sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Feira 'dos Paraíbas'

Chegaram hoje as primeiras fotos, justo quando começo a sentir mais saudade - e aí elas funcionam como faca de dois gumes, atenuando e atiçando minha vontade de estar com gente de que gosto MUITO. Não contei pra vocês, mas os últimos dias no Rio foram infernais, tentando finalizar trabalhos e embalar minha mudança (tadinho de Leo, que foi quem mais me suportou, num sentido duplo e óbvio).

Na sexta-feira, que era feriado (dia de São Sebastião, padroeiro do Rio), fui com ele à feira de São Cristóvão, acertar os últimos detalhes na transportadora (essa é outra longa história, fiz inúmeras cotações de preço e para trazer de lá uma geladeira, uma máquina de lavar, uma tevê, um sofá-cama e dez caixas de trecos, me pediram de R$ oito mil - sim, oito mil!- até os R$ 900 em que acabei morrendo, contrariada). Claro que, já estando lá, e morrendo de fome, chamamos a Diaba e a Diabinha pra nos fazerem companhia. Eram quase três da tarde quando sentamos numa barraca, comemos uma galinha à cabidela borrachenta e horrorosa, e Ádrea e Jade chegaram por lá - a mãe com uma máquina digital na mão, a filha com um riso empoleirado na cara.

Minha primeira providência como deseducadora foi aproveitar uma distração da Diaba e passar R$ 10 pra Diabinha - "é nosso segredo, é pra você comprar o que quiser". Isso melhorou bastante o humor e a disposição da criatura, que apesar de gente boníssima tem apenas seis anos e odeia programa de adulto, ainda mais quando inventam de beber cerveja que nem Leo faz. E começaram as compras: ... um passarinho azul e pulador a R$ 2...

...dez minutos de cama elástica... ....potes de sorvete de açaí (ela é do Pará, dá pra notar?) e um pintinho de corda. Jade é o cão em figura de gente e logo nos mostrou que sabe usar os recursos da máquina digital melhor que qualquer adulto. Quando, me digam, a gente ia descobrir essa moldura brega-mimosa de florzinhas, que ela fez o favor de inserir em todas as fotos que bateu?

Mas a parte mais engraçada do dia foi quando já estávamos indo embora. Ouvimos uns gritos horríveis, como um porco que estivesse sendo sacrificado, uma coisa pavorosa e indescritível. Aí, percebemos que era uma pessoa cantando. Não resistimos e fomos ver a cara de tal criatura. Era essa aí: Se vocês estão achando a roupa dela engraçada, é porque não viram o sapato da moça - alto, e de oncinha! Uma coisa! Quando entramos no recinto do karaokê, a garçonete veio correndo com um olhar de súplica e falou: "Por favor, ajudem meus ouvidos, ela é uma ótima cliente, mas da última vez que veio aqui botou 30 fichas na máquina!" Hahaha. Diante do pedido, cada um se sentiu obrigado a cantar uma música. O problema é que a cantora acima não podia esperar quatro pessoas passarem à frente dela, e enfiava as próprias fichas correndo, na hora em que a gente ainda estava de microfone na mão.

Teve um momento em que os trinados ficaram piores e Jade arregalou os olhos, soltando a melhor do dia: "MÃE! Vamos embora, que meus olhos vão estourar! Essa mulher vai destruir a camada de ozônio!"

Por fim, pra alegria da artista que ficou com a máquina só pra ela, nós fomos embora mesmo. No carro, fui tentar imitar os zurros que ela dava, e a mulher que dirigia o automóvel de junto quase bate (cena hilária, juro por Deus). A última visita a São Cristóvão foi um jeito legal de me despedir de um pedacinho do Rio, e as fotos estão aí como testemunhas! Falta só a Diaba me mandar as restantes (surpresa, só falo delas na hora de postar). Beijo, Jade! Beijo, Ádrea! Beijo, Leo! Saudade enorme de vocês.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A grande noite

Quem estava lá sabe, e viu como eu estava feliz! Meu livro foi lançado na quarta, dia 25 de janeiro, na Livraria Cultura, em Recife (confiram as fotos aqui). Mas desde a terça que estou numa badalação só: dei entrevista pra Globo, pra TV Universitária (que retransmite a TVE e a Cultura, aqui em Pernambuco), saiu matéria impressa nos jornais, ontem falei na rádio, o escambau, tô chique no úrtimo, e até com assessor de imprensa!, um cabra lindo e gente boa chamado Marcelo, meu mais recente amigo.
A noite da quarta foi mágica, chorei feito doida ao microfone: não dava pra controlar a emoção, era tempo demais esperando por este momento. E se eu estava alegre por ver tanta gente querida reunida, sentia falta de vários seres amados que já não estão comigo neste mundo, e que com certeza estariam lá, orgulhosos, na primeira fila me aplaudindo.
Mais de uma pessoa veio me dizer que eu estava iluminada, radiante, e é esse o termo mesmo, alegria grande a gente sente de longe e transmite pra quem nos cerca. Não vou citar aqui quem foi lá, porque muitos estavam só em pensamento mas estiveram presentes; outros mal me cumprimentaram, mas eu pude sentir a torcida... Não quero correr o risco de omitir ninguém... Só sei que poucas vezes na vida me senti tão cercada de amor, e isso é inesquecível, e eu agradeço a cada um de vocês por esta dádiva.

sábado, janeiro 21, 2006

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Bibinha

Olhem só como ela tá uma mocinha! Luluca, tou chegando, pra arrochar bem muito você e te defender das coisas ridículas que teu pai burro-negro faz contigo!!!

Declaração de... amor?


(Postada por Nininho, em 16 de janeiro de 2005)

terça-feira, janeiro 17, 2006

Ganhando o mundo



Encerrei hoje mais uma etapa da minha vida profissional: terminei meu contrato com o Instituto Souza Cruz e, embora ainda vá fazer um frila pra eles, este mês, estou oficialmente desempregada. Pra falar a verdade, não estou triste, embora vá sentir falta do convívio pessoal com meus colegas (Gi e Lu, se estiverem lendo aqui, recebam um beijo!). Estou voltando pra Recife cheia de gás, coisas boas têm me acontecido, e de certo já tenho pelo menos uma disciplina para oferecer, à noite, numa faculdade de comunicação. Faz tempo que eu não me sinto tão bem e tão estimulada, por paradoxal que seja. E enquanto esvazio montes de gavetas e desmonto meu cantinho, não acho espaço pra tristeza, só pra esperança.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Hummm...

Eu sei que a maior parte dos meus amigos odiava a fase em que eu postava minhas previsões astrológicas aqui no sítio. Mas essa aqui, sinceramente, eu tinha que partilhar. Tomara, meu Deus, tomara...

Brilho pessoal! Sol em conjunção com Lua natal
Todos os anos, sempre entre os dias 14/01 às 07:48h e 31/01 às 00:52h, o Sol em trânsito se conjuga à Lua do seu mapa, Mariana. Este tende a ser um período feliz e de particular brilho pessoal, mas só se você estiver colaborando para esta felicidade. Traduzindo em miúdos, este ciclo age como uma espécie de “catalisador” para aqueles que vêm tomando atos construtivos e que estão se empenhando em algum projeto que envolva o próprio desenvolvimento. Para aqueles que se encontram na inércia, este ciclo também não deixa de ser positivo, e tem a ver com uma “sacudida” que o Universo dá na pessoa, estimulando-a a despertar, a acordar pra vida. O efeito deste trânsito é o de uma “lua nova pessoal”, um período propício para os novos inícios, para lançar-se em projetos novos. A sensação associada é a de renovação. Procure dar atenção aos seus impulsos de alma neste momento, pois, por mais “loucos” que lhe pareçam, eles estarão provavelmente lhe revelando os seus caminhos naturais para este período. O Sol ilumina a Lua, Mariana, o que sugere um período de maior consciência pessoal, uma fase de descobertas pessoais importantes; é provável que você venha a “se tocar” de aspectos de sua vida que estavam particularmente inertes e que você precisa se livrar. Neste período, cuja palavra-chave é a consciência, você se apercebe de hábitos e comportamentos que talvez tenham lhe agradado por muito tempo, mas que você precisa deixar para trás, a fim de se tornar uma pessoa melhor. E o mais interessante é que sua alma estará propensa a este ato de renovar-se. Aproveite!
E mais, Mariana: atente bem para os acontecimentos que ocorrerão em alguns dias específicos, pois nestes momentos é bem provável que você venha a receber boas notícias ou tomar atitudes altamente resolutivas em sua vida. A Lua estará se harmonizando com o Sol do seu mapa de nascimento, possibilitando horas extremamente construtivas e positivas para iniciar novos projetos, resolver problemas que antes lhe pareciam insolúveis, etc. Os dias são os seguintes: entre 17/01 e 18/01 e 26/01 e 27/01.

Ao pé do ouvido


Eu procuro um amor que ainda não encontrei
diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
e as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema
numa esquina ou numa mesa de bar
Procuro um amor que seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo
quando começar a conhecer os meus segredos
Eu procuro um amor, uma razão para viver
e as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
mas eu disfarço e não saio sem ela de lá
Procuro um amorque seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim

"Segredos", Frejat
*Obs.: cantaram essa musiquinha pra mim...

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Diaba: minha anja

No dia em que eu me senti mais triste e sozinha aqui no Rio, ela soube sem que eu dissesse, e veio até minha casa ficar comigo e me ver chorar. No dia em que ela soube que eu não ia mais ficar no Rio, ela disfarçou e foi chorar sozinha. Não consigo acreditar que só fazem seis meses que conheço essa mulher, esse riso largo, esse colo fácil, essa ginga maluca, esse juízo ora grande ora pequeno demais. Porque meu amor por ela é muito, é pra sempre, é de verdade. E foi construído sobre alicerces fortes, à custa de muita conversa e muito silêncio - acima de tudo, muita cumplicidade.
Minha linda, eu sei que neste aniversário você está triste por uma série de razões mas eu te digo, Ádrea, que tua força e tua doçura tudo podem e tudo vão vencer. E hoje e sempre, meu carinho e minha amizade são seus, e isso nem tempo, nem distância, nada, ninguém arranca do meu coração.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Em memória de um elefante

“Fabrico um elefante de meus poucos recursos. Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio. E o encho de algodão, de paina, de doçura”Carlos Drummond de Andrade


Eu já vi tubarões amestrados, formigas gigantes, caranguejos dançarinos, jacarés no guarda-roupa, lobos que se disfarçavam de chinelo. Eu já criei sapos numa gamela de barro, construí uma cidade no quintal, cavei um buraco de três metros de fundura e lá enterrei todos os meus míseros brincos e anéis. Minha infância foi uma festa preciosa de sofrimento e magia, durante a qual fui podada em muitas coisas, mas nunca na imaginação. A presença do meu pai quando criança também era uma coisa complicada, Sama, e minha mãe achava que Papai Noel era uma invenção pequeno burguesa, mas ao ler a tua história senti pena dos adultos que matam a infância em si e nos outros, e que não sabem rir, e que não sabem enxergar com os olhos de ver. Será que uma dose maciça de Chagall, Amélie Poulain e García Marquez ajudam? Ou será que eles estão destinados à pobreza de ver apenas com os olhos da cara? Que bom que você ainda lembra do elefante, e que ele era azul, e se fez memória e história. Que bom que mesmo te faltando o pedaço tirado pelo beliscão, você é assim tão grande. Um beijo.

Ah, o amor...


Eu sempre achei ela linda. Mas de uns tempos pra cá, Thais está luminosa.
Eu sempre achei ele alegre. Mas de uns tempos pra cá, Tomé está radiante.
Coisa boa que é achar a tampa da panela da gente, não? Mesmo que a panela cozinhe bem destampada, mesmo que o amor seja só um quê a mais que é aquele quê a mais que faz a vida da gente valer a pena! Porque Thais já era bonita, e Tomé já era feliz. Mas o que eu vejo nos olhos deles é uma plenitude que transborda em qualquer foto, em qualquer lugar - coisa serena que dá vontade de sair dançando, alvoroço que aconchega e enternece quem vê.

terça-feira, janeiro 10, 2006

E se?


E se eu contar que seu sorriso é o espelho do meu coração / E que o coração é um baú inatingível pela mão / E se eu contar que a soma das estrelas resulta um número redondo e exato / E que a exatidão são todos os retratos possíveis de um mesmo fato /E se eu contar que a saudade é uma lembrança que sempre acontece /E que a lembrança veste girassóis quando anoitece
(Trecho de poema de Alisson Villa)

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Delicadeza


Passei pela sala com a juba em crise, esse meu cabelo maluco que eu só desembaraço mal e mal quando lavo, e que freqüentemente fica parecendo um vespeiro. “Vem cá”, ele falou pra mim. E me fez sentar em frente dele, feito uma menininha. E pegou um troço pequenino, imprestável, e passou uns quinze minutos dedicado à tarefa inglória de desembaraçar ela, a moita, com aquela escovinha mísera. Quase que eu disse “não”, diante do presente inesperado que me fez sentir como se tivesse cinco anos. Depois, me entreguei à experiência inesquecível. Foi como uma bênção, carinho escorrendo em cada madeixa e fluindo através de duas mãos grandes, estabanadas e levíssimas - como se ele beijasse cada pedacinho de mim.

É meu amigo!

Ó paí quem saiu na primeira página do Globo de hoje! Ah, moleque...
Se o bicho já era amostrado, agora lascou!
Um cheiro, Cabeça, te amo.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Mudança

Agora é de verdade, tou voltando pra Recife. O contrato de prestação de serviços que eu tinha não foi renovado, e a inquilina já estava desocupando minha casinha. Lá pelo dia 23, devo estar na terrinha. Tou ansiosa, preocupada, sem saber o que vai acontecer em termos de trabalho. Mas muito, muito feliz.
Agora é de verdade, tou indo embora do Rio. O contrato de prestação de serviços que eu tinha não foi renovado, e a inquilina já estava desocupando minha casinha. Lá pelo dia 23, devo estar partindo de vez. Tou serena, tranquila, certa de que era o que precisava ser feito. Mas muito, muito triste.

Como é que a gente concilia duas realidades separadas por dois mil quilômetros? Por que Recife não fica em Duque de Caxias? Por que o Rio não é perto de Itapissuma? Vou ver Dudu, mas deixar Nininho. Vou abraçar Debinha, mas estar longe de Ádrea. Rir muito com Eva, e não com Tomé. Farrear com Deza, Késia, Thiago, Martinha e Cláudia - e não com Thatá, Lu, Biscoita, Zé e Ângela. Fofocar com Zabá, Fatinha, Val, Paula, Orla e Kyara, e não com Ruane, Jorge, Marquinhos, Andréia, Tati e Delano. O Serginho perto de mim será o Cruz, e não o Correia. Dani e Kitty vão ficar felizes no Recife; Dani e Kitty vão sentir minha falta, no Rio. Vou comer tapioca e não joelho, agulha frita e não sardinha, e ir ao Beco da Fome, não ao Beco da Cirrose. Dançar maracatu, e não samba. Fazer farras gastronômicas pra Dadá e Rilton, e não pra Renata e Queops.


Será que vou ficar me sentindo assim, dividida? O coração fica quente quando penso que vou ver Luiza crescendo, que vou estar presente no primeiro aniversário dela. O olho enche de água porque sei que vou deixar muita gente querida por aqui, gente que eu não sei quando verei de novo, porque a passagem é cara e eu preciso me firmar. Principalmente quando penso em Leo, menino doce que não tem medo de dizer que gosta e de mostrar que já está triste, diante da perspectiva da minha ausência. Queria poder encaixotar meu gatinho, junto.

Paralelamente ao meu estado esquizofrênico de euforia e depressão, ainda estou tendo que lidar com o lado muito chato da mudança em si. A passagem de volta, caríssima, ainda não foi comprada. Também tenho que dar fim a alguns poucos objetos e embalar os outros, para a viagem. O computador, levo na mão - eta, Dudu, lembra da vinda? - e o resto, tem que ir de caminhão, sem data certa para chegar, aproveitando espaço numa mudança maior. Ainda assim, tou assustada com os preços. Em março, paguei R$ 500 pra trazer uma geladeira, uma máquina de lavar e dez caixas de trecos. Agora, pra levar exatamente a mesma coisa, pedi vários orçamentos, que oscilam de oito mil reais (sim!, oito mil) até R$ 900, que é o que vou acabar contratando. Bom, eu podia vender minha geladeira duplex lindinha que está há cinco anos me servindo maravilhosamente, e que é 220v, quando tudo aqui é 110v - resta ver quem iria comprar, e por quanto. Também podia deixar pra lá minha máquina de lavar semi-nova, que foi o último presente que minha mãe me deu. Ou abandonar meus livros, meus cds e minha famosa coleção de tatus. Mas sou um ser humano sentimental. E racionalmente falando, ainda vale a pena pagar, porque não conseguiria comprar as mesmas coisas, pelo mesmo preço, em Recife. Mas que dói no bolso, ah, isso dói.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Janis


I don’t care how long it’s gonna take you now,
But if it’s a dream I don’t want
- No I don’t really want it -
If it’s a dream I don’t want nobody to wake me.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Acho que foi um elogio

Renatinho Félix, meu amigo lindo lá das Paraíbas, fez uma cotação dos melhores blogues do ano e eu fui incluída em duas categorias: "Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa" e "Longe de casa há mais de uma semana". Hummm... tá. Confiram.
Um beijo, querido! Fim do mês vou pra terrinha, juro que lançar de verdade o meu livro. Você não topa ir lá, não?

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Feliz em 2006

É roubada, eu sei. Fui toda imprensada no metrô e na volta passei duas horas ilhada, parada dentro de um ônibus que não se mexia, até conseguir chegar em casa. Mas passar o reveillón na praia de Copacabana foi uma experiência inesquecível.
É experimentar o indiferenciado, como diria minha amiga Lucinha. Sair da 'escala' usual. Se integrar de tal forma à massa que, de repente, você não é mais você, é só mais uma formiguinha num mar de outras formigas. Ser completamente insignificante e, por isso, gigante, parte insubstituível da multidão, que de repente é um ser com vida e idéias próprias. Estádio de futebol, carnaval, passeatas e rodas de pogo num show de rock me dão a mesma sensação de euforia.
É brega, eu sei. Mas quando eu vi milhares de estrelinhas pipocando no céu, com cores multicolores que pareciam querer me engolir, minha garganta deu um nó e eu só consegui pensar no piegas mais óbvio, 'que bom que 2006 está nascendo, grandes coisas me estarão reservadas, adeus ano velho, o mundo me está sendo dado de presente agora, estou renascendo'. E era uma tristeza alegre, serena. Me inclinei pra trás feito criança, querendo ver mais e mais os fogos rasgando o céu. Encostada no peito largo de Leo, que tem o abraço melhor do mundo.
É bobo, eu sei, mas usei blusa e calcinha amarelas. Novas. Quero dinheiro, equilíbrio financeiro neste ano que começa. Aqui no Rio, ou em qualquer lugar, preciso me assentar e ter alguma segurança. E ajudei a poluir a praia: comprei quatro rosas brancas a um real, de um menininho sorridente que me deu uma flor a mais de graça, e joguei no mar mentalizando coisas boas. Só duas, que as outras duas dei a Leo pra ele fazer o pedido dele também. Só não sei o que pediu e não posso contar o meu, senão não se realiza.
Da praia fui pra casa de Lígia, comemorar com os Sambamantes. Aí foi comilança, mojito no quengo, farofa, abraços e beijos. Como é bom ter amigos! A alegria desse povo me enternece sempre, incrível como um grupo criado pela internet, com o único 'mote' de serem fãs de samba, pode juntar tanta gente boa... E pra encerrar a saga do primeiro dia do ano, à tarde fui com Marquinhos, Andréa, Teresa e Leo pra Feira de São Cristóvão (de novo!). Apesar da chuva, deu pra cantar no videokê e rir muito. Nada melhor que começar 2006 com quebra-queixo e baião de dois no bucho, e alegria no coração.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Metas para 2006


Que neste ano novo eu redescubra tudo de bom que os 32 anteriores construíram em mim, o que vem sendo semeado há tanto tempo e eu nem sempre soube colher.
Que neste ano novo eu seja exatamente a mesma e completamente outra. Que eu saiba receber. Que eu saiba perder. Que eu saiba lembrar. Que eu saiba fluir.
Que eu reencontre os braços dos amigos que por um ano deixei de lado, sabendo que vou estar longe de outros braços que se souberam fazer queridos.
É tempo de me repartir, e de me reintegrar. De perceber em mim minhas fraquezas, e delas construir minha força. Passar a régua e, noves fora, saber que não começo do zero.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

500° post (tinha que ser uma notícia especial)

Ligo pra Recife e me contam que Luiza falou sua primeira palavra. Três chances pra vocês adivinharem. Não, não foi 'Sport'. Nem 'tia Nana', embora isso eu esteja ansiosa pra ouvir. Ela falou... 'papá'.

Tem gente que está ainda mais abestalhada do que é, hehehe. Beijo, Bibiu!

Acesso de nostalgia

Aprendi a ler sozinha, por volta dos cinco anos. Minha mãe desconfiou de algumas perguntas sem propósito que eu fazia, e tentou me fazer ler, mas eu não quis. Aí ela me ofereceu dar uma boneca Emília, recém-lançada e objeto dos meus sonhos, se eu lesse cinco ou seis coisas tipo bola, menina, sapo, tatu. Li na hora, é claro!, ela cumpriu a promessa e a Emília me acompanha até hoje como um talismã, sentadinha na minha estante de livros.


Foi o início de uma paixão fulminante. Eu era uma menina esquisita, como podem imaginar todos os meus afilhados e sobrinhos reais ou postiços, que simplesmente odeiam quando eu chego com um, de presente (a seção infantil das livrarias ainda me atrai de forma inexplicável). Pra mim, livro ou papel e tinta eram algo maravilhoso. Eu enchia tanto a paciência da minha mãe atrás de livros, que um dia ela resolveu ‘economizar’ e comprar um lote numa editora. Ela me levou pra escolher, e voltamos com mais de vinte livrinhos pra casa. Lá chegando, não sei porque cargas d’água ela resolveu ‘regrar’ o acesso, me dando de um por um, ‘só quando eu tivesse acabado de ler’. Sorrateira, eu passei uns três dias vasculhando a casa, nos lugares mais insuspeitados. Até que achei o esconderijo. E quando minha mãe chegou, me encontrou louca de felicidade, fazendo bamburim com os livros, e teve pena de interromper minha alegria. O prazer de ter tudo aquilo pra ler, de poder tocar, cheirar, folhear aqueles livros todos, eu não esqueci até hoje e me vem à mente quando eu entro numa livraria como a Fnac, a Cultura ou a Travessa.

Onde estão os livros da minha infância, meu Deus? Não sei que fim levaram, mamãe saía dando sem minha permissão. Mas acho que eles somem sempre, acontece com todo mundo. Como disse uma amiga, é um ‘grande mistério da minha humanidade, de resto só ficou aquilo que sou’.


* Pequeno inventário da minha saudade:

Os desastres de Sofia - A Arca de Noé - Ou Isto ou Aquilo - Marcelo, Marmelo, Martelo - A vida íntima de Laura - A mulher que matou os peixes - A Bolsa Amarela - Os colegas - A fada que tinha idéias - Lúcia Já Vou Indo - Flicts - Reinações de Narizinho - Clarita da pá virada - O menino maluquinho - O menino do dedo verde - Manu, a menina que sabia ouvir - A Curiosidade Premiada - A Terra dos Meninos Pelados - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá - Chapeuzinho Amarelo - As anedotinhas do Pasquim - As aventuras de Xisto - O Pequeno Príncipe - A árvore generosa - Oliver Twist - Poliana - O Reino Perdido do Beleléu - Lili do Rio Roncador - Memórias de um burro - O caso da borboleta Atíria - A ilha perdida - Coração de Onça - Uma menina chamada Rita.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Encruzilhada


Ganhei ontem o ano que vem de presente: confirmaram que o contrato que tenho, e que vence dia 15 de janeiro, não será renovado. Tenho algumas possibilidades a avaliar, inclusive ficar trabalhando como free-lancer para produção de conteúdo aqui mesmo, pois contudo e por tudo, eles reconhecem a qualidade do meu texto. O vácuo que isso abre na minha vida, ainda mais nesta época do ano, é bastante assustador, mas eu tou calma. Acho. Por enquanto.

Que sítio bacana!

Ela está construindo seu próprio blogue, mas tem vergonha de mostrar. Por isso, não dou o nome nem o endereço da menina linda, 'larger than life', que escreveu o texto abaixo, e que eu quis partilhar com vocês, porque a cada dia entendo mais porque a sinto tão próxima de mim. Um beijo, querida.


"Foi assim. Pelo menos do que me lembro. Lá pelos anos 80, eu no começo da minha adolescência, hormônios em estado de ebulição, decidi ir com umas amigas ao que na época se chamava 'semana-pré' de carnaval em Boa Viagem, digo decidi mas, na verdade, foi mais o caso de mainha ter me deixado ir. Bem, naquela época não existia essa de bloco de trio elétrico, camisa de bloco, sei mais lá o que... naquela época todo mundo era da pipoca, melhor assim.
Gelinho na barriga, halls na boca, leite de rosas e cabelo lavado, eu à procura de um paquerinha, nada demais, só um sorriso já me valia a noite, pois eu também fui inocente um dia. Eis que surge, nem lembro de onde, nem como, quem aqui vou ter que chamar Bomba do Hemetério, pois apesar de carinhosamente bem lembrar do seu rosto, não tenho a menor idéia do nome dele. Não era exatamente o tipo que uma mãe de uma adolescente de classe média ia querer pra uma filha casar, mas nem tampouco meu amor por ele foi um amor homem-mulher. Ah, foi bem mais que isso.
Lembro-me bem que ele estava descalço, porque não tinha mesmo sapatos pra calçar, usava uma calça social que me parecia duas vezes o número dele e um cinturão preto que prendia com força a calça na cintura, e uma camisa velha, muito velha, daquelas tipo da Hering. Me pareceu bizarra aquela combinação de roupa. Era bem baixinho, muito magro, lembro de uns braços fininhos, de pele bem seca saindo pela camiseta. Devia ter uns 40 anos, mas pensando bem, como é que se pode deduzir a idade do sofrimento em flor? Só sei que tinha uns olhos imensos, que gritavam fome!. Ficamos amigos. Não lembro mesmo o que a gente conversava, do que ele me disse, lembro que ele falou que tinha conseguido a passagem do ônibus pra conhecer o carnaval e que só voltaria pra Bomba do Hemetério quando o carnaval acabasse e ele conseguisse a passagem de volta. Ficava por ali durante o dia, olhando os prédios bonitos.
Bem, o que aconteceu foi que marquei com ele todas as noites na mesma barraca de coco, pro divertimento geral das minhas amigas... E um dia por algum motivo não pude ir, no dia seguinte quando reapareci, Bomba (acho que já estávamos íntimos) teve a maior crise de choro quando me viu, com muitas lágrimas mesmo, que vexame! Eu sabia que ele era um atraso pra as minhas paquerinhas e sabia tambem que nunca mais ia vê-lo, mas eu também sentia o quanto eu era importante pra ele, isso eu sentia mesmo. A semana-pré acabou, não lembro como foi o nosso adeus, talvez ele já nem se lembre mais de mim, sabe-se lá o que o futuro reservou praquele homem único na semelhança de um Brasil com fome. Mas, eu nunca me esqueci dele, e o amei à minha maneira. O intocável da mais baixa casta em Arundati Roy, a personificação da geografia da fome de Josué de Castro.O amei por ter me ensinado que não se pode ver a miséria como quem vê uma fileira de formiga. Cada ser é único. E como disse Guimarães Rosa: a colheita é comum, mas o capinar é sozinho"

terça-feira, dezembro 27, 2005

A cara do meu filho

Enfim, ele toma corpo, ou, por enquanto, só cara, que Val ainda não me mandou o "miolo" pr'eu ver... À distância, na minha ausência, meu livro vai sendo preparado. E não dá pra vocês imaginarem a alegria que eu tive hoje de manhã, ao abrir minha caixa de mensagens. Seguem uns pedacinhos da capa, pra vocês partilharem comigo este momento.

Acima: pra os que não conhecem, da esquerda pra direita, eles, a matéria-prima da minha pesquisa - João, Manoel e Maciel, avô, filho e neto, três pernambucanos arretados. Com cada um desenvolvi um tipo diferente de relação, com todos eles tive oportunidade de crescer como pesquisadora e como gente.

Este pedaço da contracapa é um excerto da apresentação escrita por Isabel Guillén, historiadora da UFPE que é especialista em mídia e cultura popular e em história oral. Durante algum tempo, pensei nela como possível orientadora, num possível doutorado em História, lá mesmo em Pernambuco. Foi uma grande alegria tê-la apresentando - e elogiando - meu trabalho.

Esse pedacinho daí é a orelha, escrita por mim. Tive que falar sobre mim mesma e isso não é muito fácil, até porque às vezes erro a mão e descambo pra informalidade... Hehehe. Definitivamente: não sou uma mulher séria!


Bom, por último, deixo pra vocês - num close absoluto! - a imagem linda que Toni conseguiu fazer de mim, no último domingo que passei em Recife, em novembro passado - tirada no meio de um Parque Treze de Maio lotado de crianças e namorados, gente querendo aparecer na foto, palhaços, patos, pipoqueiros, e eu lá tímida e querendo morrer, com Tâmisa, Biu, Val e Orla rindo junto, e eu quase chorando, tendo que fazer pose e mil caras e bocas, sina triste de quem odeia ser modelo mas adora empunhar uma máquina... E no fim saí linda e (quase) loira, sem nenhum sinal visível de sofrimento, toda cor-de-rosa no meio de um verde bucólico e insuspeitado, transmitindo tanta paz e felicidade que agora até virei meio poeta, vejam só!

segunda-feira, dezembro 26, 2005

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Parabéns pra Nininho


Segunda feira é o aniversário de meu amigo Nininho, o mala sem alça mais ingênuo e o tímido mais amostrado deste Rio de Janeiro. Aê, Cabeça, parabéns! Você mora no meu coração!


"Deus fez esse menino com a pele bem preta, só pra poder destacar o sorriso dele. O sorriso de Nininho é quente, é luz néon que fosforece em milhões de megawatts e ilumina a Lapa, o Rio de Janeiro e o Brasil. Deus também fez ele ser moleque, safado, cheio do gingado e do caô, mas com um coração de chocolate, derretido e doce. Que São Jorge te proteja e as estrelinhas do céu, tuas pariceiras, brilhem junto com você. Gosto muito de tu! Salve, simpatia. Um cheiro"
*Declaração de amor já antiga, que postei no Orkut.

Natal



Estou indo passar o Natal em Sampa, com meus primos Lu, Dani e minha tia Maninha. Sigo amanhã e volto domingo, de bumba mesmo, que a passagem da ponte aérea tava custando quase 300 pilas cada trecho.

Acho que vai ser bom, faz mais de dez anos que não vou lá na cidade, e minha tia insistiu muito na minha presença. Engraçado, em casa nunca tivemos muito essa tradição de Natal, mas ia ser mesmo muito chato ficar aqui sozinha, nesse Rio de meu Deus...

Aproveito a chance pra ser piegas e desejar a todos não apenas rabanadas, panetones e peru, mas momentos bons e divertidos junto daqueles de quem se gosta - que a festa seja uma chance de se partilhar alegria!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Mais um sobrinho


Vai ser em agosto. Vai ser filho de Dadá e Rilton, meus irmãos de alma. Vai ser menina? Vai ser menino? Vai ser feliz. Vai ser meu afilhado (tadinho, tadinho). Quero muito ir a Recife dar um beijo no bucho que por enquanto protege o futuro leãozinho. Que vai ser muito amado, mesmo que rubro-negro como quer a mãe. Estou pulando de alegria.