
Olinda não vai ser a mesma sem o riso de França. Ontem eu chorei de saber que há quase quatro meses ele não está neste mundo - e eu não sabia. Tem gente que a gente não precisa encontrar, mas precisa saber que existe e que se tiver sorte vai esbarrar, aqui e acolá, nessas esquinas da vida.
Dançar com França. Ouvi-lo recitar Isadora. Dar um abraço apertado nele, olhando no olho bem fundo como a gente faz com quem não tem medo de mostrar a alma...
Vi esse menino três vezes nos últimos meses: quando soube que tinha tido alta do hospital, "vencido" a leucemia, e de repente passou todo de branco pelos Quatro Cantos, como uma aparição, e Olinda inteira banhou-se de luz. Quando Leo chegou do Rio e a gente foi ao forró do Xinxim, e eu pedi licença a meu namorido recém-chegado e parti pra uma contradança com meu amigo, porque dançar com França era uma espécie de ritual de compromisso com a alegria. E quando, de mãos dadas com Leo, já em agosto ou setembro e com uma barriga gigante, dei de cara com ele na UFPE e ele me deu um abraço e abençoou meu filho, com os olhos brilhando. Morreu uma semana depois que Antonio nasceu, e ainda que eu passasse anos sem encontrá-lo, a consciência de sua ausência dói dentro de mim.