quarta-feira, setembro 24, 2008

Sua benção, vovó!


Nos últimos tempos, os olhos de dona Sylvinha já não percebiam direito o mundo em que esteve durante quase um século. Era menina de novo: após o cansaço de tanta vida, podia se admirar com o novo-velho de cada dia e se esquecer de muitos percalços. Chance de tocar La Cumparsita no teclado e se sentir mais próxima da mãe, do pai, da irmã, de uma época em que recitava Castro Alves e não pensava que eles partiriam tão cedo. De sentar na cadeira da varanda e ver seu amado Oswaldo chegando pra almoçar, na figura de qualquer senhor de cabeça branca que passasse pela rua. De retornar a um tempo em que precisaria de pelo menos duas mãos para enumerar a prole. De simplesmente ficar feliz com a visão de qualquer criança, sem se importar em saber se filho, neto ou bisneto. E nós, sua família e seus amigos, nos entristecemos de vê-la tão frágil, tão aparentemente desprotegida. Mas ela nunca foi fraca: foi por conta de uma força prodigiosa que sobreviveu a uma série de perdas avassaladoras ao longo da vida, superando inclusive doenças graves. Mesmo com medo, mesmo precisando de apoio, mesmo se reconhecendo despreparada para várias das missões que precisou enfrentar, seguiu em frente. Sua vida foi um testemunho de fé e simplicidade, de valorização da família e do próximo. Tinha o pavio curto e a grandeza de se arrepender sinceramente de seus erros. Tinha defeitos e qualidades, mescla complexa que resultou em alguém que soube ser filha, mulher, mãe, avó, bisavó. Por isso, nós a amamos. Por isso, ela continuará conosco, entranhada na carne e na alma. Perene, serena e íntegra, como esteve e partiu deste mundo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Mariana, desculpe invadir teu blog para tratar de outro assunto. Vi em outro blog um comentário teu onde dizias que tens um cd com os jingles da Itaity (principalmente os da Zé Araújo), sou do Recife e, do alto de meus 32 anos, morro de saudades das músicas dos comerciais das Casas Zé Araújo, chega me arrepio só de lembrar (fora que os tenho, quase todos, gravados em minha memória). Além disso, sou históriador e preciso urgente dessas músicas para colocá-las em um projeto de doutorado. Gostaria que me disseste, se possível, se existe alguma maneira de comprar, poussuir, gravar, ou coisa parecida, os cases da itaity referentes as campanhas da Zé Araújo? Obrigado, desde já, bom dia e abraços, Luís Pedrosa.

Anônimo disse...

Perdão... esqueci de deixar um contato, caso queira e possa me responder: lulapedrosa@hotmail.com . Ok? Muito obrigado, abraços e boa sorte, Luís Pedrosa (o do post anterior, sobre os jingles das Zé Araújo)

Anônimo disse...

naninha, teu texto é sempre doce como você, flor. saudade.. saudade de tu, das nossas farras em caruaru, de jogar conversa fora contigo no ap da faculdade caruaruense. saudade de tanta coisa... neste teu texto sobre dona sylvinha, eu vi meu papi, nana... tu perdoa? acho que, realmente, não é só nossos nomes que são igauis. tô começando a desconfiar que fazemos parte da mesma família... b-jo no coração e nos teus amores, viu? Amo tu!
melga