Minha chegada no Rio foi hilária (ou não), com um doido aporrinhando dentro do vôo. Começou quando o avião ainda estava parado, e ele passou pelo corredor, cheirando forte a uísque e com um sorriso estranho no canto da boca. Estava tocando uma música de Milionário e Zé Rico - o vôo prometia, como podem ver - e ele berrou, isso é bonito demais! Sentou atrás de mim, bulindo a perna esquerda em espasmos desesperados. Tentei dormir, esticando o braço um pouquinho pra trás: ele pá!, me deu uma tapa. Olhei pra trás com ódio e perguntei o que estava acontecendo. Desculpe, falou sem graça, e virou pro passageiro do lado, e falou bem ríspido: dá licença, viado. Levantou, andou pelo corredor, e eu, fascinada, esqueci o sono e fiquei só observando. Ele puxou um mapa enorme, sentou do lado de uma senhorinha desalentada, e foi até o Galeão circulando pontos, rabiscando frases, fazendo setas e falando da Serra do Caparaó.
Na volta, deu tudo certo, apesar do trauma do vôo da Gol. O problema foi quando cheguei em Recife: o porteiro abriu o maior sorrisão quando me viu, feliz como nunca - e aí fui descobrindo a tragédia aos poucos. A geladeira pifou, provavelmente porque alguém deixou aberta (foi gente lá fazer faxina), e o mau cheiro incomodou os vizinhos todos. Ninguém sabia do que se tratava; e o zelador pulou pela varanda, no décimo andar, para verificar se eu estava em casa (é, pois é). Ficou bastante aliviado de constatar que eu não estava... E eu não pude deixar de festejar o fato, enquanto, cansada e sem dormir, tive que limpar a sujeira incrível que inundava minha cozinha.
5 comentários:
Ah, pensando bem, a vida seria uma tremenda chatice se fosse tudo 100% certinho, né?
Agora, o fã-bebum do Milionário e Zé Rico, pelamordedeus!!!
Tô até com medo agora... Imagina se eu pego um desses mês que vem? 12 horas não vai dar pra aguentar, não! Tranco ele no banheiro.
Bjão!
Ai, Elis. Eu preferia dez doidos e não ter limpado aquela nojeira...
Beijo.
Mari, depois das gargalhadas que dei imaginando o absurdo das duas situações, constato que o bom desses micos é a gente poder contá-los e rir muito depois.
Beijo pra tu!
acho que eu matava esta faxineira.
Ai Lipe, sob esse ponto de vista eu sou uma mulher sortuda, não?
;.)
Marcia: eu não tenho certeza nem se foi culpa dela. E ela ficou doidinha, coitada!
Beijos...
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