sexta-feira, novembro 25, 2005

Do vermelho


Vermelho é mês que escorre pelas pernas. Vermelho é olho piscando insone na ausência. Sim, dores se vestem de vermelho. Laços se vestem de vermelho. Vermelho é lasca de esmalte no canto do desejo, o mesmo vermelho que atravessa rubras carnes e enrubesce brancas faces. Beijos se vestem de vermelho. Adeus desmancha vermelho. Vermelho é pedaço de pano escondendo o impublicável. O tesão é vermelho. Ódio é vermelho. O nu é vermelho. O cheiro do amor é vermelho. Vermelho tem voz de sirene. Vermelho tem pernas de vedete. Vermelho tranca-ruas. Vermelho come criancinhas. Vermelho passeia por entre dentros, por entre todos, por entre ricos e solitários. Vermelho, quando vai, traz o mar pra dentro do peito. Vermelho, quando vem, esquenta pés descalços. Nada vive sem o vermelho. Nada morre sem o vermelho. Nada pode ser, se quer ser algo mais que um pouco menos do que nada, se não for vermelho. Vermelho é o rei das cores. Por isso seu manto é vermelho. Vermelho é cor de tudo. De tudo que é. Do que foi. Do que devia ter sido. Do que um dia vai ser. Porque o ser sempre é vermelho.

(Por André Gonçalves)

4 comentários:

Salt Water disse...

Great picture!!! This is the you men dream of.

Mariana Mesquita disse...

?!?

;.)

Anônimo disse...

O Flamengo é vermelho (e preto).

Você fica aqui pertinho até quando mesmo?

Mariana Mesquita disse...

Oxe, Renatinho, tá viajando? Já tou no Rio faz séculos...
;.(
Beijo.