
Às vezes daria qualquer coisa pra ter 1,60m, 40kg, calçar e vestir 36, e ser uma mocinha delicada em vez dessa coisa estrompa que vos fala, e que tem por principal característica o fato de ser grande e mesmo assim não caber em si. Eu ia ser loura, de olhos azuis, do tipo ninfa-transparente-a-ponto-de-quebrar, e me chamar Larissa. Larissa é meu alter-ego, meu desejo secreto de ser frágil e feminina, no que o feminino tem de mais estereotipado.
Eu sei, existem diversos tipos de beleza e de mulheres no mundo. Mas às vezes a gente se chateia de ser superlativa: eu sou grandONA, bonitONA, tenho peitÃO, pezÃO, mãozONA, cada lapa de osso que vou te contar, e nem que eu emagreça tudo que tenho que emagrecer no dia que Deus quiser, não vou jamais ser pequenina. Esbarro nas coisas, derrubo tudo, porque confesso que não sei calcular bem o espaço que ocupo no mundo. Ô, mulher desajeitada! Quando era pequena queria fazer balé, mas hoje acho que seria uma avestruz no meio dos pintinhos...
Ninguém me dá colo; todos me acham ‘forte’. E a gente vai tentando ser ‘forte’ e dar colo aos outros, porque é o jeito e é o que esperam de nós. Uma vez, eu tive um namorado muito maior do que eu, e que me fazia me sentir menina junto dele. Numa das primeiras vezes que me viu, pra medir força, me levantou no ar por quase um minuto: foi a maneira que achou de me desafiar e eu tive muita raiva, mas por outro lado, gostei de me sentir indefesa, uma vez na vida...
Tá, ser grande tem suas vantagens. Até hoje nenhum trombadinha de rua se meteu comigo e eu alcanço os produtos da última prateleira do supermercado. Mas imprenso meu joelho no banco de trás do carro, não acho roupa e sapato em qualquer lugar, e me irrito por não conseguir passar despercebida. Qualquer referência – mesmo que na intenção de elogio - a qualquer parte ‘superlativa’ de mim pode facilmente me magoar, por ser verdade e não-modificável. E eu me sinto mal por ser tão boba e sensível.
Graças a Deus que não é todo dia em que me sinto assim. Às vezes, agradeço cada milímetro de mim. Eu duvido que minha alma funcionasse igual, dentro da carcaça de Larissa.
Eu sei, existem diversos tipos de beleza e de mulheres no mundo. Mas às vezes a gente se chateia de ser superlativa: eu sou grandONA, bonitONA, tenho peitÃO, pezÃO, mãozONA, cada lapa de osso que vou te contar, e nem que eu emagreça tudo que tenho que emagrecer no dia que Deus quiser, não vou jamais ser pequenina. Esbarro nas coisas, derrubo tudo, porque confesso que não sei calcular bem o espaço que ocupo no mundo. Ô, mulher desajeitada! Quando era pequena queria fazer balé, mas hoje acho que seria uma avestruz no meio dos pintinhos...
Ninguém me dá colo; todos me acham ‘forte’. E a gente vai tentando ser ‘forte’ e dar colo aos outros, porque é o jeito e é o que esperam de nós. Uma vez, eu tive um namorado muito maior do que eu, e que me fazia me sentir menina junto dele. Numa das primeiras vezes que me viu, pra medir força, me levantou no ar por quase um minuto: foi a maneira que achou de me desafiar e eu tive muita raiva, mas por outro lado, gostei de me sentir indefesa, uma vez na vida...
Tá, ser grande tem suas vantagens. Até hoje nenhum trombadinha de rua se meteu comigo e eu alcanço os produtos da última prateleira do supermercado. Mas imprenso meu joelho no banco de trás do carro, não acho roupa e sapato em qualquer lugar, e me irrito por não conseguir passar despercebida. Qualquer referência – mesmo que na intenção de elogio - a qualquer parte ‘superlativa’ de mim pode facilmente me magoar, por ser verdade e não-modificável. E eu me sinto mal por ser tão boba e sensível.
Graças a Deus que não é todo dia em que me sinto assim. Às vezes, agradeço cada milímetro de mim. Eu duvido que minha alma funcionasse igual, dentro da carcaça de Larissa.
22 comentários:
Uma das maiores demonstrações de 'força' é poder escrever com tanta naturalidade sobre as 'fraquezas',
belo texto
beijos
Um cheiro, Bruno. Larissa, Mariana e as outras 363 mulheres que fazem parte de mim agradecem com o coração cantando.
Adorei este texto, Mari... bjs na alma superlativa!!!
Beijinho, fiadinha!
Oi Mariana, cheguei aqui através do Desconjumina.
Curti mto esse post. Eu às vezes me sinto assim, mas com vontade de ser grande. Porém, é algo passa logo rs.
beijos
Bem vinda, querida! Apareça... Beijão.
Seu texto é uma delícia, Mariana. Parabéns. Tati
Vc é "minha" Tati Tendler, ou é outra Tati? De todo jeito, obrigada. Beijão.
deu vontade tbm de escrever uma historinha sobre ser pixota e pirraia, soh pra rivalizar hehehehe! pena que não iria ficar tão bom qto seu texto neh, fzr oq!
cherin!
Não, Mariana. Sou Tati de apelido de infância. Blogueira viciada e fanzoca do seu sitio.
Pois dê mais o ar da graça, Tati...
;.)
Dona Cláudia,
Agora 'realizei' que do jeito que me tratam no superlativo, te tratam no diminutivo... E tu não tem nada de 'inha', mesmo tendo jeito de menina. Vamos criar um alter-ego mulherão pra você. Vai se chamar Marília e qualquer dia a gente marca pra ela fazer uma gandaia com a Larissa, combinado? Um cheiro...
hmm e quem disse que mulher grande não é atraente? ;) Adorei seus textos. Vc é um mulherão! beijos
Pô, anônimo... se identifica... deixa o celular, o msn...
;.)
Beijo, obrigada!
Beleza de texto!! Mas pra quem te conhece, basta te encarar bem no fundo dos olhos (grandes.. eheheh) pra perceber uma alma leve e delicada, pequena e frágil, grande e amável.
Pois então, eu não acho nada disso... e o que é melhor, por mais que tivessemos tido poucas oportunidades, vc caberia (e cabe) no meu colinho, justamente pq tenho braços muuuuutito grandes (e um pouco complexados tb.. rs).
Saudades de ti, MARICOTINHA!
bjinhos
Biscoita linda, amada do meu coração: não promete colo que eu peço, sou a criatura mais dengosa que Deus colocou na face da Terra. Um cheiro! Saudade enorme.
marília, mari? sabia q adoro esse nome, e se eu tivesse uma filha (vou ter não, heheh, sou mto mole) ela ia se chamar marília. mas já q vc sugeriu, já tô me imaginando batendo a cabeça na barra de ferro do ônibus ou desesperada com as calças coronhas que vou encontrar nas lojas, hahaha!
amo tu, mulher
cheiro!
Afe, menina... sério? Não sei de onde me apareceu esse nome... Vai ver vc terá uma filha superlativa... ;.)
Beijo!
Isso mesmo! Larissa usa terninho de tactel, salto alto, perfume francês bem doce e faz as unhas duas vezes por semana! Larissa só come salada de alface com sushi! Larissa faz limpeza de pele semanal, mesmo sem ter uma espinha na cara! Larissa é a bailarina do Chico, sem pereba e sem história!
Saí desenvolvendo o mote das "muitas mulheres em mim" e cheguei a:
Leonor, que tem 48 anos, cinco filhos, três netos e dança bolero no fim de semana no Clube das Pás Douradas;
Luci, que faz a vida fácil de um jeito difícil, pois é frígida;
Laura, que é engenheira agrimensora, usa óculos e não depila o sovaco, mas que sonhava ser aeromoça;
Luana, que tem cinco anos e coleciona figurinhas da Hello Kitty;
Leila, que pesa 150kg e é professora de dança do ventre...
Só depois eu vi que o nome delas todas começa com L, isso deve querer dizer alguma coisa...
Texto lindo como você.
Ah, sei bem, o que é ser mulher "forte", muitas vezes queremos colo e ninguém percebe...
Obrigada pelas suas palavras,(já te disse isso, mas, to ficando repetitiva, é a idade, ..... rs) e uma delicia chegar do trabalho e relaxar lendo você.
Beijosssssssss
Janine
Delícia é saber que vc me acompanha aí do outro lado, minha flor, sempre me mandando tanto carinho e simpatia...
Beijo enorme!
Hoje mesmo eu estava falando sobre isso. Uma conhecida me disse que sem salto não é ninguém. E eu disse que, na próxima encarnação, quero vir "ninguém". Todas as minhas amigas mignon invejam a minha altura que, hoje em dia, nem é tanta.
No meu caso, já consegui um avanço nesta encarnação: tenho muitos momentos de fragilidade e sou reconhecidamente dramática. Sou extremamente feminina e sou dengosa como ninguém. Já fui considerada "de porcelana". E até tenho pedaços de mim pequenos: mãos, orelha, pés.
Tudo bem, um dia chego lá.
Beijos, Mariana!
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