
Quase na hora da aula, já no meio do caminho, minha cabeça começa a doer, parecendo que ia explodir. Suor frio, dor na nuca, olhos doloridos como se perfurados por mil agulhas, ânsia de vômito. Eu, que já tinha sentido isso, suspeitei: pressão alta. E como estava perto, fui ao Agamenon Magalhães, um hospital público no bairro vizinho.
É, eu não tenho plano de saúde. Faz tempo que falta dinheiro. Não tenho plano, e não tenho tanta coisa que ia pagar com o salário do mês que ainda não saiu... não paguei o condomínio, nem a conta do cartão, nem comprei as muitas coisinhas que faltam pra ajeitar minha casa - ventilador, lixeira, tampa de privada, caixa de som, bebedouro, colchão...
Me doeu chegar no hospital, toda arrumadinha (eu ia dar aula!) e sentir o cheiro ruim do povo amontoado na emergência, a cara deles olhando pra mim. Menina burguesa, fresca, criada com vó? Talvez, mas não aguentei, dei meia volta e fui pro hospital privado que fica colado à minha casa - só pra ouvir que seriam R$ 250 (consulta e atendimento ambulatorial). Desisti na hora!
Subi em casa, larguei os livros, botei uma roupa mais confortável e voltei pro primeiro hospital, resignada a perder a noite. Qual o que!, em cinco minutos estava sendo medicada, e a enfermeira, sorridente no meio daquele caos, foi a criatura que melhor pegou minha veia ao longo de 32 anos. Nem senti!
Hospital público é aquela coisa, gente amontoada no corredor, e eu me sentindo num filme de Almodóvar. Passou um doidinho com cara engraçada, arregalou os olhos e ficou lá, me espiando. Uma buchudinha ficou encantada com minha sandália de lantejoulas. Tinha mais três pessoas com crise de hipertensão e ficamos conversando sobre o que estávamos sentindo. Juro: relaxei e me diverti como pude, no meio da confusão. Claro, na hora não tinha ninguém morrendo, ou baleado, ou sentindo muita dor. E privacidade, que é bom, nenhuma: na sala do médico, ou na enfermaria, a mão do povo girava a maçaneta e abria, sem cerimônia.
Me mediquei, peguei um atestado e vim pra casa, onde cozinhei uma canja e estou descansando. Da aventura, aprendi três coisas: 1) Tenho direito a usar o SUS se quiser, e ninguém vai me tratar melhor ou pior que aos outros; 2) Preciso me planejar pra enfim ter um plano de saúde, porque se fosse algo sério teria que ficar internada lá, e isso não seria nada divertido; 3) Tenho que arranjar um jeito de voltar a nadar, organizar minha vida e me estressar menos. O tensiômetro marcou 18x12.
9 comentários:
Minha Maricotinha querida, tem que se cuidar, né??? Beijinhos e melhoras...
sem juizo, nao brinca com essas coisas nao, doida.
cheiro.
Eu não brinco não, Fá. Tanto que fui lá atrás de socorro, pra ver se era o caso de me medicar... Mas vou fazer o que?, se tou lisa e sem plano? A parte da vida mais saudável - juro, Di! - tem que virar realidade, até pq o período de RJ me rendeu aperreio e 10kg a mais no lombo. O pior de tudo é não ter a quem recorrer: pressão alta, gripe, dengue, dengo - tenho que enfrentar tudo SOZINHA, não tenho quem tome conta de mim... Chuif.
Num se aperreie não que vai dar tudo certo, vc acabou de chegar agora, tenha calma que as coisas vão tomando seu lugar...
Xêro e cafuné prá você...
Oi maricota, menina te cuida mesmo. Com pressão alta não se brinca.
Mas é claro que eu como fervorosa defensora do SUS fiquei encantada com teu relato. SUS integral, universal e equitativo. Infelizmente, não dá pra dizer "não faz plano de saúde não, usa só o SUS", mas to arduamente trabalhando pra isso... quem sabe daqui a uns 20 anos...
Bjão e muitas saudades de ti tb!
Sei bem o que é hospital público...
A Bel mulher diz: " Melhoras, cuide-se, diminua o sal." A médica diz: "Aqui no Rio, tem um programa que funciona em todos os postos de saúde chamado Programa do Hipertenso. Vc se inscreve, e faz acompanhamento gratuito, é atendida com hora marcada, por bons médicos. Eles fornecem até a medicação e te encaminham para nutricionista , se vc precisar. É bem legal. Meu conselho seria marcar uma hora num ambulatório, para avaliar se vc é hipertensa ou só teve um pico hipertensivo e caso a primeira hipótese seja confirmada, veja se aí tem um programa semelhante." Mais uma vez, melhoras, cuide-se. Um beijo.
Biscoita, Bel: na quarta eu tive pilora de novo e fui parar no mesmo hospital. Foi trash, foi tudo o que tinham me contado do sus... tinha até um cara com "carteirinha de doido" querendo prioridade! Tinha tomado um adalat por conta própria, sem medir a pressão, e levei esporro do médico, pq a bicha caiu a 10x8 e a cabeça continuou doendo. Diagnóstico: enxaqueca. Tomei uma injeção cavalar e depois de dois dias sofrendo, a dor passou. Disso tudo, só a certeza de que tive um pico hipertensivo, como já tinha acontecido em outras situações de dor e tensão. Enfim, vou contratar um plano de saúde e tentar cuidar de mim. Obrigada pelo carinho! Beijos.
Saúde, cumadre, é o que interessa. Sem ela, como viver? Então te cuida, a gente não quer perder esse blog nem tão cedo....
Beijo, querido!
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