que o amor seja só um quê a mais que é aquele quê a mais que faz a vida da gente valer a pena! Porque Thais já era bonita, e Tomé já era feliz. Mas o que eu vejo nos olhos deles é uma plenitude que transborda em qualquer foto, em qualquer lugar - coisa serena que dá vontade de sair dançando, alvoroço que aconchega e enternece quem vê.

terça-feira, janeiro 10, 2006

E se?


E se eu contar que seu sorriso é o espelho do meu coração / E que o coração é um baú inatingível pela mão / E se eu contar que a soma das estrelas resulta um número redondo e exato / E que a exatidão são todos os retratos possíveis de um mesmo fato /E se eu contar que a saudade é uma lembrança que sempre acontece /E que a lembrança veste girassóis quando anoitece
(Trecho de poema de Alisson Villa)

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Delicadeza


Passei pela sala com a juba em crise, esse meu cabelo maluco que eu só desembaraço mal e mal quando lavo, e que freqüentemente fica parecendo um vespeiro. “Vem cá”, ele falou pra mim. E me fez sentar em frente dele, feito uma menininha. E pegou um troço pequenino, imprestável, e passou uns quinze minutos dedicado à tarefa inglória de desembaraçar ela, a moita, com aquela escovinha mísera. Quase que eu disse “não”, diante do presente inesperado que me fez sentir como se tivesse cinco anos. Depois, me entreguei à experiência inesquecível. Foi como uma bênção, carinho escorrendo em cada madeixa e fluindo através de duas mãos grandes, estabanadas e levíssimas - como se ele beijasse cada pedacinho de mim.

É meu amigo!

Ó paí quem saiu na primeira página do Globo de hoje! Ah, moleque...
Se o bicho já era amostrado, agora lascou!
Um cheiro, Cabeça, te amo.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Mudança

Agora é de verdade, tou voltando pra Recife. O contrato de prestação de serviços que eu tinha não foi renovado, e a inquilina já estava desocupando minha casinha. Lá pelo dia 23, devo estar na terrinha. Tou ansiosa, preocupada, sem saber o que vai acontecer em termos de trabalho. Mas muito, muito feliz.
Agora é de verdade, tou indo embora do Rio. O contrato de prestação de serviços que eu tinha não foi renovado, e a inquilina já estava desocupando minha casinha. Lá pelo dia 23, devo estar partindo de vez. Tou serena, tranquila, certa de que era o que precisava ser feito. Mas muito, muito triste.

Como é que a gente concilia duas realidades separadas por dois mil quilômetros? Por que Recife não fica em Duque de Caxias? Por que o Rio não é perto de Itapissuma? Vou ver Dudu, mas deixar Nininho. Vou abraçar Debinha, mas estar longe de Ádrea. Rir muito com Eva, e não com Tomé. Farrear com Deza, Késia, Thiago, Martinha e Cláudia - e não com Thatá, Lu, Biscoita, Zé e Ângela. Fofocar com Zabá, Fatinha, Val, Paula, Orla e Kyara, e não com Ruane, Jorge, Marquinhos, Andréia, Tati e Delano. O Serginho perto de mim será o Cruz, e não o Correia. Dani e Kitty vão ficar felizes no Recife; Dani e Kitty vão sentir minha falta, no Rio. Vou comer tapioca e não joelho, agulha frita e não sardinha, e ir ao Beco da Fome, não ao Beco da Cirrose. Dançar maracatu, e não samba. Fazer farras gastronômicas pra Dadá e Rilton, e não pra Renata e Queops.


Será que vou ficar me sentindo assim, dividida? O coração fica quente quando penso que vou ver Luiza crescendo, que vou estar presente no primeiro aniversário dela. O olho enche de água porque sei que vou deixar muita gente querida por aqui, gente que eu não sei quando verei de novo, porque a passagem é cara e eu preciso me firmar. Principalmente quando penso em Leo, menino doce que não tem medo de dizer que gosta e de mostrar que já está triste, diante da perspectiva da minha ausência. Queria poder encaixotar meu gatinho, junto.

Paralelamente ao meu estado esquizofrênico de euforia e depressão, ainda estou tendo que lidar com o lado muito chato da mudança em si. A passagem de volta, caríssima, ainda não foi comprada. Também tenho que dar fim a alguns poucos objetos e embalar os outros, para a viagem. O computador, levo na mão - eta, Dudu, lembra da vinda? - e o resto, tem que ir de caminhão, sem data certa para chegar, aproveitando espaço numa mudança maior. Ainda assim, tou assustada com os preços. Em março, paguei R$ 500 pra trazer uma geladeira, uma máquina de lavar e dez caixas de trecos. Agora, pra levar exatamente a mesma coisa, pedi vários orçamentos, que oscilam de oito mil reais (sim!, oito mil) até R$ 900, que é o que vou acabar contratando. Bom, eu podia vender minha geladeira duplex lindinha que está há cinco anos me servindo maravilhosamente, e que é 220v, quando tudo aqui é 110v - resta ver quem iria comprar, e por quanto. Também podia deixar pra lá minha máquina de lavar semi-nova, que foi o último presente que minha mãe me deu. Ou abandonar meus livros, meus cds e minha famosa coleção de tatus. Mas sou um ser humano sentimental. E racionalmente falando, ainda vale a pena pagar, porque não conseguiria comprar as mesmas coisas, pelo mesmo preço, em Recife. Mas que dói no bolso, ah, isso dói.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Janis


I don’t care how long it’s gonna take you now,
But if it’s a dream I don’t want
- No I don’t really want it -
If it’s a dream I don’t want nobody to wake me.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Acho que foi um elogio

Renatinho Félix, meu amigo lindo lá das Paraíbas, fez uma cotação dos melhores blogues do ano e eu fui incluída em duas categorias: "Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa" e "Longe de casa há mais de uma semana". Hummm... tá. Confiram.
Um beijo, querido! Fim do mês vou pra terrinha, juro que lançar de verdade o meu livro. Você não topa ir lá, não?

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Feliz em 2006

É roubada, eu sei. Fui toda imprensada no metrô e na volta passei duas horas ilhada, parada dentro de um ônibus que não se mexia, até conseguir chegar em casa. Mas passar o reveillón na praia de Copacabana foi uma experiência inesquecível.
É experimentar o indiferenciado, como diria minha amiga Lucinha. Sair da 'escala' usual. Se integrar de tal forma à massa que, de repente, você não é mais você, é só mais uma formiguinha num mar de outras formigas. Ser completamente insignificante e, por isso, gigante, parte insubstituível da multidão, que de repente é um ser com vida e idéias próprias. Estádio de futebol, carnaval, passeatas e rodas de pogo num show de rock me dão a mesma sensação de euforia.
É brega, eu sei. Mas quando eu vi milhares de estrelinhas pipocando no céu, com cores multicolores que pareciam querer me engolir, minha garganta deu um nó e eu só consegui pensar no piegas mais óbvio, 'que bom que 2006 está nascendo, grandes coisas me estarão reservadas, adeus ano velho, o mundo me está sendo dado de presente agora, estou renascendo'. E era uma tristeza alegre, serena. Me inclinei pra trás feito criança, querendo ver mais e mais os fogos rasgando o céu. Encostada no peito largo de Leo, que tem o abraço melhor do mundo.
É bobo, eu sei, mas usei blusa e calcinha amarelas. Novas. Quero dinheiro, equilíbrio financeiro neste ano que começa. Aqui no Rio, ou em qualquer lugar, preciso me assentar e ter alguma segurança. E ajudei a poluir a praia: comprei quatro rosas brancas a um real, de um menininho sorridente que me deu uma flor a mais de graça, e joguei no mar mentalizando coisas boas. Só duas, que as outras duas dei a Leo pra ele fazer o pedido dele também. Só não sei o que pediu e não posso contar o meu, senão não se realiza.
Da praia fui pra casa de Lígia, comemorar com os Sambamantes. Aí foi comilança, mojito no quengo, farofa, abraços e beijos. Como é bom ter amigos! A alegria desse povo me enternece sempre, incrível como um grupo criado pela internet, com o único 'mote' de serem fãs de samba, pode juntar tanta gente boa... E pra encerrar a saga do primeiro dia do ano, à tarde fui com Marquinhos, Andréa, Teresa e Leo pra Feira de São Cristóvão (de novo!). Apesar da chuva, deu pra cantar no videokê e rir muito. Nada melhor que começar 2006 com quebra-queixo e baião de dois no bucho, e alegria no coração.