
Este é meu sítio, onde espero plantar e colher coisas boas. Desde abril de 2005, tenho postado minhas besteirinhas aqui, sem ordem cronológica nem temática - mais ou menos um baú de quinquilharias. Fique à vontade e me dê um alô... PS- Os posts são arquivados por semana. Se quiser olhar os antigos, tem os links lá embaixo, mês a mês.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Eeeeeca!

quarta-feira, outubro 12, 2005
Feliz dia das crianças



terça-feira, outubro 11, 2005
Beleza Fundamental - II
"O seu corpo sempre esteve a mais, lhe sobrava a alma" (Vitor Freire)segunda-feira, outubro 10, 2005
Colheita

Deu vontade e eu fiz uma colheita aqui do que já plantei no Sítio, desde abril. De 422 posts, salvei exatos 22, o que mostra como escrevo besteira, meu Deus do céu. O blogue novo, que não vai ser atualizado com muita frequência (é, infelizmente não escrevo coisas aproveitáveis todo dia!), pode ser visitado aqui - o endereço também tá lá, no topo da coluna dos links.
sábado, outubro 08, 2005
Para Pips, que viu o filme por minha causa

"Não tenho vontade de apagar as lembranças. Mesmo as dolorosas. Às vezes, tenho vontade é de poder complementar as lembranças. Continuar pequenos trechos, escrever comentários, fazer desenhos ilustrando ou colorir alguma lembrança, ou mesmo acrescentar notas de rodapé. Me acostumei desde pequeno a não ser sozinho, estando sozinho. Mas o costume não ameniza as coisas. Meu grande medo era quando eu imaginava que iria morrer sozinho. Hoje, revendo um filme, pensei. Quando me sinto sozinho parece que estou morrendo. Compartilhar sua vida com alguém é em alguma medida, essencialmente isso: dividir sua morte a ponto de esquecer um pouco que ela existe. Estar só é não conseguir escapar dela" (Vitor Freire)
Uma relação tem que servir para...

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para às vezes estimular você a se produzir e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada, uma pessoa bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, e mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para abrir uma garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Dois recadinhos
É por essas e outras que eu gosto tanto do meu Bebê Monstro... Um cheiro, Martinha! Obrigada pelo carinho constante!
"Mari, toda vez que vejo o seu blog fico mais abestalhada. Putz.... você é um ser humano muuuuito especial, viu ? Parabéns pela pessoa que você é !!! Saudade grande de tu. Beijo, Martinha Maranhão" (23 de setembro)"Mari, não fico um só dia sem entrar no seu blog !!! Sabe, ele já faz parte da minha vida. Fiquei super feliz em saber que você chega em novembro. Estamos com muitas saudades da senhora, viu ? Beijo, Martinha Maranhão" (06 de outubro)
quinta-feira, outubro 06, 2005
Beleza fundamental
Tem certas coisas pras quais não tem jeito, eu me sinto sempre em carne-viva. Tipo, ouvir um dia de meu primo muito amado que tinha vergonha de andar comigo, anos atrás, quando eu era ainda mais gorda do que sou (e sou gorda, ainda).Não lembro o termo que usou pra se referir a mim, mas acho que foi “monstruosa”. Isso ele falou aliviado, elogiando o fato de eu ter perdido mais de 40kg de lá pra cá (é...). Mas me doeu tanto, porque era uma coisa insuspeitada. E eu parei pra analisar como ele não andava realmente comigo em público, como ele tinha efetivamente vergonha. Não deixei de gostar dele, claro. Mas achei ele tão bobo, fiquei tão decepcionada! Porque nenhum traço físico jamais me impediu de andar com ou gostar de alguém. Dias depois ele comentou de uma moça cheinha que ele conheceu, mas não teve coragem de apresentar aos amigos. “Ela é linda, é um tesão, mas como eu vou com ela na praia?”, preocupava-se. Pra mim, essa classe de angústia nunca teve lugar...
Lembrei dessa história quando vi um recado num post logo aí abaixo, onde um gringo metido a livre-pensador (?) que não sei de onde apareceu me ‘xingou’ de gorda. Eu sou gorda, sim. E vou muito além disso. Graças a Deus sou uma mulher complicada. Sou múltipla. Cheia de paranóias mas de liberdade, também.
Mesmo quando tinha mais de 120kg, nunca deixei de sair, de ver gente, de dançar. Nunca deixei de paquerar e ser paquerada. Fui casada por sete anos com alguém cheio de ‘poréns’, mas que nunca deixou de gostar de mim e de me dizer bonita. Eu tenho um amigo que sempre me disse que eu era a ‘ídola’ dele, por causa disso. Não conseguia entender como era possível, ficava realmente impressionado de me ver seduzir as pessoas, mesmo sendo completamente fora dos padrões de beleza. Bobo, ele, também.
Por que as pessoas têm que ter rótulos? Por que o ‘bonito’ deve ser alto, branco, magro e louro de olhos azuis? Me chamem de piegas e doida, mas o brilho do olho e o calor do abraço sempre foram critérios mais confiáveis, pra mim.
Eu sou feito cachorro e criança pequena, que se aconchega ao bom, e não ao que a estética diz que é belo.
Bela é a anca da minha avó, que pariu seis filhos. Belo é o sorriso sem dentes de Luiza. Bela é a falta de jeito de Bibiu, quando vai dar de comer a ela. Belo é o colar que fiz pra minha mãe, quando eu tinha cinco anos. Belas são as cicatrizes que carrego no corpo e na alma, mas que fazem de mim um ser humano único. Que pode ser melhorado, que eu sou mulher e vaidosa, ora essa. Mas que é belo, de forma intransitiva. Porque vive, ama e se faz amar.
Gracinha

Paciência
[Do lat. patientia.]
S. f.
1. Qualidade de paciente.
2. Virtude que consiste em suportar as dores, incômodos, infortúnios, etc., sem queixas e com resignação.
3. Perseverança tranqüila.
4. Conformação abúlica e indolente; pachorra.
5. Entretenimento que consiste em reunir as peças separadas de um mosaico para formar uma figura.
6. Passatempo para uma só pessoa, no qual se fazem diferentes combinações com cartas de baralho, seguindo determinadas regras.
7. Bot. Planta da família das poligonáceas (Rumex patientia).
quarta-feira, outubro 05, 2005
Recife...
Esta foto junta Olinda e Recife, duas cidades amadas, dois jeitos de viver e sentir Pernambuco! É a vista mais bonita dos dois lugares.
Posto a foto pra meu amigo Jim conhecer, e pra dizer aos conterrâneos que tou comprando passagem - em novembro, passo uma semana por aí! Urrú! ;.)
Sou do Recife com orgulho e com saudade / Sou do Recife com vontade de chegar / O Rio passa levando barcaça pro alto mar / E em mim não passa essa vontade de voltar / Recife mandou me chamar! / Capiba e Zumba essa hora onde é que estão / Inês e Rosa em que reinado reinarão / Ascenso me mande um cartão / Rua antiga da Harmonia, da Amizade, da Saudade, da União / São lembranças noite e dia / Nelson Ferreira toque aquela introdução!
(Frevo número 3 do Recife, Antonio Maria)
Prato de Flores
Poema de Alisson Villa

O pensamento pesa 900 plumas de pardal
pesa o gosto do beijo escorrendo pelo dedo
o medo do par de meias dependurado no varal
O pensamento pesa a cor ainda não escolhida pelo pintor
pesa o cheiro do sol quando ainda é cedo
o segredo contado com a pressa do vapor
O pensamento pesa a estadia do mamilo no lábio
pesa o corte no vento pelo passaredo
o ledo flerte entra a lua e o astrolábio
O pensamento pesa o primeiro dia do envelhecer
pesa a noite que cai sobre o arvoredo
e enredo métrico para chegar a você
segunda-feira, outubro 03, 2005
"Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferenças"

Olhei para a sala cheia de jovens, preocupada com as diferenças entre eles. Realmente, um gaúcho não tem a noção do que ‘seca’ significa para um nordestino, embora possa sofrer com as conseqüências de uma estiagem. Apesar da enorme interação entre os jovens no forró da hora do intervalo, ao longo do evento eu vinha percebendo alguns risinhos diante de sotaques diferentes, pequenos problemas de aceitação da diversidade cultural enorme que esse nosso Brasil possui. Meu medo era que esses pré-conceitos, essas desconfianças, impedissem uma real troca de experiências. E o silêncio que se ouviu após a fala da moça intensificou meu receio.
Mas o gauchinho foi perfeito ao responder à baiana. “É esse nosso conceito de seca, sim. Eu sei que lá na região de vocês a situação é bem mais grave, só que aqui nós não temos a cultura de conviver com a seca. Desperdiçamos água. Além disso, nossas plantas morrem, não são como as da caatinga, que renascem quando chove. Três meses sem água, para nós, é um desastre”.
A baiana então abriu um sorriso, e foi explicar a ele como lá na comunidade dela têm feito cisternas para poupar água. Ele retribuiu detalhando as novas técnicas de adubação orgânica que vem utilizando. Em seguida, um garoto capixaba veio falar da sua experiência de comercialização. De repente, os mais de trinta jovens reunidos eram uma massa única de gente, vibrando, trocando idéias.











