Agora é de verdade, tou indo embora do Rio. O contrato de prestação de serviços que eu tinha não foi renovado, e a inquilina já estava desocupando minha casinha. Lá pelo dia 23, devo estar partindo de vez. Tou serena, tranquila, certa de que era o que precisava ser feito. Mas muito, muito triste.

Como é que a gente concilia duas realidades separadas por dois mil quilômetros? Por que Recife não fica em Duque de Caxias? Por que o Rio não é perto de Itapissuma? Vou ver Dudu, mas deixar Nininho. Vou abraçar Debinha, mas estar longe de Ádrea. Rir muito com Eva, e não com Tomé. Farrear com Deza, Késia, Thiago, Martinha e Cláudia - e não com Thatá, Lu, Biscoita, Zé e Ângela. Fofocar com Zabá, Fatinha, Val, Paula, Orla e Kyara, e não com Ruane, Jorge, Marquinhos, Andréia, Tati e Delano. O Serginho perto de mim será o Cruz, e não o Correia. Dani e Kitty vão ficar felizes no Recife; Dani e Kitty vão sentir minha falta, no Rio. Vou comer tapioca e não joelho, agulha frita e não sardinha, e ir ao Beco da Fome, não ao Beco da Cirrose. Dançar maracatu, e não samba. Fazer farras gastronômicas pra Dadá e Rilton, e não pra Renata e Queops.

Será que vou ficar me sentindo assim, dividida? O coração fica quente quando penso que vou ver Luiza crescendo, que vou estar presente no primeiro aniversário dela. O olho enche de água porque sei que vou deixar muita gente querida por aqui, gente que eu não sei quando verei de novo, porque a passagem é cara e eu preciso me firmar. Principalmente quando penso em Leo, menino doce que não tem medo de dizer que gosta e de mostrar que já está triste, diante da perspectiva da minha ausência. Queria poder encaixotar meu gatinho, junto.
Paralelamente ao meu estado esquizofrênico de euforia e depressão, ainda estou tendo que lidar com o lado muito chato da mudança em si. A passagem de volta, caríssima, ainda não foi comprada. Também tenho que dar fim a alguns poucos objetos e embalar os outros, para a viagem. O computador, levo na mão - eta, Dudu, lembra da vinda? - e o resto, tem que ir de caminhão, sem data certa para chegar, aproveitando espaço numa mudança maior. Ainda assim, tou assustada com os preços. Em março, paguei R$ 500 pra trazer uma geladeira, uma máquina de lavar e dez caixas de trecos. Agora, pra levar exatamente a mesma coisa, pedi vários orçamentos, que oscilam de oito mil reais (sim!, oito mil) até R$ 900, que é o que vou acabar contratando. Bom, eu podia vender minha geladeira duplex lindinha que está há cinco anos me servindo maravilhosamente, e que é 220v, quando tudo aqui é 110v - resta ver quem iria comprar, e por quanto. Também podia deixar pra lá minha máquina de lavar semi-nova, que foi o último presente que minha mãe me deu. Ou abandonar meus livros, meus cds e minha famosa coleção de tatus. Mas sou um ser humano sentimental. E racionalmente falando, ainda vale a pena pagar, porque não conseguiria comprar as mesmas coisas, pelo mesmo preço, em Recife. Mas que dói no bolso, ah, isso dói.
13 comentários:
Q felicidadeeee, Mari!
Mas, peraí, e o seu doutorado? Tem q terminar, viu? Quero ser sua aluna um dia!
Beijaaaao, já tamos esperando vc aqui!
Meus créditos já foram concluídos, Clau. Agora é só coletar a pesquisa e escrever, e isso eu farei melhor em Recife -- é um dos motivos de eu estar voltando, inclusive. Já acertei tudo com meu orientador. Obrigada pela força, minha linda. Beijo.
Por aqui já rolavam lágrimas. Agora com essa notícia, elas aumentaram... Espero poder lhe ver antes, apesar de odiar despedidas, principalmente quando a gente sente que pode ser pra sempre...
Você deixou boas marcas, que nem esfregando irão sair...
Trem Maluco, A gente não vai se perder...
Ô, meu lindo... Quero te ver sim, mas pode ter certeza de que não vou 'pra sempre', e que voce mora no meu coração! Um cheiro
Tou indo pra frente sim, só espero não estar à beira do abismo, hehehe (risada sarcástica de quem está com medo).
Não tem outro jeito, então tou tranquila, Fá. E consegui o que tinha vindo buscar aqui no Rio, agora é só meter as caras na pesquisa.
Obrigada pela torcida e carinho. Cheiro...
Nossa! E a gente nem se conheceu, né?
Mas Recife é um sonho de cidade, uma delícia!
Boa sorte com tudo.
Um beijo.
Quem sabe ainda dá tempo... Só vou dia 23. Beijo!
Me avisa quando chegar, hein?
Renatinho, claro que aviso, mas já tá marcado: dia 25 estarei aí no lançamento e se vc puder estar lá, ficarei felicíssima!
Evita, esse aconchego todo que recebo dos amigos é o melhor fermento pros meus sonhos. Obrigada, obrigada, obrigada.
Um cheiro, chérie!
E eu não sei, minha linda? Minha pariceira querida! ;.)
Tb te amo, Kesinha! Um cheiro
É difícil disfarçar a tristeza... Sabe que a notícia bombástica ainda não tinha caído como uma ficha? Sabia que estava indo pra Recife, pelo email que mandou para o grupo , mas não entendi (ou não quis entender) que era de vez! Aidna bem que existe a internet e os blogues para aliviar a saudade... Saber que não é só ligar que você vai aparecer nos encontros é meio barra... Ah, meu Esboço, sentirei a sua falta e a do toque especial que trouxe aos Sambamantes... "Cheiro"...
Tomara que tenha valido TUDO a pena...
Mentira!!! Nem tudo na vida da gente vale a pena... elas nos servem apenas como escadas para novas tentativas para continuarmos a luta para enfim, chegarmos onde sempre tivemos vontade de estar. Se fosse assim tão fácil, não tentarias MELHORAR NADA, ai seria apenas mais uma MARIANA no MUNDO.
Legal ter lhe conhecido, ri muitas vezes, " Carlitos" que o diga.
Poucos foram as possibilidades de conversar, mas quem disse que para gostar precisa dormir junto, beber junto todos os dias, sentir o bafo da boca ao acordar?
Nada disso! para gostar, é preciso apenas ter respeito pelo jeito de ser, não precisar perder tempo com ATRITOS, DESENTENDIMENTOS, COM FALSAS PROMESSAS, COM FALSAS DECLARAÇÕES... é simplesmente AMAR incondicionalmente ...
Legal essa temporada por aqui, legal esse MUNDO de gente que conheceu, legal esse jeitão MOLECA, CAIPIRA ( no sentido de caricata), enfim...
Lhe desejo TODA SORTE deste mundo para você continuar LUTANDO, LUTANDO e LUTANDO.
O Rio de Janeiro, foi uma etapa, que poderia ter sido em São Paulo, Belo Horizonte, EUA... o mais importante é ter deixado uma marca.
A marca de MULHER GUERREIRA, que nem precisa muito lhe conhecer, para saber que és, daquelas bem PORRETA... mas que no fundo no fundo: é uma MARIA... MOLE MOLE.
Essa carcaça nunca me enganou, que existe mesmo é uma criançona por trás desse corpão de mulher.
Valeu menina, fica a dívida para que no seu retorno possa definitivamente terminar o que não começou:
NOSSAS AULAS DE DANÇA, kkkkkkkkkkk.
BEIJOCAS, BOA VIAGEM e QUE DEUS ESTEJA EM SEU CAMINHO ILUMINANDO TODAS AS SUAS FUTURAS DECISÕES.
ai...já tá batendo a saudade antecipada....
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