
Tava de rosa, e cheirando a lavanda. Dedinhos pintados de esmalte: a manicure passou lá ontem.
-Oi, vó. Feliz aniversário!
Silêncio.
-Você sabia que é seu aniversário hoje? Quantos anos você está fazendo? É oitenta ou noventa?
Silêncio.
-Olha aqui seu presente. Toma!
Pega o pacote. Arranca devagar o primeiro pedacinho de durex.
-Tou com preguiça - sussurra baixinho.
-Tá, eu abro pra você. É um perfume, pra você ficar bem cheirosinha.
Silêncio.
-E aqui tem um ovo de Páscoa. Você gosta de chocolate?
A cara se ilumina com um sorriso, mas ela continua calada.
-Parabéns, viu? - e lhe dou um beijo.
-Quero mais cheiro. Um, dois, três, quatro! - fala rápido, e ri de verdade.
Deito com ela depois do almoço, ela sempre segurando na minha mão. Às 14h puxo o braço devagarinho, tenho que ir pro trabalho. E deixo aquela menininha de 91 anos dormindo serena, com os anjos.
Que Deus a abençoe.
4 comentários:
Por que você abre assim na gente, tão encantadoramente e com poucas, simples palavras, esse desejo terno de chorar?
Saudações do admirador sertanejo.
Obrigada pelo carinho, amigo. Um beijo grande!
Fiquei com os olhos cheios d'agua, e o coração apertadinho num nó... Em cada palavra, compartilhei do seu sentimento! Mas o que é mais gostoso em estar com Vovó,é perceber D. Sylvinha nas mínimas coisas: num olhar, num aperto nas mãos, nas palavras susurradas... Uma mulher grandiosa que se faz constante em cada uma de nós: da personalidade aos dedinhos tortos!!! Bjs, Maroca
Percebo Dona Sylvinha em tudo que ela construiu ao longo da vida, Fiada; e muito em cada uma de nós.
Vc foi lá de tarde? A festinha foi boa?
Beijo pra tu, e pra minha amiga Fá que me acompanha tanto e sempre.
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